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Demanda global por transporte aéreo despenca 94% em abril, mas maio indica retomada

Dados preliminares do mês passado apontam aumento no número de voos, segundo a associação internacional do setor; aposta é que recuperação do negócio venha por meio do mercado doméstico

3 jun 2020
12h53
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O setor aéreo atingiu o pior mês da sua história em termos de demanda e oferta em abril de 2020, sob efeito da paralisação da atividade econômica na crise provocada pela pandemia de coronavírus, apontou a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). Números divulgados nesta quarta-feira, 3 apontam que a demanda global de transporte aéreo de passageiros (medida em RPK, ou passageiros-quilômetros pagos transportados) despencou 94% em abril na comparação com igual mês de 2019.

Apesar da continuidade da crise, dados prévios de maio apontam uma recuperação importante para as aéreas. "A indústria atingiu nível sem precedentes em abril", disse o economista-chefe da Iata, Brian Pearce, durante teleconferência com jornalistas.

A oferta de assentos (medida por assentos-quilômetros ofertados, ou ASK) em abril recuou 87% na comparação anual.

Na América Latina a queda na demanda foi de 98%, mesmo patamar da América do Norte. Na Europa, o recuo foi de 99%.

A taxa de ocupação também atingiu mínima histórica de 36,6% em abril. Em igual período de 2019, o indicador estava em 83%. "O mercado da China tem mostrado recuperação e está em 66,4%", disse Pearce. Na América Latina, o indicador fechou abril em 55% ante 82,1% um ano antes.

Cenário menos ruim

A equipe da Iata, no entanto, trouxe um cenário menos desastroso no novo relatório do que nos anteriores. De acordo com Pearce, o setor mostrou recuperação no número de voos (considerando também o de transporte de carga) em maio. "Vimos uma elevação de 30% no dia 27 de maio na comparação com 21 de abril, que demonstrou ter sido o menor ponto na crise em termos de voos. Isso sugere que o mês de maio foi melhor também para os passageiros."

O economista reforçou a tendência do setor de retomada do negócio via mercado doméstico. "As aéreas estão se esforçando para puxar a demanda, com oferta de passagens", destacou. Segundo dados da Iata, as tarifas aéreas para voos no mercado doméstico em maio estão 23% menores na comparação anual.

Na apresentação, Pearce trouxe dados de pesquisas no Google durante maio, em que as buscas por viagens aéreas saltaram 25% na comparação com abril - apesar de terem recuado 60% ante janeiro.

Ajuda do BNDES para aéreas no Brasil

O diretor-geral da Iata, Alexandre de Juniac, foi questionado sobre a redução na linha de crédito do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) às aéreas no Brasil, que saiu de R$ 10 bilhões para R$ 4 bilhões.

Ele buscou um tom apaziguador e disse que o governo brasileiro tem adotado "ações significativas para ajudar as aéreas". E ponderou que essa não é uma postura geral na região. "Os governos na América Latina deveriam fazer mais por suas companhias aéreas, mas o Brasil tem feito um bom trabalho nesse cenário."

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Estadão
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