Italiano: mais fácil ter trombose em avião do que com vacina

UE citou coágulos como efeitos adversos de imunizante de Oxford

7 abr 2021
14h05 atualizado às 14h18
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Um dos mais conhecidos virologistas da Itália chamou de "histeria total" as preocupações nos países europeus com os efeitos colaterais da vacina anti-Covid da AstraZeneca e da Universidade de Oxford.

O virologista italiano Andrea Crisanti, professor da Universidade de Pádua
O virologista italiano Andrea Crisanti, professor da Universidade de Pádua
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em entrevista ao site italiano Quotidiano Nazionale, Andrea Crisanti, professor de microbiologia na Universidade de Pádua, disse que é mais fácil sofrer uma trombose venosa fatal andando de avião do que tomando a vacina contra o novo coronavírus.

"Há uma histeria total. Perdemos completamente o senso da história. Você tem ideia de quantos casos fatais de trombose venosa profunda acontecem a cada ano em viagens de avião? Cinco a cada 10 mil, 500 a cada 1 milhão, ou seja, 500 vezes mais que os eventos adversos da vacina da AstraZeneca. E por causa disso não vamos mais andar de avião?", ironizou.

Segundo Crisanti, agora que existem dados disponíveis, é possível dizer que o imunizante da AstraZeneca "é um dos mais seguros que existem". De acordo com o professor, alterações na coagulação sanguínea são um dos elementos patológicos da infecção pelo coronavírus Sars-CoV-2.

"Quando damos a vacina, injetamos compostos que induzem a produção de componentes do vírus. Não devemos nos surpreender se, de vez em quando, esses componentes virais causarem efeitos coagulantes, os chamados 'efeitos colaterais'", explicou.

Trombose

Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, a agência de medicamentos da União Europeia (EMA) afirmou que tromboses acompanhadas de baixa contagem de plaquetas são possíveis efeitos colaterais "muito raros" da vacina da AstraZeneca.

No entanto, a EMA manteve a avaliação de que a relação benefício-risco do imunizante "permanece positiva" e não recomendou que a fórmula seja proibida para nenhum tipo de público adulto.

A agência analisou relatos de 62 casos de trombose cerebral da cavidade venosa e 24 de trombose venosa esplâncnica reportados até 22 de março, sendo que 18 terminaram em óbito. Nesse período, 25 milhões de pessoas já tinham sido vacinadas na Europa.

Ou seja, isso significa 3,44 eventos de trombose para cada 1 milhão de indivíduos imunizados. "Andar de avião tem um risco 100 vezes maior do que tomar a vacina. Não sou eu quem está dizendo, são as estatísticas", reforçou Crisanti, agora à emissora de notícias Sky TG24.

Ansa - Brasil   
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