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Após pronunciamento, 'claque' bolsonarista retorna ao Alvorada

Fala do presidente em defesa do fim do 'confinamento em massa' estimula apoiadores que voltam a se concentrar na portaria da residência oficial

26 mar 2020
18h59
atualizado às 20h38
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Depois do pronunciamento na noite de terça-feira, 24, em pediu o fim do "confinamento em massa" mesmo diante da escalada dos casos de coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro voltou a mobilizar os apoiadores tanto nas redes sociais quanto na portaria do Palácio da Alvorada. Em dias normais, entre 20 e 40 pessoas ficam diante da residência oficial. Com a covid-19, houve dias com apenas dois apoiadores.

Na manhã seguinte ao discurso em cadeia nacional de TV e radio, um grupo de nove pessoas compareceu ao Alvorada. Ao presidente, elas afirmaram que estavam lá motivados justamente pela sua fala, em que mais uma vez se referiu à covid- 19 como "gripezinha" e pediu para as pessoas voltarem à normalidade.

Nesta quinta-feira, 26, mesmo com chuva, a claque estava à postos. Eram 11 pessoas. Diante de apoiadores, Bolsonaro questionou a presença da imprensa no local. "Imprensa, vocês estão aqui trabalhando. Tem que ficar em casa, pô. Quarentena, pô. Fica em casa quarentena em casa", disse o presidente, pedindo que a fala dele fosse gravado por um ajudante de ordens. Os apoiadores aplaudiram e gritaram: "É isso aí, Bolsonaro" e "Mito." O vídeo foi amplamente divulgado nas redes sociais.

Com a recomendação de isolamento social do Ministério da Saúde, Bolsonaro, ao completar 65 anos, ficou sem o bolo de aniversário que estava sendo preparado por seus fãs por causa. A ideia de um grupo de moradores de Águas Claras, região administrativa do Distrito Federal, era cantar o "Parabéns pra Você", em frente ao Palácio da Alvorada, mas foram desestimulados pela covid-19.

Na segunda, 23, apenas um casal esperava o chefe do Executivo pela manhã. Mesmo assim, Bolsonaro desceu para cumprimenta-los. Na terça-feira de manhã, somente outras duas pessoas o aguardavam, mas ele passou direto.

Responsável pelo canal do Youtube "Cafezinho com Pimenta", que transmite a conversa do presidente com seus apoiadores, o capitão da reserva da Marinha, Winston Lima, deixou de ir ao Alvorada desde o fim da semana passada. Ele era um dos que estava convidado para a "festa surpresa" de Bolsonaro. Após o presidente pedir o fim do isolamento, ele já pensa em voltar à portaria da residência oficial na próxima segunda-feira.

"Eu confio muito no presidente. Ele tem muita informação, tem uma estrutura, e ele não tem segundas intenções. Ele quer o melhor para o país e para o povo. Quando ele fala que está na hora de isolamento horizontal para vertical, eu concordo", disse Lima.

Após o pronunciamento, nos grupos de WhatsApp bolsonaristas passaram a se multiplicar textos estimulando que pessoas rompam medidas restritivas de circulação para evitar um recessão econômica. Integrantes do governo e aliados também usaram seus perfis para apoiar o presidente e defenderem o "isolamento vertical", que mantém em quarentena apenas idosos e pessoas do grupo de risco.

A estratégia digital, capitaneada pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), começa a dar resultado, segundo o monitoramento da empresa AP Exata, que faz uma análise diária da avaliação de Bolsonaro nas redes sociais. Os dados apontam que, dois dias após o pronunciamento, Bolsonaro começou a recuperar sua imagem e o grau de confiança nele voltou a aumentar após.

O volume de menções negativas ainda são maiores que as positivas. Nesta quinta, 57% das publicações são críticas a Bolsonaro. No dia anterior, foram 61%. Segundo relatório da AP Exata, a confirmação da tendência de melhora no desempenho de Bolsonaro na redes dependerá da evolução da pandemia da covid-19 no Brasil. "Os internautas têm sido muito sensíveis aos acontecimentos relacionados ao coronavírus, no que diz respeito ao apoio e à rejeição às lideranças políticas", observa o diretor da AP Exata, Sergio Denicoli.

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Estadão
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