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Coco Chanel: o legado vivo da estilista 50 anos após sua morte

Maior nome de sua área no século 20, francesa mudou o guarda-roupa feminino, revolucionou paradigmas e continua ditando moda até hoje

9 jan 2021 05h10
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Gabrielle Bonheur Chanel nasceu em Saumur, na França, em 1883, e se tornou conhecida como Coco Chanel, a estilista mais influente do século 20. O legado da francesa para a moda continua vivo ainda hoje quando, neste domingo, 10, completam-se 50 anos de sua morte.

Com suas criações, mademoiselle Chanel libertou a mulher dos espartilhos tradicionais na Belle Époque e trouxe praticidade para o guarda-roupa feminino. "Ela não se convencia com esse visual que tolhia o comportamento, o movimento feminino. Chanel foi uma mulher com um pensamento de vanguarda em relação ao seu próprio tempo. Ela não seguia um zeitgeist, ela definia um novo espírito do tempo, uma nova proposta. Ela preconizava, nessa anti visão, essa nova mulher", afirma João Braga, professor de História da Moda da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

"Um mundo ia acabar, outro ia nascer (...) Exigia simplicidade, conforto, pureza. Eu ofereci tudo isso", avaliou Coco sobre o início de sua carreira. Ela começou comprando chapéus em magazines e os customizando. Inspirada na moda masculina, a estilista tirava todos os excessos das peças. "Com seu ponto de vista estético, ela trazia essa ideia de purismo", diz Braga.

Antes de Chanel, o tweed era usado tradicionalmente pelos homens ingleses. A francesa usou o tecido, que ainda é uma assinatura da grife, para confeccionar e difundir o tailleur (composição de casaco e saia feitos do mesmo material). Até mesmo a ideia de uma mulher trocar o vestido por uma combinação de duas peças era inovadora para a época. Já os uniformes dos marinheiros inspiraram Coco Chanel a produzir calças pantalonas e roupas listradas para as mulheres.

A libertação buscada por Chanel também se materializou no modelo de bolsa 2.55, lançado em fevereiro de 1955. O acessório quebrou os paradigmas dos códigos de vestimenta feminina da época, pois podia ser usado pendurado no ombro. Ela desenhou a peça pois estava "cansada de segurar as bolsas e perdê-las".

Chanel também incluiu as pérolas falsas, as bijuterias e as correntes douradas entre os acessórios femininos. A designer chegou a desenvolver joias que misturavam pedras preciosas com vidro. Essa inovação é justificada pela origem modesta de Gabrielle, que foi deixada pelo pai em um orfanato aos 12 anos, quando sua mãe morreu de tuberculose. Vem do uniforme que usava nesse ambiente austero a referência para Chanel criar o "The Little Black Dress", o vestidinho preto. A peça até hoje é uma protagonista no guarda-roupa feminino. "Acho ótimo que no Brasil a gente é tão intenso que não falamos 'vestido pretinho', falamos 'pretinho básico', acrescentamos o adjetivo básico", brinca Braga. "Ela via no purismo da forma do vestido e na cor preta um curinga. Dizia que o 'pretinho' podia ser usado tanto na festa quanto no velório", afirma o professor de História da Moda. A estilista francesa fez sua criação simbólica em malha comum e ainda "decapitou o vestido, eliminou golas, tirou, apagou todos os contrafortes decorativos", escreveu o historiador de moda Olivier Saillard. A escolha do tom preto para essa peça também foi influenciada pelo luto que Coco vivia pela morte de Boy Capel, seu grande amor.

Chanel também se tornou sinônimo do corte de cabelo reto na altura das orelhas ou do queixo. Foi uma das primeiras mulheres célebres a usar cabelo curto, porque "se não, o cabelo me incomoda", dizia. Outro marco da estilista foi alcançado em 1921 com o lançamento do perfume Nº 5, que se tornou o mais vendido do mundo. O trabalho visionário de Coco Chanel entrou para a história e foi retratado em livros. A Era Chanel, de Edmonde Charles-Roux, reúne cerca de quatrocentas fotografias, retratos e desenhos. Já a obra Chanel, de François Baudot, é composta pelo volumes: Chanel Fashion, Chanel Jewelry e Chanel Perfume. Chanel Seu Estilo e Sua Vida, de Janet Wallach, traz fotos e ilustrações para traçar uma biografia.

Já o livro Dormindo com o Inimigo, publicado em 2011, retrata uma parte mais sombria da vida de Gabrielle. O jornalista americano Hal Vaughan relata que Chanel foi recrutada em 1940 como agente secreta do regime nazista. Ela também é apontada como uma "anticomunista feroz" e uma "antissemita convicta". O grupo Chanel negou que a criadora da grife fosse antissemita, porém admitiu que seu papel durante a Segunda Guerra Mundial retém "um pouco de mistério".

A trajetória pessoal de Coco e seus romances foram mais explorados em filmes como Coco Antes de Chanel e Coco Chanel e Igor Stravinski. / COM AFP

Estadão
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