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Choque e luto na Polônia após ataque de atirador "ultranacionalista"

8 nov 2026 - 15h16
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Resumo
A Polônia declarou luto nacional após um atirador de 24 anos, ligado à extrema direita, matar seis pessoas e ferir 15 em uma praça turística de Cracóvia. O ataque é investigado como terrorismo. O agressor foi baleado e detido pela polícia; seus pais e irmã também foram achados mortos em casa. O massacre, inédito pelo alto número de vítimas armadas no país, reacende o alerta sobre o extremismo violento após recentes ataques com facas em escolas associados à radicalização online.

Homem abriu fogo de dentro de um carro contra praça turística na Cracóvia, matando seis pessoas e ferindo outras 15. Pais e irmã do atirador foram encontrados mortos dentro de casa.A Polônia iniciou neste domingo (08/11) dois dias de luto nacional, após um homem de 24 anos com visões de extrema direita abrir fogo de dentro de um carro contra uma praça central na Cracóvia, matando seis pessoas e ferindo outras 15 antes de ser baleado e ferido pela polícia.

Promotores classificaram o ato como um "crime de terrorismo"
Promotores classificaram o ato como um "crime de terrorismo"
Foto: DW / Deutsche Welle

O ataque, que o ministro polonês da Defesa descreveu como um "ato de terror", ocorreu no sábado na Praça do Mercado Principal (Rynek Glówny), no coração do Centro Histórico de Cracóvia, um dos principais destinos turísticos da segunda maior cidade do país.

O massacre chocou uma nação que se orgulhava de ser mais segura que muitos de seus vizinhos na Europa Ocidental. E aumentou preocupações surgidas na esteira de uma série de ataques a faca em escolas em outubro, que autoridades associaram a conteúdo extremista nas redes.

Na noite de sábado, o entorno da praça ficou repleto de velas deixadas pela população em homenagem às vítimas. O local permaneceu parcialmente fechado no domingo enquanto as autoridades davam continuidade às investigações.

O tradicional toque de trombeta da Basílica de Santa Maria, uma melodia de cinco notas tocada a cada hora da torre mais alta da igreja na praça principal, foi interrompido durante a noite em homenagem às vítimas. Foi a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que a música deixou de ser executada.

Na tarde de domingo, a Igreja de Santa Ana, em Cracóvia, ficou lotada de pessoas que participavam de uma cerimônia em memória das vítimas.

Além das vítimas na praça, autoridades também encontraram os corpos da irmã, da mãe e do pai do agressor na residência da família em uma cidade a cerca de 150 quilômetros dali. Tudo indica que foram mortos por disparo de arma de fogo.

Testemunhas se esconderam em lojas para escapar dos tiros

Testemunha do ataque, a turista Marie-Ange Collaer escreveu em uma rede social que ela e a família se esconderam em uma loja para escapar do atirador.

"Literalmente corremos para salvar nossas vidas e conseguimos nos esconder dos tiros que voavam ao redor", relatou. "Deitados no chão de uma loja, como em um filme policial ruim, enquanto se ouviam disparos por toda parte."

O britânico Neil Thaxton e sua esposa também sobreviveram ao ataque. "Acabávamos de atravessar a praça principal quando ouvimos os tiros", escreveu no Facebook. "Achamos que eram fogos de artifício, mas então as pessoas começaram a correr. Entramos em uma loja de presentes e os funcionários nos levaram para os fundos, trancaram as portas e apagaram as luzes."

Alexandros Maronitis, turista da Grécia, disse à agência de notícias Associated Press que só conseguiu retornar à hospedagem cinco horas após a tragédia.

"Vimos o atirador quando o colocaram na ambulância", afirmou. "Então estamos um pouco assustados. É nossa primeira vez na Polônia. Ouvimos dizer que é um país seguro."

A turista americana Marylin Green, que visitava a Polônia pela primeira vez, lamentou as mortes.

"Sou polonesa, meus pais eram daqui", disse. "Adorei Varsóvia. Por isso estava realmente ansiosa para vir para cá também."

Suspeita de terrorismo

Promotores informaram no domingo que abriram uma investigação por homicídio e tentativa de homicídio de diversas pessoas, incluindo policiais, classificando o ato como um "crime de terrorismo".

