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Cientistas brasileiros criam tecnologia para detecção rápida de metanol em bebidas

Os resultados obtidos demonstram a alta eficácia da solução: ela é capaz de entregar resultados em apenas minutos, alcançando até 97,3% de precisão na detecção de adulterações

4 out 2025 - 13h56
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Diante dos recentes casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas, registrados em estados como Pernambuco, São Paulo e no Distrito Federal, pesquisadores da Paraíba desenvolveram uma tecnologia que promete ser uma resposta eficaz na segurança do consumidor.

Os pesquisadores já expandiram o escopo da pesquisa para o desenvolvimento de sistemas capazes de identificar e quantificar múltiplos tipos de adulterantes
Os pesquisadores já expandiram o escopo da pesquisa para o desenvolvimento de sistemas capazes de identificar e quantificar múltiplos tipos de adulterantes
Foto: Governo da Paraíba / Perfil Brasil

Uma plataforma analítica integrada, fruto da colaboração entre a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), oferece um método rápido, preciso e ecologicamente correto para identificar metanol e diversas outras fraudes em bebidas.

A tecnologia se baseia na utilização da Espectroscopia de Infravermelho Próximo (NIR) e Infravermelho Médio (MIR), combinada com técnicas de modelagem quimiométrica. Essa abordagem dispensa o uso de reagentes químicos, o que a torna mais sustentável e contribui para a redução de custos operacionais.

Os resultados obtidos demonstram a alta eficácia da solução: ela é capaz de entregar resultados em apenas minutos, alcançando até 97,3% de precisão na detecção de adulterações. Além disso, o sistema apresenta alta confiabilidade na medição do teor alcoólico, com um erro baixo (cerca de 1,8% v/v), e um alto nível de rastreabilidade de origem (100% de especificidade com NIR e 98,4% com MIR).

A pesquisa, que já dura aproximadamente dois anos, é coordenada pelo professor David Douglas (PPGQ-UEPB) e conta com a participação de diversos outros especialistas, incluindo os professores Railson de Oliveira Ramos e Germano Veras (PPGQ-UEPB), Felix Brito (PPGCA-UEPB), além de colaborações com as professoras Taliana Kênia A. Bezerra (UFPB), Noemi Nagata (UTFPR) e Tatiane Luiza Cadorin Oldoni (UFPR).

O projeto foi aprovado no Edital 006/2020 - PDCTR-PB 2020 e recebeu um total de R$ 40 mil em fomento da Fapesq (R$ 20 mil em cada um dos dois projetos aprovados). De acordo com o pesquisador Railson Ramos, o apoio da Fapesq foi fundamental, não apenas financeiramente, mas também para possibilitar a prototipagem, o treinamento de estudantes, a integração entre a universidade, o setor produtivo e a fiscalização, e a criação de protocolos que elevam o padrão tecnológico da cadeia produtiva, garantindo conformidade sanitária e rastreabilidade.

O papel do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que custeou bolsas de estudo, e da UEPB, que forneceu a infraestrutura laboratorial, também foi destacado como essencial para a continuidade da pesquisa e a formação de recursos humanos qualificados.

Atualmente, a equipe trabalha na fase de finalização de instrumentos portáteis de baixo custo, baseados em espectroscopia NIR e imagens digitais, que poderão ser utilizados em campo, nas linhas de produção e em ações de fiscalização, identificando adulterações em poucos segundos.

Os pesquisadores já expandiram o escopo da pesquisa para o desenvolvimento de sistemas capazes de identificar e quantificar múltiplos tipos de adulterantes. O grupo avança agora para uma nova fase, focada em sistemas sensoriais híbridos, como narizes e línguas eletrônicas, que estão sendo desenvolvidos no Laboratório de Instrumentação Industrial da UEPB (LINS-UEPB), em colaboração com a Universidad Nacional del Sur, na Argentina.

Perfil Brasil
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