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Voo com André Mendonça foi cancelado para inspeção após colisão com pássaro; não houve 'sabotagem'

BOATOS E TEORIAS CONSPIRATÓRIAS PROCURAM RELACIONAR INCIDENTE À ATUAÇÃO DO MINISTRO NO CASO MASTER; LATAM AFIRMOU TER FEITO PROCEDIMENTO PADRÃO DE SEGURANÇA

24 mar 2026 - 10h06
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O que estão compartilhando: voo que transportaria o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de Brasília ao Rio de Janeiro teria sido cancelado por possível sabotagem relacionada ao caso do Banco Master. Postagens mencionam ter ocorrido uma "decolagem abortada" em razão de "falha mecânica" no avião, um Airbus A319, descoberta em tempo pela tripulação.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O episódio ocorreu na noite de 19 de março. Tanto o gabinete do ministro quanto a Latam, companhia aérea responsável pelo voo LA3796, afirmaram ao Estadão Verifica que o cancelamento foi preventivo, por razões de segurança. Tratou-se, segundo essas fontes, de um evento de rotina na aviação e sem nenhuma relação direta com Mendonça. É a mesma avaliação de um engenheiro de manutenção aeronáutica consultado pela reportagem.

Segundo a Latam, foi necessário averiguar possíveis danos no aparelho causados por um chamado "bird strike", termo referente à colisão com pássaros, em viagem anterior. Os passageiros foram reacomodados em outros voos. No dia seguinte, Mendonça participou no Rio de um evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Saiba mais: além de Mendonça, outro ministro do STF, Luiz Fux, estava no voo cancelado. O episódio envolvendo dois magistrados da Suprema Corte, sendo Mendonça o relator do caso Master, despertou a corrente desinformativa.

Algumas postagens procuraram associar o incidente ao fato de, no mesmo dia 19, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, ter sido transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após autorização de Mendonça.

Em um dos vídeos analisados pelo Verifica, o autor diz que o avião estava pronto para voar quando o comandante descobriu a "falha mecânica". Diz ainda que o fato acontecer no mesmo dia da transferência de Vorcaro não pode ter sido coincidência. E também cita a morte em acidente aéreo do ministro do STF Teori Zavascki, então relator da Operação Lava Jato, em 2017.

"Teori não teve piloto que viu a tempo. Mendonça teve", diz o responsável pela postagem.

Diferentemente do que propagam teorias conspiratórias, a queda do avião em que viajava Zavascki não foi provocada por sabotagem. Esta hipótese foi descartada por inquérito conduzido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB), que indicou como causas da tragédia falha humana e mau tempo.

O próprio Mendonça foi alvo de uma informação falsa relacionada a um incidente com avião, em setembro de 2025. Como reportaram o Estadão Verifica e o Projeto Comprova, não houve um atentado frustrado contra uma aeronave em que o ministro viajaria. À época, o Supremo também negou que o episódio tivesse ocorrido.

Recentemente, o Verifica mostrou que Mendonça não foi vítima de tentativa de assassinato em razão de sua atuação no caso Master, o que teria ocasionado o reforço de sua equipe de segurança.

Inspeções em aeronaves são rotineiras e podem originar atrasos e cancelamentos de voos

A Latam informou que o voo do dia 19 foi "cancelado de forma preventiva após a necessidade de inspeção técnica" do avião. A equipe havia identificado "possíveis danos causados por bird strike (colisão com ave) em voo anterior da aeronave".

"A decisão ocorreu antes do pushback da aeronave (manobra para início do taxiamento). Não houve falha mecânica nem decolagem abortada", afirmou a companhia aérea.

O gabinete de Mendonça corroborou o esclarecimento da Latam e afirmou que o cancelamento não teve relação com a segurança do magistrado. Classificou o episódio como um incidente técnico "comum" e sem relação direta com o ministro.

O engenheiro de manutenção aeronáutica Lauro Nishiura, coordenador de projetos na Airbus, disse ao Verifica que o episódio nada teve de excepcional. Ele explicou que inspeções são feitas antes de todos os voos.

"Pouca gente sabe que existe uma inspeção que a gente chama de inspeção de trânsito, feita antes de toda decolagem pela equipe de manutenção. É uma inspeção rápida, visual, mas que analisa vários pontos da aeronave. Isso acontece praticamente todos os dias", afirmou.

Nishiura explicou que atrasos podem ocorrer em razão de uma inspeção mais detalhada ou até uma correção necessária. Ele citou como exemplos a troca de uma roda ou de um conjunto de freios.

O engenheiro destacou que inspeções mais detalhadas, como a chamada boroscópica, feita com uma microcâmera dentro do motor, avaliam possíveis danos por colisões de pássaros, como o caso reportado pela Latam.

"É uma situação completamente normal", afirmou.

O especialista destacou que a possibilidade de sabotagem seria quase "impossível".

"Sabotar uma aeronave comercial é algo tão difícil que beira o impossível. É muito difícil que um problema não seja detectado antes da decolagem", afirmou.

Vale ressaltar que colisões com pássaros são comuns na aeronáutica. Entre os anos de 2022 e 2024, as companhias aéreas brasileiras registraram 5.184 colisões de aves com aviões, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Em 2025, houve aumento de 32% das ocorrências do fenômeno conhecido como "bird strike". O estudo apontou que cerca de 100 voos são cancelados anualmente no País por esta razão, gerando impacto direto em 27 mil passageiros.

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Estadão
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