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Ômicron: testes PCR e de antígeno conseguem detectar nova variante do coronavírus?

Kits do tipo PCR conseguem rastrear o vírus; OMS diz que têm sido feitos estudos sobre a eficácia de testes rápidos de antígeno

2 dez 2021 21h55
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As mutações da variante Ômicron do coronavírus não afetam o diagnóstico de covid-19 realizados com o teste RT-PCR. Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, esse tipo de exame consegue detectar o material genético do vírus Sars-Cov-2. "A chance de uma variante surgir e não ser detectada por um teste RT-PCR existe, mas é muito pequena", disse a vice-diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Instituto Butantan, Maria Carolina Sabbaga.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia afirmado no domingo, 28, que a Ômicron não escapava do teste RT-PCR, considerado o mais confiável para o diagnóstico da covid-19. A entidade declarou, no entanto, que são necessários estudos para verificar se os testes rápidos feitos com antígenos são afetados ou não pela nova variante. Diferente do RT-PCR, os testes rápidos com antígenos identificam as proteínas da Sars-Cov-2.

Segundo o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury, por mais que as proteínas se modifiquem, esse é um comportamento comum aos vírus e de conhecimento dos cientistas. Por isso, os laboratórios que realizam o diagnóstico de doenças virais costumam isolar mais de uma parte e se previnem do escape. "Os testes não isolam várias partes porque se uma se modificar e não for identificada, outra vai ser", declarou.

No caso do RT-PCR, mais de um gene do vírus é isolado para ser identificado, diminuindo a chance de o diagnóstico escapar por alguma mutação. Os cientistas também afirmam que os genes isolados são considerados partes mais essenciais do vírus. Sem eles, o Sars-Cov-2 provavelmente não sobreviveria - ou seria considerado outro vírus.

O diagnóstico da covid-19 é diferente da identificação das variantes. Enquanto os diagnósticos são responsáveis por verificar se o material coletado possui os genes do vírus, o sequenciamento genético - etapa feita posteriormente pelos laboratórios - é que identifica de qual cepa o vírus faz parte. Essa identificação é feita a partir da comparação entre o material sequenciado e uma base de dados internacional, chamada GISAID.

Granato explica que essa estrutura genética funciona como "uma parede com tijolos de várias cores combinadas de determinada forma". No caso da Sars-Cov-2, há cerca de 30 mil partes que se combinam e são analisadas pelos cientistas. "É a sequência desses tijolos que fazem com que o sequenciamento identifique o vírus e as suas variantes", disse.

A Ômicron, por exemplo, foi identificada a partir da ausência de um gene do vírus que cria a proteína Spike. A anomalia foi vista em dezenas de diagnósticos da covid-19 sequenciados pelos laboratórios da África do Sul. Neste sequenciamento, o gene S não pôde ser detectado, mas outras partes do vírus foram.

Ainda de acordo com Granato, o vírus da Sars-Cov-2 tem um material genético considerado grande se comparado com outros vírus, como o da Influenza (gripe comum). A variante Ômicron tem 50 mutações identificadas, mas a maioria se concentra na proteína Spike. Isso torna ainda menos provável que ela escape dos testes.

A proteína Spike é considerada a "chave" do vírus para entrar no corpo humano, mas não é o gene isolado para o diagnóstico da covid. Com as mutações concentradas nesta parte, o vírus tem mais chance, por exemplo, de escapar das vacinas. "É muito mais provável que um vírus consiga burlar as vacinas do que um diagnóstico RT-PCR", afirmou Maria Carolina Sabagga.

Estadão
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