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Quando a arte inspira a vida: artistas analisam obras com profissionais de saúde mental

Semana da Cultura Psi terá cinco encontros; Ney Matogrosso e Joel Birman abrem o evento nesta segunda, 22

20 nov 2021 05h27
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O que a arte e a saúde mental têm em comum? Falando assim, pode parecer que se trata de dois assuntos bem distintos, mas a verdade é que ambos estão mais ligados do que se imagina. "A arte é uma ponte para nosso mundo interno", diz Francisco Nogueira, psicólogo e psicanalista, que, ao lado da palhaça Nina Campos, criou a Semana de Arte Psi. O evento, que está na segunda edição, começa segunda (22) com a proposta de unir esses dois mundos por meio de debates entre um artista e um profissional da área psi. Tudo gratuito e online.

Nesse primeiro encontro, o cantor Ney Matogrosso e o psiquiatra Joel Birman partem da canção Balada do Louco para discutir o que é ser normal. "Quem escolhe a obra a ser debatida é o artista", explica Nina. Dessa forma, Preta Gil, que conversa no dia 25 com a psicanalista Helenice Rocha, escolheu a música Vá Se Benzer. O tema será o ódio nas redes sociais. Além deles, haverá encontros ainda com o maestro João Carlos Martins e o psicanalista Jean-Michel Vivès (23); com o ator Cauã Reymond e a psicanalista Miriam Debieux (24); e com a atriz Alice Braga e a psicanalista Maria Lucia da Silva, que encerram o evento no dia 26.

ARTE E PSICANÁLISE. Nina e Francisco trabalham juntos há seis anos na empresa Relações Simplificadas, que une as linguagens da psicanálise e do palhaço para criar workshops e eventos. "Uma coisa complementa a outra, embora pareçam tão diferentes", explica Nina. Segundo ela, eles não queriam deixar a proposta restrita às empresas. Assim, há três anos criaram um canal no YouTube no qual, sempre às sextas, há um novo vídeo sobre saúde mental. Um dos mais recentes trata da nossa relação com o corpo, em que Nina explica as relações entre saúde mental e corporal. A palhaça entra em cena pontualmente - para quebrar o tabu de quem não se sente confortável em tratar do tema saúde mental.

"As pessoas identificam o palhaço como uma figura de alegria e de infância. Mas ele é um arquétipo. Ele abre essa porta para que as pessoas não tenham medo de entrar", explica Nina. É nesse sentido também que o evento foi criado, para que as pessoas sejam apresentadas ao tema da saúde mental e superem os próprios preconceitos.

Durante a pandemia, a dupla criou um trabalho de escuta. Foram 8.500 escutas ao longo dos 18 meses em que o serviço esteve no ar. "A partir delas, percebemos que era um tema que não podia esperar a pandemia passar", afirma ele.

No ano passado, na primeira edição, o cineasta Fernando Meirelles escolheu o filme Dois Papas para debater a culpa. "Traz muito esclarecimento, muito alívio, coloca as pessoas num lugar de apaziguamento de certos sentimentos que são desafiadores", diz Nina.

Serviço

De 22 a 26/11, 19h. Gratuito, no youtube.com/relaçõesimplificadas. Não é necessário se inscrever

Estadão
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