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Israel prepara aplicação da quarta dose de reforço contra o coronavírus

22 dez 2021 10h42
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País confirmou na terça-feira primeira morte pela variante ômicron. Primeiro-ministro afirma que dose extra de reforço vai ajudar país a superar nova onda do coronavírus.Pioneiro na aplicação da dose de reforço, a terceira no processo de vacinação contra a covid-19, Israel agora prepara-se para aplicar a quarta dose em pessoas acima de 60 anos e também em trabalhadores da área da saúde. O anúncio, feito nesta terça-feira (21/12) durante uma conferência do Ministério da Saúde israelense, foi saudado pelo primeiro-ministro Naftali Bennett.

Segundo especialistas israelenses, quarta dose reforça anticorpos e, assim, ajuda no combate à variante ômicron
Segundo especialistas israelenses, quarta dose reforça anticorpos e, assim, ajuda no combate à variante ômicron
Foto: DW / Deutsche Welle

"Essa é uma ótima notícia que vai nos ajudar a superar a onda proporcionada pela variante ômicron, que está se espalhando pelo mundo", disse Bennett.

Também nesta terça (21/12), o hospital Soroka, na cidade de Beersheba, confirmou a primeira morte devido à variante ômicron no país. Um homem de 60 anos, com uma série de doenças graves pré-existentes, morreu duas semanas após ter sido admitido na área destinada ao tratamento de coronavírus.

Segundo nota divulgada pelo hospital, "a morbidade decorreu principalmente de doenças anteriores e não de infecções respiratórias decorrentes do coronavírus".

Conforme cientistas israelenses, o número de anticorpos após somente uma dose de reforço diminui com o tempo, em processo semelhante ao que ocorre depois da segunda dose. "A diminuição de anticorpos após uma vacinação é um processo natural", afirma o professor da Universidade de Tel Aviv, Ejal Leschem, especialista em doenças infecciosas.

A ideia, agora, é estudar o número de pessoas vacinadas que poderá adoecer - e os efeitos e consequências - devido à variante ômicron. Outra questão é sobre o intervalo entre as doses. Segundo Leschem, um período mais longo costuma ser melhor, mas, tendo em vista a nova onda trazida pela ômicron, uma redução de seis para três meses entre a segunda e a terceira dose é justificável.

O professor também afirmou que foram observados menos efeitos colaterais na terceira dose em comparação à segunda. Isso se aplica a problemas usuais, como febre, dor de cabeça, fadiga e dor no braço, além de miocardite, que é extremamente rara.

"Não é incomum administrar quatro doses vacinais no período de um ano", disse o especialista, referindo-se ao número de aplicações feitas em crianças em seu primeiro ano de vida, em Israel, contra a poliomielite (paralisia infantil).

Biden diz que EUA estão preparados

Além de pioneiro na vacinação, Israel também foi o primeiro país a reimpor duras restrições de viagens à população. Novas leis restringem deslocamentos a mais de 50 países, considerados de alto risco. Entre eles, os Estados Unidos, onde o presidente Joe Biden fez um pronunciamento nesta terça-feira (21/12) no qual disse que o país está preparado para enfrentar a onda causada pela variante ômicron.

Biden anunciou uma série de novas medidas, entre elas o envio de 500 milhões de testes gratuitos para as casas dos americanos. "Todos devemos nos preocupar com a ômicron, mas não entrar em pânico", disse o presidente americano, que destacou militares para hospitais e uma ajuda de 580 milhões de dólares a organizações internacionais no combate ao coronavírus.

Ainda que até o momento a ômicron tenha dado indícios de que é menos severa do que outras variantes, a capacidade de contágio parece ser maior. Na semana passada, a nova variante foi responsável por 73,2% dos novos casos de covid-19 entre os americanos.

Biden também reforçou que a campanha de imunização nos Estados Unidos, que têm 62% da população totalmente vacinada, vai ajudar a prevenir casos mais severos da doença. E repreendeu os não vacinados ao dizer que eles não cumprem seu "dever patriótico": "Há alguns dias, o ex-presidente (Donald) Trump disse que tomou a dose de reforço, talvez uma das poucas coisas com as quais concordamos".

Europa cancela festas e impõe restrições

A preocupação com a nova variante ômicron tem feito com que as autoridades europeias reforcem as medidas restritivas e, assim, cancelem festas e eventos tradicionais desta época do ano. Desde que surgiu, em novembro, a ômicron já foi detectada em 38 dos 53 países cobertos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa, tornando-se dominante em nações como Portugal e Reino Unido.

Na França, as celebrações de réveillon foram canceladas. Na Alemanha, festas particulares podem ocorrer com a presença de apenas 10 pessoas, enquanto as danceterias e grandes eventos - como jogos de futebol - seguirão sem público. A Holanda impôs lockdown desde o último final de semana e que deve durar ao menos até 14 de janeiro.

Na Dinamarca, o governo anunciou nesta terça-feira (21/12) que a variante ômicron tem se tornado dominante no país. Na Finlândia, os bares terão de fechar às 21h na noite de Natal, e a venda de álcool terá um maior controle a partir de 28 de dezembro.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um apelo para que as nações redobrem os esforços para combater e terminar com a pandemia. Ele pediu que os eventos de réveillon sejam cancelados, considerando que é melhor "celebrar mais tarde do que celebrar agora e lamentar mais tarde".

Ao anunciar novas medidas restritivas na Alemanha, nesta terça-feira (22/12), o chanceler Olaf Scholz disse que "este não é o momento para festas e noites aconchegantes com muita gente".

Vacinas e pílulas para combater a pandemia

Aprovada na segunda-feira (20/12) pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), a Novavax foi recomendada pela OMS como terceira dose para pessoas imunodeficientes. Especialistas do Grupo Estratégico em Imunização (SAGE) publicaram nesta terça (21/12) uma série de recomendações, incluindo o uso da vacina em pessoas com comorbidades, além de portadores do vírus HIV e mães que estejam amamentando.

Nos Estados Unidos, a Agência de Administração de Drogas e Alimentos (FDA), pode autorizar pílulas produzidas pelas empresas Pfizer e Merck para o tratamento de covid-19. As drogas, que seriam ingeridas no início dos sintomas, são vistas como promissoras em tratamentos por via oral.

No Reino Unido, a AstraZeneca informou que trabalha com a Universidade de Oxford para produzir uma vacina específica contra a variante ômicron.

Por outro lado, a EMA declarou que ainda é cedo para confirmar se as empresas precisam trabalhar em novas vacinas para combater a ômicron. "Ainda não há resposta se é necessária uma vacina adaptada, com uma composição diferente", disse a diretora-executiva da agência, Emer Cooke.

gb/Reuters/dpa/AFP

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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