Quatro mulheres e dois homens morreram no ataque na praça principal. Três das mulheres e um dos homens eram poloneses, afirmou Krzysztof Jan Kleczar, governador regional da Pequena Polônia (Malopolska). As outras duas vítimas eram um cidadão do Reino Unido e uma mulher da Áustria.

A irmã do suspeito, encontrada morta, era uma jovem artista de 21 anos que cursava o terceiro ano na Academia de Belas Artes de Cracóvia.

Em uma publicação nas redes sociais, o arquiteto Pavko Krajka homenageou-a como "uma pessoa queer, pintora, fotógrafa, poeta e escritora absolutamente talentosa".

Cinco estrangeiros estão entre os feridos. Eles são do Reino Unido, Portugal, Rússia, Alemanha e Áustria.

O suspeito também permanece em estado crítico após passar por múltiplas cirurgias. Houve confusão no sábado sobre sua idade, já que as autoridades inicialmente informaram que ele tinha 24 anos e depois 25. No domingo, confirmaram que tem 24.

Policiais baleados foram socorridos na rua por cirurgiões

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou um policial disparando repetidamente contra o agressor, que estava caído na rua, antes de tombar ele mesmo também momentos depois.

Os dois policiais que detiveram o atirador, em ações classificadas pelas autoridades como heroicas, continuam hospitalizados. Ambos estavam conscientes na tarde de domingo.

"Se não fosse pela intervenção eficiente e altruísta desses dois jovens, o número de vítimas poderia ter sido significativamente maior", afirmou Kleczar.

Michal Pedziwiatr e Mateusz Wierdak, dois cirurgiões locais que faziam uma refeição nas proximidades, também ajudaram.

Wierdak "atendeu o policial que imobilizou o agressor porque ele realmente precisava de ajuda urgente", disse Pedziwiatr ao portal polonês Onet. "Sem proteção, sem luvas, ele simplesmente se concentrou no agente, estancando o sangramento em seu tórax. Isso provavelmente salvou sua vida."

A polícia fez um apelo público por doações de sangue para salvar seus agentes, que foi prontamente respondido pela população. Longas filas se formaram do lado de fora de centros de doação de sangue, a ponto de eles recusarem doadores.

Massacre sem precedentes na Polônia

O ministro do Interior, Marcin Kierwinski, afirmou que o suspeito mantinha visões "muito radicais" e "ultranacionalistas".

"Tudo indica que ele era fascinado por ideologias de extrema direita", declarou Kierwinski durante uma coletiva de imprensa no sábado.

Autoridades informaram ter apreendido sete armas na casa da família do agressor, elevando para 11 o total de armas recolhidas, incluindo quatro encontradas com o suspeito ou em seu carro em Cracóvia. Pai e filho possuíam licença para porte de armas.

Cerca de 411 mil pessoas possuem licenças para armas na Polônia, país com população de 37 milhões de habitantes, e o interesse pela posse de armas vem crescendo.

Ataques em massa são incomuns na Polônia. No entanto, em meados de outubro, ocorreram três ataques em escolas da província central da Mazóvia em apenas quatro dias, deixando uma pessoa morta e muitas feridas, inclusive crianças. Os jovens agressores utilizaram facas e outros objetos cortantes.

Autoridades atribuíram os ataques à "glorificação da violência" na internet e disseram que alguns dos responsáveis eram ativos em ambientes de extrema direita.

O equipamento militar, as armas e a aparência geral do atirador de Cracóvia eram semelhantes aos de outros "lobos solitários da extrema direita" que cometeram atentados pela Europa, afirmou Kacper Rekawek, pesquisador sênior do Centro Internacional de Contraterrorismo, em Haia.

"Já tivemos tentativas antes, mas agora podemos dizer que esse tipo de ataque se tornou bem-sucedido na Polônia", disse ele à Associated Press.

Alguns políticos nacionalistas questionaram o ministro do Interior por ele ter dito que o ataque provavelmente foi inspirado por ideologias de extrema direita.

"Se Kierwinski desinformou o público, ele deve enfrentar as consequências políticas. Exigimos explicações imediatas e acesso à informação em que ele baseou suas declarações", disse via X Przemyslaw Czarnek, líder interino do partido conservador PiS, aliado do presidente Karol Nawrocki.

ra (AP, AFP, Reuters)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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