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É falso que beber 'água solarizada' possa trazer benefícios à saúde

NÃO HÁ EVIDÊNCIA CIENTÍFICA DE QUE ÁGUA EXPOSTA AO SOL POSSA AGIR NA REGULAÇÃO HORMONAL, NEM COMBATER DOR DE CABEÇA OU QUEDA DE CABELO

31 jul 2026 - 15h40
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O que estão compartilhando: que a água exposta algumas horas ao sol, chamada de água "solarizada", traria benefícios à saúde, como regulação hormonal, diminuição da dor de cabeça e da queda de cabelo.

Captura de tela da postagem verificada
Captura de tela da postagem verificada
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

O Estadão Verifica apurou e concluiu que: é falso. Especialistas explicam que não existe evidência científica desses benefícios. A exposição ao sol não adiciona elementos químicos à água que façam bem à saúde e pode trazer riscos. Se água estiver em um recipiente inadequado, ela pode acabar acumulando bactérias e micro-organismos nocivos à saúde.

Saiba mais: O vídeo circula em diversas mídias sociais e, somente no Facebook, acumula 3,8 milhões de visualizações. O vídeo começa com uma pessoa colocando um copo de água ao ar livre. A narração diz que quando a pessoa começa a botar a água no sol e a tomá-la, "a dor de cabeça some, o processo hormonal regula, o cabelo para de cair". Mas isso não é verdade.

Profissionais com especialidade em endocrinologia, patologia clínica e química afirmaram ao Verifica que não existe evidência científica que aponte que a água exposta ao sol possa trazer esses benefícios ao ser ingerida.

"Não há nenhum estudo que prove isso, nem mesmo qualquer mecanismo biológico plausível que possa sugerir a mera hipótese teoricamente", afirma o médico endocrinologista e patologista clínico Pedro Saddi, que é vice-coordenador do Comitê de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

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Saddi acrescenta que não há um sistema em que todos os hormônios interajam entre si. Portanto, falar em regulação hormonal de forma generalizada é um indício de que o tema não está sendo tratado de forma séria.

"Podemos falar em insulina, hormônios da tireoide, hormônios ovarianos... Cada um deles é produzido por uma glândula diferente e está envolvido em diferentes funções. É falso que exista uma única medida capaz de regular todos os hormônios do corpo", resumiu.

O médico endocrinologista Alexandre Hohl classifica a alegação do vídeo como uma "atrocidade científica". Ele cita que, para o bom funcionamento do corpo humano, é necessário haver um equilíbrio (homeostase) do organismo. Isso se atinge com medidas como alimentação saudável, atividade física regular, sono de qualidade, diminuição de níveis de estresse e hidratação.

"A única verdade que tem no vídeo é que água é importante, por hidratar o ser humano. Ponto. Mas não que a água com exposição ao sol seja algo diferente do que uma água sem exposição ao sol. Não há qualquer sentido nisso", disse Hohl, que é diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

Saddi e Hohl explicam que a dor de cabeça e a queda de cabelo podem ser causados por inúmeras circunstâncias que precisam ser investigadas adequadamente, como estresse e deficiências nutricionais.

Colocar água no sol pode trazer riscos à saúde

Professora do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF), Vanessa do Nascimento explica que a exposição da água à radiação do sol não adiciona elementos à bebida. "A composição química (H2O e sais minerais) permanece a mesma", disse a professora.

Vanessa acrescenta que, a depender do recipiente que contém a água, pode haver a degradação do material e consequente migração para a água de substâncias nocivas à saúde.

Hohl reforça que deixar a água exposta ao sol e ao calor por muito tempo em recipientes inadequados pode favorecer o aumento de bactérias e de micro-organismos nocivos à saúde.

Ele dá outro exemplo do risco que a recomendação que circula online pode representar. "Imagina se uma pessoa está com dor de cabeça porque tem um tumor no cérebro e dizem a ela para tomar água 'solarizada'? Olha o risco e a crueldade que há nisso", comentou.

Saddi acrescenta que o vídeo pode passar uma falsa sensação de segurança. "Ao acreditarem em uma alegação falsa como esta, as pessoas podem retardar a ida ao médico e atrasar o diagnóstico correto do problema de saúde pelo qual possam estar passando", afirmou.

Estadão
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