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Covid-19 aumenta risco de depressão e demência, indica estudo britânico

Pesquisadores britânicos analisaram probabilidade de 600 mil pacientes desenvolverem uma das 14 doenças cerebrais comuns.

7 abr 2021 13h48
| atualizado às 14h10
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Pesquisadores britânicos analisaram probabilidade de 600 mil pacientes desenvolverem uma das 14 doenças cerebrais comuns
Pesquisadores britânicos analisaram probabilidade de 600 mil pacientes desenvolverem uma das 14 doenças cerebrais comuns
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Pessoas diagnosticadas com covid-19 nos últimos seis meses tiveram maior propensão a desenvolver depressão, demência, psicose e derrame, apontou um novo estudo.

Um terço das pessoas infectadas com a doença desenvolveu ou teve uma recaída de uma condição psicológica ou neurológica.

Mas aqueles que foram internados em hospitais ou em terapia intensiva correram um risco ainda maior.

É provável que isso se deva aos efeitos do estresse e ao impacto direto do vírus no cérebro.

Cientistas do Reino Unido analisaram as fichas médicas eletrônicas de mais de meio milhão de pacientes nos Estados Unidos e suas chances de desenvolver uma das 14 condições psicológicas ou neurológicas comuns, de hemorragia cerebral a derrames.

Ansiedade e transtornos do humor foram os diagnósticos mais comuns entre as pessoas com covid, e estes eram mais prováveis de ocorrer devido ao estresse da experiência de estar muito doente ou de ser levado ao hospital, explicaram os pesquisadores.

Condições como derrame e demência têm mais probabilidade de ser atribuídas aos impactos biológicos do próprio vírus ou da reação do corpo à infecção em geral.

A covid-19 não foi associada a um risco aumentado de desenvolver-se Mal de Parkinson ou síndrome de Guillain-Barré (processo inflamatório de nervos cujos sintomas podem ser fraqueza muscular progressiva).

Causa e efeito

O estudo foi observacional, então os pesquisadores não puderam dizer se a covid causou algum desses diagnósticos acima - ou seja, algumas pessoas poderiam ter tido um derrame ou depressão nos seis meses seguintes à infecção, independentemente.

Mas, comparando um grupo de pessoas que tiveram covid-19 com dois grupos - com gripe e outras infecções respiratórias, respectivamente - os pesquisadores da Universidade de Oxford (Reino Unido) concluíram que a covid-19 estava associada a mais doenças cerebrais subsequentes do que outras doenças respiratórias.

Os participantes foram divididos por idade, sexo, etnia e condições de saúde, para torná-los o mais comparáveis possível.

Os doentes tinham 16% mais probabilidade de desenvolver um distúrbio psicológico ou neurológico após a covid do que após outras infecções respiratórias, e 44% mais probabilidade do que pessoas se recuperando de uma gripe.

Além disso, os pesquisadores constataram que a gravidade da doença estava ligada a uma maior probabilidade de diagnóstico subsequente de saúde mental ou distúrbio cerebral.

Transtornos de humor, ansiedade ou psicóticos afetaram 24% de todos os pacientes, mas aumentou para 25% naqueles internados no hospital, 28% em pessoas que estavam em cuidados intensivos e 36% em pessoas que experimentaram confusão mental durante a doença.

Os acidentes vasculares cerebrais afetaram 2% de todos os pacientes com covid, aumentando para 7% dos internados na UTI e 9% dos que tiveram confusão mental.

E demência foi diagnosticada em 0,7% de todos os pacientes com covid, mas em 5% daqueles que experimentaram delírio como sintoma.

Sara Imarisio, chefe de pesquisa da Alzheimer's Research UK, ONG voltada para pesquisas sobre a demência, disse: "Estudos anteriores destacaram que pessoas com demência correm maior risco de desenvolver covid-19 grave. Este novo estudo investiga se essa relação também pode ser mantida na outra direção".

"O estudo não enfoca a causa dessa relação, e é importante que os pesquisadores descubram o que está por trás dessas descobertas."

Há evidências de que o vírus entra no cérebro e causa danos diretos, explica o professor de neurologia Masud Husain, da Universidade de Oxford.

A covid-19 pode ter outros efeitos indiretos, por exemplo, afetando a coagulação do sangue, o que pode levar a acidentes vasculares cerebrais. E a inflamação geral que ocorre no corpo quando ele responde à infecção pode afetar o cérebro.

Para pouco mais de um terço das pessoas que desenvolvem uma ou mais dessas condições, esse foi o primeiro diagnóstico.

Mas mesmo quando se tratou da recorrência de um problema pré-existente, os pesquisadores disseram que isso não descartou a possibilidade de a covid ter causado o episódio da doença.

A professora Dame Til Wykes, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College London, diz: "O estudo confirma nossas suspeitas de que um diagnóstico de covid-19 não está apenas relacionado a sintomas respiratórios, mas também a problemas psiquiátricos e neurológicos. Examinar (os pacientes) seis meses após o diagnóstico demonstrou que as sequelas podem aparecer muito mais tarde do que o esperado - algo que não é surpresa para aqueles que sofrem de covid longa".

"Embora, como esperado, os resultados sejam mais sérios naqueles internados em um hospital, o estudo aponta que os efeitos graves também são evidentes naqueles que não foram hospitalizados."

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