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Hospitalizações por sintomas respiratórios crescem 51% em SP

Aumento na capital e na região metropolitana ocorreu nos últimos sete dias, alerta Observatório Covid-19 BR

20 dez 2021 21h25
| atualizado às 21h40
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As hospitalizações de pacientes com síntomas respiratórios em São Paulo voltaram a crescer neste mês de dezembro. Nos últimos sete dias, o número de internações nos hospitais da Grande São Paulo passou de 1.163 para 1.757, crescimento de 51%.

O alerta é do Observatório Covid-19 BR, com base em análise dos dados publicados pela Fundação Seade do Censo Hospitalizar do Estado de São Paulo e pela Secretaria Municipal de Saúde da capital.  

Segundo o observatório, o crescimento é compatível com o surgimento de novos agentes infecciosos - no caso, a variante Ômicron do Sars-Cov-2 e a variante Darwin do vírus Influenza, que escapa da vacina contra a gripe aplicada este ano. Entretanto, ainda não há dados que demonstrem a relação entre a ação dos novos vírus e o aumento de hospitalizados.

O observatório oferece três hipóteses para isso: o crescimento estar associado a novas infecções do coronavírus, causados pela variante Ômicron; existência de uma epidemia do vírus H3N2 (Influenza A) pela cepa Darwin, que escapa à vacina; e um cenário de combinação das duas.

Hospitalizações por sintomas respiratórios crescem 51% na Grande São Paulo
Hospitalizações por sintomas respiratórios crescem 51% na Grande São Paulo
Foto: Reuters

Nas últimas duas semanas, São Paulo também registrou mais atendimentos de casos de pacientes com quadro respiratório. Nesta segunda-feira, 20, a rede de saúde municipal teve 837 pacientes atendidos. Há duas semanas, no dia 6 de dezembro, foram 305. O aumento é de 174%. "Essa mudança é um forte motivo de alerta e, se esse crescimento permanecer, poderemos caminhar para um cenário dos mais graves da pandemia, em termos de morbidade, sobrecarga do sistema de saúde e consequente desassistência", diz o alerta.

Ainda de acordo com o observatório, o tempo atual de duplicação das hospitalizações acontece em torno de 3 a 5 dias. Ou seja, na melhor das hipóteses, nesse ritmo o número de atendimentos de suspeitos com covid-19 dobra. O alerta destaca que o cenário atual exige toda a atenção das autoridades de saúde, visto que pode agravar rapidamente a situação da cidade.

Na semana passada, a Prefeitura de São paulo passou a considerar que há transmissão comunitária da Ômicron na cidade. Em paralelo, houve aumento do número de casos pacientes com síndromes gripais, que inclui tanto a covid-19 como outros vírus respiratórios, como a Influenza. No Hospital Israelita Albert Einstein, por exemplo, os diagnósticos de Influenza A cresceram 2.236% em 15 dias e chegaram a 1.472 casos na primeira quinzena de dezembro.

O crescimento dos casos de pessoas com sintomas de gripe tem sido observado na capital paulista desde a primeira semana de dezembro, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Na primeira quinzena de dezembro 91.882 atendimentos de pessoas com sintomas gripais foram realizados. A média é de 6,1 mil casos por dia. Em novembro, essa mesma média foi de 3,7 mil.

A circulação de dois vírus - Influenza e o coronavírus - dificulta o diagnóstico clínico de síndrome respiratória. Ambos têm sintomas semelhantes. O relatório enfatiza que, nesse caso, há necessidade de aumentar a testagem ampla para o diagnóstico dos dois vírus em circulação.

O ataquer hacker feito ao sistema do Ministério da Saúde no dia 10 de dezembro dificulta ter informações seguras sobre o cenário epidemiológico da cidade, informa o observatório. O ataque atingiu plataformas como o Painel Coronavírus, o e-SUS Notifica, o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) e o Conecte SUS, que exibe dados de vacinação contra a covid-19. Os sistemas do Ministério seguem fora do ar e Estados e Municípios relatam dificuldade para o registro dos dados. "Também agravam a situação a falta de política de testagem abrangente para ambos os agentes e o apagão das bases de dados de casos, resultados laboratoriais, e vacinação do Ministério da Saúde", acrescenta.

Estadão
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