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Trabalhadores de mais duas fábricas da VW aceitam acordo para reduzir ociosidade

Depois do ABC paulista, funcionários de Taubaté e do Paraná fecharam acordo que estabelece PDV, redução de benefícios e garantia de emprego até 2025 para quem ficar no grupo

16 set 2020
20h33
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Funcionários de mais duas fábricas da Volkswagen, a de Taubaté (SP) e a de São José dos Pinhais (PR) aprovaram na tarde desta quarta-feira, 16, proposta que prevê a abertura de um programa de demissão voluntária (PDV), congelamento de salários e redução de benefícios para que a empresa não promova demissões aleatórias. A companhia informou no início das negociações, há quase quatro semanas, que tem um excedente de 35% do seu quadro de pessoal mas não estabeleceu metas para o voluntariado. Quem permanecer na empresa terá garantia de emprego por cinco anos.

Na terça-feira, os trabalhadores da maior empresa do grupo, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, já tinham aceitado a proposta que inclui pagamentos de 25 a 35 salários extras para incentivar a adesão ao PDV. Na unidade de motores, em São Carlos, a votação ocorrerá na segunda-feira. Ao todo, o grupo emprega cerca de 15 mil trabalhadores.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, mesmo que o PDV não atinja o excedente alegado pela empresa, de cerca de 5 mil funcionários nas quatro fábricas, o conjunto de medidas aprovado será suficiente para a Volkswagen administrar seus custos e retomar investimentos. A empresa não quis comentar o tema ontem nem hoje.

A assembleia em Taubaté ocorreu no meio da tarde e a do Paraná foi feita de forma online. "Graças ao bom senso de ambas as partes (empresa e sindicatos) conseguiu-se tirar uma proposta de preservação e garantia dos postos de trabalho pelos próximos cinco anos. Com isso, há tranquilidade para que o trabalhador possa desempenhar bem sua função e a empresa possa se planejar para enfrentar o momento difícil pelo qual o País passa", afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, Sérgio Butka.

Os trabalhadores das três fábricas de automóveis aceitaram também a adoção de suspensão de contratos de trabalho (layoff) por até dez meses com salários inferiores aos pagos até agora, reduzão de jornada e salários se houver necessidade, congelamento de reajuste salarial (serão substituídos por abonos), além de mudanças em benefícios como plano médico, aposentadoria privada e participação nos lucros e resultados (PLR).

Produção em queda

Segundo o presidente da Volkswagen, o grupo deixou de produzir até agora 146 mil veículos em relação ao mesmo período de 2019. "É um número que equivale a uma fábrica inteira", disse ele recentemente. De acordo com empresa, a ociosidade nas linhas de produção representa hoje os empregos de um turno de trabalho em cada fábrica.

O setor automotivo como um todo previa produzir este ano cerca de 3 milhões de veículos, mas, em razão do fraco desempenho das vendas após o início da pandemia do coronavírus e do recuo das exportações, revisou o número para cerca de 1,8 milhão de unidades.

Demissões já vinham ocorrendo no setor em razão de processos de automação das fábricas, mas se intensificaram após a crise da covid-19. Em 12 meses até agosto, o setor fechou 6,3 mil vagas, das quais 4,1 mil na pandemia. Hoje emprega 121,9 mil trabalhadores.

A General Motors encerrou na semana passada um PDV nas fábricas de São Caetano do Sul, na região do ABC, com 294 adesões, e em São José dos Campos (SP), com 235. A Renault, com fábrica no Paraná, tem um PDV em andamento com intenção de cortar 747 vagas, número equivalente ao de demissões feitas em julho e que depois foram revogadas após greve dos trabalhadores.

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Estadão
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