Pandemia leva filho de Grande Otelo a depender de doações
Também ator, José Prata, o Pratinha, conta com ajuda de amigos e vizinhos para se manter
O ator José Prata e sua esposa Fabiana praticamente não saem de casa, em Palmares, na zona oeste do Rio. Tentam assim minimizar a possibilidade de se infectarem pela covid-19, cumprindo à risca as recomendações das autoridades sanitárias. A exceção se dá quando conseguem uma cesta básica e precisam ir até determinado local para buscá-la.
Nas últimas semanas, essa tem sido a realidade de Pratinha, como é conhecido o filho de Grande Otelo – um dos maiores artistas que o Brasil já teve, com extenso currículo como ator de filmes e novelas de sucesso no século passado e que morreu em 1993.
“Eu sou uma pessoa pública e, como tal, não posso ter vergonha de dizer a verdade. O dia a dia tem sido muito difícil. Dependemos de cesta básica, da ajuda de uns e outros. Temos rezado bastante e espero ter logo algum dinheiro para poder comprar carne. É triste ficar nessa dependência, mas é o que nos está acontecendo no momento”, conta Pratinha, sem deixar de lado o senso de coletividade.
“Está complicado pra quase todo mundo. Eu sinto também aqui dentro a dor de todos aqueles que não conseguem o mínimo para se manter.”
Pratinha atuou na novela 'Sinhá Moça' (1986) e no humorístico ‘Zorra Total’, da TV Globo, e ainda em minisséries como ‘Dercy de verdade’ e ‘Dalva e Herivelto”, da mesma emissora – entre outros trabalhos como ator. Integra atualmente a Cia. Procópio Ferreira, mas está sem atividade nenhuma há mais de um mês. Até os ‘bicos’ que fazia, consertando celulares e notebooks, deixaram de aparecer.
Para os próximos dias, o casal vive a expectativa de obter uma nova cesta do sindicato dos artistas. “Onde moro, os vizinhos se ajudam, dividem o pouco que têm. Mas já está ficando tudo escasso por aqui.”
Antes do confinamento, que ele considera necessário, Pratinha vinha desenvolvendo três projetos – leitura dramática de textos; uma participação de destaque na peça ‘Chá das Balzaquianas’, que correria vários Estados do Brasil, e um trabalho numa novela que seria exibida na Internet.
“Espero que essa pandemia mude o hábito das pessoas, que elas possam ver a vida de outra forma, ajudando-se mutuamente. Sem isso, a vida não vale nada." Quem quiser colaborar com o ator, pode acioná-lo pelo Whatsapp (21 98794 1992).