Condenado pela morte de Bernardo, Leandro Boldrini é selecionado para residência médica
O Husm afirmou que, caso não haja impedimento legal, os candidatos aprovados podem ser selecionados.
Leandro Boldrini, condenado a 31 anos e oito meses de prisão pelo falecimento de seu filho Bernardo, foi escolhido para participar do Programa de Residência Médica em Cirurgia do Trauma no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). O resultado foi divulgado em um edital adicional na última terça-feira (12). Embora a confirmação da vaga de Boldrini devesse ser feita até quarta-feira (13), ainda não há informações sobre sua participação no programa. Ao ser contatado pelo Diário, um dos advogados de Boldrini, Ezequiel Vetoretti, declarou que não se envolve em questões pessoais do cliente. Atualmente, Boldrini cumpre pena no regime semiaberto na Penitenciária Regional de Santa Maria, o que lhe permite trabalhar durante o dia e retornar à prisão apenas para dormir e nos finais de semana.
O Husm afirmou que, caso não haja impedimento legal, os candidatos aprovados podem ser selecionados. Em relação a Boldrini, apesar da condenação, não há restrições quanto à prática da medicina, pois em novembro de 2023, ele foi absolvido por unanimidade em um processo disciplinar realizado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), em Porto Alegre. A investigação interna concluiu que Boldrini não violou nenhum código de ética médica.
Em janeiro deste ano, Boldrini também participou da seleção para o Programa de Residência Médica em Coloproctologia no Husm, ficando em quarto lugar, mas havia apenas uma vaga disponível.
Nota do Husm:
"O Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM/Ebserh) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) atuam primando pela democracia, legalidade e transparência. Todos os processos seletivos e concursos são públicos e, não havendo impedimento legal, todos residentes e profissionais selecionados respeitam a ordem de classificação. O caso do processo seletivo para Residência Médica (RM) atende a legislação da Comissão Nacional de Residência Médica, inclusive para publicação dos seus editais. Todos os candidatos que se adéquam às exigências, estão aptos à inscrição, realização das provas e, quando aprovados, à confirmação da vaga".
Relembrando o Caso:
Bernardo Boldrini desapareceu aos 11 anos em Três Passos, em 4 de abril de 2014. Ele residia com o pai, a madrasta e uma meia-irmã de um ano. O corpo de Bernardo foi descoberto dez dias depois, enterrado em uma cova às margens do rio Mico, em Frederico Westphalen. A criança foi supostamente drogada e morta antes de ser enterrada em um saco plástico.
No mesmo dia, o pai e a madrasta da criança, Graciele Ugulini, foram detidos, suspeitos de serem, respectivamente, o mentor intelectual e a executora do crime. Graciele contou com a colaboração de sua amiga, Edelvania Wirganovicz. Poucos dias depois, Evandro Wirganovicz foi preso sob suspeita de preparar a cova onde o menino foi enterrado.
Situação Atual dos Réus:
Leandro Boldrini cumpre pena no regime semiaberto na Penitenciária Regional de Santa Maria.
Graciele Ugulini está no regime fechado na Penitenciária Estadual Feminina Madre Pelletier, mas pretende solicitar, ainda este ano, transferência para o regime semiaberto, que permite saídas diárias para trabalho.
Edelvânia Wirganovicz está em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico no regime semiaberto.
Evandro Wirganovicz já cumpriu sua pena de prisão, que foi extinta em 23 de janeiro de 2024.
Com informações: Diário de Santa Maria