Crise aumenta desemprego na UE em 2008
A forte deterioração da economia teve em 2008 um claro reflexo no mercado de trabalho europeu, com crescimento das taxas de desemprego, de 7,2% para 8% da população ativa nos países que utilizam o euro como moeda comum e de 6,8% para 7,4% em toda a União Europeia (UE).
O aumento do desemprego foi informado hoje pelo Eurostat, escritório estatístico comunitário e forma a taxa mais alta desde fevereiro de 2007 para a UE, enquanto na zona do euro não havia tantos desempregados desde outubro de 2006.
O mais grave, no entanto, é que Comissão Europeia prevê que esta tendência piore em 2009 e 2010, anos nos quais a taxa de desemprego deve crescer para mais de 10% na área do euro e para 9,5% na UE.
O Eurostat calcula que no final do ano passado havia na União 17,911 milhões de desempregados, dos quais 12,472 milhões estavam nos países do euro.
Entre janeiro e dezembro, 1,665 milhões de moradores de Europa perderam seus empregos, a grande maior parte deles -1,397 milhões- na zona do euro.
O desemprego aumentou em 14 Estados-membros -mais da metade dos 27 da UE- no último ano, com gravidade marcante na Espanha, que bateu o incômodo recorde, tanto no ritmo de aumento (5,7 pontos), quanto na taxa no fechamento do ano, que atingiu 14,4% da população.
Em segundo lugar vem a Letônia, que, com 10,4% de desemprego, é o outro país-membro com desemprego em dois dígitos de pontos percentuais.
Em seguida vêm Eslováquia (9,4%), Estônia (9,2%), Hungria (8,5%) e Irlanda (8,2%).
Entre as outras grandes economias européias, França e Alemanha mantêm suas taxas de desemprego abaixo da média da área da moeda única, com 7,9% e 7,2%, respectivamente, enquanto Reino Unido e Itália ainda não têm dados definitivos.
O Estado-membro com menor desemprego continua sendo a Holanda, com apenas 2,7% da população ativa sem trabalho, seguido por Áustria (3,9%), Chipre (4,2%), Eslovênia (4,3%) e Dinamarca (4,5%).
Quanto à evolução do desemprego por sexos, os dados mostram que, até o momento, a crise afeta mais os homens do que as mulheres, embora elas ainda tenham índices piores.
Assim, o desemprego masculino fechou o ano em 7,6% na zona do euro (1,2 pontos a mais do que em dezembro de 2007) e em 7,2% em toda a União Europeia (nove décimos a mais).
Por sua vez, o desemprego das mulheres passou de 8,1% para 8,5% nos países da moeda única e de 7,4% para 7,7% na UE.
Os mais castigados, porém, foram os trabalhadores jovens, que viram a taxa de desemprego subir até 16,4% na zona do euro e a 16,6% em toda a União Europeia, 1,9 pontos a mais em ambos os casos do que no fechamento de 2007.
O pior cenário neste segmento também é o da Espanha, onde 29,5% dos jovens estão desempregados, após um impressionante aumento de 10,2 pontos no último ano.
Holanda, com 5,3%; Áustria, com 6,9%; e Alemanha, com 9,9%; são os países-membros com menor desemprego juvenil.
Em todos os demais Estados-membros, a taxa de desemprego juvenil supera os 10%.