Vídeo em que Moraes defende soberania do Brasil é de fevereiro, antes de taxação anunciada por Trump
FALA DE MINISTRO DO STF APÓS CRÍTICAS DO DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS ESTADOS UNIDOS À JUSTIÇA BRASILEIRA CIRCULA FORA DE CONTEXTO NAS REDES SOCIAIS
O que estão compartilhando: que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu uma resposta aos Estados Unidos dizendo que "deixamos de ser colônia em 7 de setembro de 1822?. Comentários na postagem interpretam que o discurso teria sido feito após o anúncio de Donald Trump de taxação sobre importação de produtos brasileiros.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: está fora de contexto. A fala de Moraes é de 27 de fevereiro deste ano, antes de Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil. O discurso do ministro em defesa da soberania do País e contra o "imperialismo", ocorreu, na época, após o Departamento de Estado dos Estados Unidos criticar multas e bloqueios feitos pela Justiça brasileira contra empresas de tecnologia norte-americanas.
Saiba mais: Por meio da busca reversa, o Verifica localizou que o trecho do vídeo com o discurso de Moraes ocorreu em fevereiro deste ano e foi registrado pela imprensa profissional. Na época, o ministro fez um discurso em defesa da soberania do Brasil. A fala ocorreu durante sessão de julgamentos do STF, em que o magistrado participou por videoconferência.
"Nosso juramento integral de defesa da Constituição brasileira e pela soberania do Brasil, pela independência do Poder Judiciário e pela cidadania de todos os brasileiros e brasileiras", afirmou Moraes. "Deixamos de ser colônia em 7 de setembro de 1822 e com coragem estamos construindo uma república independente e cada vez melhor", complementou.
Em um comunicado divulgado em 26 de fevereiro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos disse que "bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar indivíduos que lá vivem é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão".
Como noticiou o Estadão, embora não tenham sido dirigidas diretamente a Moraes, as críticas foram recebidas no STF como um ataque institucional.
Duas empresas estadunidenses, X e Rumble foram, temporariamente, bloqueadas pelo magistrado do STF - sendo que a última segue removida. A determinação ocorreu porque as plataformas não cumpriram exigências previstas na legislação brasileira para operar no País, como a nomeação de representantes legais no território.
Até a publicação desta checagem, não houve registro na imprensa profissional de uma declaração pública de Moraes sobre as taxas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos.
O que significa a tarifa de 50% de Trump sobre o Brasil? Veja análises de colunistas do 'Estadão'
Trump define tarifa para produtos brasileiros
Nesta quarta-feira, 9, Donald Trump anunciou que itens importados do Brasil sofrerão uma tarifa de 50%, com início a partir de 1º de agosto. Essa foi a alíquota mais alta divulgada a partir de cartas enviadas pelo republicano a diferentes países desde o início desta semana.
Segundo o presidente dos Estados Unidos, a decisão ocorreu principalmente como uma resposta ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a decisões do STF contra as empresas norte-americanas de tecnologia.
"O modo como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado no mundo, é uma desgraça internacional", disse Trump. "Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!", escreveu.
Trump ainda disse que a medida responde aos "ataques insidiosos às eleições livres" e às "ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS" que, segundo ele, vêm sendo emitidas pela Justiça do Brasil contra redes sociais dos EUA, sob ameaça de "multas de milhões de dólares e expulsão do mercado brasileiro".
Após as declarações do presidente norte-americano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à taxação e, por meio de sua redes sociais, afirmou que a resposta do País virá por meio da lei de reciprocidade econômica, aprovada pelo Congresso neste ano.
"O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém", declarou.
Como lidar com posts do tipo: Por ser um tema de grande repercussão, é comum que o assunto seja alvo de desinformação e distorções nas redes sociais. Antes de acreditar, busque por informações confiáveis na imprensa profissional. No caso analisado, também poderíamos verificar que o vídeo está fora de contexto com ajuda da busca reversa de imagens (saiba como fazer aqui).