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Coronavírus

Dunga multiplica ações de solidariedade em Porto Alegre

Campeão mundial em 1994, ex-jogador da Seleção brasileira já arrecadou toneladas de alimentos

6 mai 2020 - 11h55
(atualizado às 12h11)
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A rotina de Carlos Caetano Verri, o Dunga, mudou nas últimas semanas, depois que a covid-19 chegou ao País e impôs situações de isolamento social. Em Porto Alegre, onde mora, ele passou a incrementar campanhas de solidariedade a fim de atender aos que ficaram sem trabalho e, por tabela, com as prateleiras vazias. O capitão do tetracampeonato mundial do Brasil, em 1994, e também ex-técnico da Seleção, nos períodos de 2006 a 2010 e 2014 a 2016, já doou até o momento mais de dez toneladas de alimentos.

Dunga tem participado diariamente de campanhas de doação de alimentos em Porto Alegre
Dunga tem participado diariamente de campanhas de doação de alimentos em Porto Alegre
Foto: Divulgação

Para tanto, ele conta com a parceria de outro ex-jogador, Tinga, de vários empresários e comerciantes da capital gaúcha, de amigos do futebol e ainda de muitas pessoas em condições de oferecer o mínimo possível - um cacho de bananas ou uma caixa de ovos, por exemplo -, num mutirão que reúne dezenas de voluntários e que já repercutiu em vários países.

A ajuda ao próximo não é novidade na vida de Dunga. Ele faz trabalhos semelhantes desde 1993, quando organizou campanhas beneficentes para hospitais do Rio Grande do Sul que tratavam câncer infantil e crianças com diabetes. A diferença, agora, é a intensidade de suas ações, tal a situação dramática observada nas ruas da capital.

“Tem gente que pensa o Brasil num gabinete, com ar-condicionado. Eu e o Tinga estamos na rua, constatando a necessidade diante dos nossos olhos, respirando a felicidade e a gratidão das pessoas com o pouco que podemos dar. É muita carência, falta tudo.”

Em suas andanças por Porto Alegre para distribuir cestas básicas, kits de higiene e de limpeza, fraldas geriátricas, entre outros produtos, Dunga se depara com cenas marcantes. Uma delas se deu numa comunidade pobre da cidade.

“Eu vi uma criança estudando sentada numa caixa plástica, escrevendo no muro, como se ali fosse o quadro negro. Aquilo foi de cortar o coração.”

O ex-jogador mantém o Instituto Dunga de Desenvolvimento do Cidadão desde 1995. Trata-se de uma instituição de caridade, com sede em Porto Alegre, cujo público-alvo são famílias, crianças, adolescentes e idosos em situação de vulnerabilidade.

Dunga conta com a parceria de Tinga (e) e de amigos para arrecadar alimentos e outros itens que são distribuídos em bairros pobres de Porto Alegre
Dunga conta com a parceria de Tinga (e) e de amigos para arrecadar alimentos e outros itens que são distribuídos em bairros pobres de Porto Alegre
Foto: Divulgação

Com seu conhecimento e a credibilidade de seu nome, consegue doações robustas para multiplicar o amparo a pessoas e entidades, como a que acaba de juntar nesta quarta-feira: um milhão e duzentos mil reais para obras amplas de reforma no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre. Já havia recebido R$ 500 mil em novembro para a mesma finalidade e agora obteve mais R$ 700 mil de um grupo de empresários.

“O custo total das reformas no Hospital da Brigada é da alçada de R$ 3 milhões. Nós conseguimos R$ 1,2 milhão. Já é quase a metade. Antes, eu já havia obtido junto com um pessoal de Caxias do Sul a doação de vitaminas para os brigadianos, os policiais. Eles se alimentam mal, não tem hora para refeições, comem qualquer coisa em qualquer horário. Isso ninguém nunca pensou.”

Em suas andanças para dar sequência à ajuda humanitária, Dunga ouve histórias de dramas pessoais, de famílias que estão sem nenhuma renda e dependem de gestos de caridade, como o de uma senhora, de um bairro pobre de Porto Alegre, que só tinha um pedido a fazer: ela queria comer uma fruta, não sabia o que era isso há tempos.

A experiência em dias de pandemia de covid-19 tem levado Dunga a reflexões que ele põe em prática. Não admite que luvas e máscaras usadas sejam despejadas sem nenhum cuidado no lixo, para não deixar em risco quem trabalha com reciclagem. Também não acha correto que moradores de prédios se preocupem apenas em ver o porteiro usando máscara higiênica.

“E o gari? E o atendente do supermercado? E o frentista do posto de gasolina? A preocupação tem que ser com todos, senão não vamos avançar como sociedade. Aliás, aprendi a agir assim na minha passagem pelo Japão (entre 1995 e 1998, jogou pelo Jubilo Iwata). Lá, um tem responsabilidade pelo outro.”

Essas ações de Dunga já foram noticiadas com destaque pela imprensa japonesa e de países da Europa, como Itália e Espanha, e enchem de orgulho seus amigos. Um deles, Moisés Campos, ex-administrador da CBF e chefe de segurança da Seleção na Copa de 1994, nos EUA, é um dos mais entusiastas. “O Dunga é um grande ser humano, tem muita dignidade e é de uma leveza espiritual que poucos conhecem. Ele tem uma bela trajetória de vida, de superação e conquistas, e faz isso tudo por pura bondade”, afirma Moisés.

Fonte: Silvio Alves Barsetti
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