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Coronavírus

Expectativa de vida volta a subir para 75,5 anos após queda causada pela covid, diz IBGE

No ano mais mortal da pandemia, esperança de vida ao nascer chegou a cair pata 3,4 anos; mulheres vivem mais do que os homens

29 nov 2023 - 10h10
(atualizado às 12h45)
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Expectativa de vida volta a subir para 75,5 anos após queda causada pela covid, diz IBGE
Expectativa de vida volta a subir para 75,5 anos após queda causada pela covid, diz IBGE
Foto: Getty Images

A explosão na mortalidade da população nos anos de pandemia reduziu abruptamente a expectativa de vida do brasileiro, após anos seguidos de avanço gradual. A esperança de vida ao nascer desceu de 76,2 anos em 2019, no pré-crise sanitária, para 74,8 anos em 2020, caindo a um piso de 72,8 anos em 2021, recuperando-se apenas parcialmente para 75,5 anos em 2022.

Os dados são das Tábuas Completas de Mortalidade 2022, divulgadas nesta quarta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento atual incorpora dados preliminares do Censo Demográfico 2022 e informações atualizadas de registros de óbitos no País.

No ano de 2021, o mais mortal da pandemia, a expectativa de vida caiu 3,6 anos entre os homens (para 69,2 anos) em relação a 2019, no pré-covid, e 3,2 anos para as mulheres (para 76,5 anos). Na média da população, a perda foi de 3,4 anos de esperança de vida entre 2019 e 2021.

As projeções para a população futura do País - calçadas nos contingentes populacionais do Censo 2010 e revistas em 2018 - apontavam que o brasileiro teria uma expectativa de vida ao nascer de 77,2 anos em 2022, ou seja, 1,7 ano maior do que o constatado agora, em que é sentido o efeito da covid.

"Com os anos de pandemia, fica claro o aumento das mortes e o efeito que isso tem contrário: quanto mais mortes você tem, menor é a esperança de vida ao nascer de uma população", apontou Izabel Guimarães Marri, técnica responsável pela pesquisa do IBGE.

A esperança de vida ao nascer para mulheres foi de 79,0 anos em 2022, enquanto para os homens ficou em 72,0 anos. Isso significa 1,7 ano a menos de vida para as mulheres do que o projetado antes da crise sanitária, e também 1,7 ano a menos para os homens.

A maior perda ocorreu em 2021, ano de pico de mortalidade por covid-19, quando a esperança de vida ao nascer foi de 72,8 anos para os brasileiros (76,5 anos para as mulheres e 69,2 anos para os homens). A projeção anterior indicava uma esperança de vida média de 77,0 anos para 2021 (80,5 anos para as mulheres e 73,5 anos para os homens). Sem as mortes por covid, a esperança de vida projetada era 4,2 anos maior que o constatado (4,3 anos superior para os homens e 4 anos maior para as mulheres).

A diferença entre o projetado e o verificado atualmente também foi significativa para o ano de 2020, primeiro ano de pandemia: a expectativa de vida foi de 74,8 anos para o total da população, sendo 78,6 anos para as mulheres e 71,1 anos para os homens. O resultado significa quase 2 anos a menos que o projetado antes da crise, sendo 1,7 ano a menos para elas e 2,2 anos a menos para eles.

Pico de 1,8 milhão de mortes

Segundo o IBGE, o envelhecimento da população já vinha resultando num aumento gradual nos registros de óbitos no Brasil, passando de menos de 1 milhão de mortes registradas no ano 2000 para cerca de 1,349 milhão em 2019.

"No caso brasileiro, espera-se um aumento no número de óbitos registrados ao longo das décadas, tanto pelo envelhecimento da estrutura etária da população, quanto pela melhoria na cobertura dos óbitos registrados", justificou o instituto.

No entanto, o número absoluto de óbitos registrados saltou a 1,556 milhão em 2020, subindo ainda a um ápice de 1,832 milhão em 2021. Em 2022, foram registrados 1,542 milhão de óbitos, "valores ainda elevados em relação à tendência histórica pré-pandemia".

"Ela (mortalidade) sobe muito em 2020, sobe mais ainda em 2021, que foi o que mais teve aumento de óbitos por conta da pandemia de covid, e aí reduz em 2022, tendendo a se reduzir ainda mais em 2023?, estimou Izabel Guimarães Marri. "Esses anos são marcados visivelmente pelo excesso de óbitos da pandemia de covid."

Segundo Marri, se a crise que gerou o pico de óbitos for controlada sem efeitos duradouros nos próximos anos, a tendência é que haja um retorno do crescimento da esperança de vida do brasileiro ao longo do tempo.

"Quantos anos viveria um recém-nascido, em média, se ele experimentasse aquelas taxas (de mortalidade) observadas no ano de pandemia? Só que, na prática, ninguém acha que a gente vai viver por um longo período essas taxas de mortalidade em todas as idades observadas em ano de pandemia", ponderou Gabriel Mendes, pesquisador do IBGE.

"Para os próximos anos, espero que haja uma recuperação da esperança de vida ao nascer no Brasil, com uma redução desse excesso de óbitos que a gente teve em 2020, 2021 e 2022?, corroborou Marri.

Fator previdenciário

O IBGE divulga, anualmente, as Tábuas Completas de Mortalidade para o total da população brasileira, com data de referência em 1º de julho do ano anterior, em cumprimento à legislação, conforme o Artigo 2º do Decreto Presidencial nº 3.266, de 29 de novembro de 1999. As informações sobre a expectativa de vida do brasileiro são usadas como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social.

Em 2022, a esperança de vida média de um brasileiro de 60 anos de idade foi de 21,9 anos, sendo de 23,5 anos para as mulheres e de 20,0 anos para os homens. Já a expectativa de vida para quem tivesse 65 anos de idade era de 18,1 anos, sendo de 19,5 anos para as mulheres e de 16,5 anos para os homens.

O IBGE divulgou ainda a taxa de mortalidade infantil, que aponta para 12,9 óbitos de crianças de 0 a um ano de idade incompleto a cada mil nascidas vivas em 2022. A mortalidade infantil foi de 11,7 por cada mil meninas de 0 a um ano incompleto, e de 13,9 meninos em cada mil.

Embora a covid-19 tenha provocado mais óbitos entre idosos do que entre jovens, a esperança de vida é afetada em todas as faixas etárias, incluindo o indicador de taxa de mortalidade infantil. Os resultados mais detalhados, com informações por Unidades da Federação, ainda dependem da divulgação de novas informações do Censo Demográfico 2022, comunicou o IBGE.

Estadão
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