Em português, com camisa 10 e perreo: Bad Bunny estreia no Brasil em noite histórica
Astro porto-riquenho se emocionou ao ver o Allianz Parque lotado, celebrou a união latino-americana e entregou um espetáculo
"Estou muito feliz de finalmente realizar meu sonho de visitar o Brasil. Obrigado por isso". Foi em português -- com pausa para respirar e olhos marejados -- que Bad Bunny abriu seu primeiro encontro com o público brasileiro, na noite de sexta-feira, 20, em São Paulo. Antes mesmo da primeira música, o artista precisou de longos segundos para se recompor diante do impacto visual: um estádio completamente tomado por fãs que cantavam seu nome em coro pela primeira vez.
- Siga o @_centralsonora, um espaço onde fãs e fandoms se encontram
A cena deu o tom de uma apresentação que alternou momentos de intimidade e festa. O show começou com um vídeo de dois jovens brasileiros anunciando sua chegada -- cena que só foi reproduzida em espanhol desde o início da turnê. Do escuro, o cantor surgiu sob aplausos.
"Eu não sabia o que esperar. Não sabia que teria tanta gente linda", disse Benito Antonio Martínez Ocasio durante o primeiro ato, arrancando gritos.
Uma festa latina
No auge da carreira, o artista trouxe ao país a estrutura completa de sua turnê, baseada no álbum Debí Tirar Más Fotos (DtMF). Ao longo da noite, dividiu sua atenção entre todos os setores do estádio, da área frontal à "Los Vecinos", atrás do palco, e até a "Casita", estrutura montada no fundo da pista onde realizou parte do show.
Em Baile Inolvidable, músicos ao vivo transformaram a pista em salão, com casais improvisando passos de salsa entre a plateia. Na Casita, a apresentação ganhou clima de festa de bairro. O cantor desceu do palco e levou vários minutos para escolher um fã que faria a introdução de Voy a Llevarte a PR. Quando o escolhido finalmente conseguiu gritar o verso inicial, a reação foi explosiva -- a plateia toda gritou no mesmo idioma.
Fez diversas homenagens ao Brasil, vestiu camisa 10, falou em português em muitos momentos e ressaltou: "Esse show é a união do Brasil com o Porto Rico e com a América Latina". Somos isolados dos nossos hermanos, mas Benito fez questão de mostrar ao longo do seu álbum de maior sucesso, DtMF, e da turnê do mesmo trabalho, que somos família.
Durante a noite, a banda ainda executou uma versão de Mas, Que Nada, de Jorge Ben Jor, enquanto o cantor retornava ao palco principal. "Só por hoje, nós somos brasileiros e vocês são porto-riquenhos", brincou o artista.
A apresentação trouxe uma sequência de hits capazes de agradar tanto seguidores antigos quanto novos fãs, muitos atraídos depois que viram Benito subir ao palco do Grammy para receber o prêmio de melhor álbum do ano ainda neste mês. O ápice veio com DtMF. O estádio, cheio de jovens adultos, pulou com o Benito -- inclusive com menos celulares em mãos, para aproveitar o momento como o artista pediu.
Mas a despedida não teve tom melancólico, teve energia. O encerramento foi marcado pelo perreo de EoO -- descrito por um fã como "cachorrada".
Na saída, inglês, espanhol e português se misturaram para elogiar a experiência. A estreia deixou uma impressão positiva, elevou as expectativas para as próximas visitas internacionais e estreitou os laços familiares com os hermanos.