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Cannes Lions: O que os executivos trazem para o País após o festival? Leões, aprendizados e negócios

CEOs, CMOs e outros interlocutores do mercado buscaram soluções e negócios para seus clientes no Brasil

24 jun 2024 - 03h10
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A 71ª edição do Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade chegou oficialmente ao seu fim, com o Brasil encerrando a sua participação no evento trazendo não só uma lista de prêmios, mas também futuros negócios e uma série de aprendizados que devem guiar o mercado doméstico no próximo ano, como contam ao Estadão alguns dos executivos que participaram da semana dedicada ao mercado publicitário na Riviera Francesa.

Além de repetir o resultado de prêmios do ano anterior, nesta edição, as agências e anunciantes do País trazem na mala 92 Leões, entre Grand Prixs, ouros, pratas e bronzes. O Estadão é o representante oficial do Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade há 23 anos no Brasil. "É o maior festival de criatividade e negócios do mundo. Eu fico feliz em mais uma vez ver o País se destacando, encerrando sua participação como o 3º mercado mais premiado. O nosso modelo único no mundo, que une mídia e criação dentro das agências, garante o sucesso de tantos anos do nosso país. Devemos ter muito orgulho do nosso ofício e preservar nosso modelo, que comprovadamente gera negócios, resultados para as empresas e marcas e coloca o Brasil sempre em posição de destaque", afirma a presidente e sócia da Lew'Lara\TBWA, Marcia Esteves.

Brasil não traz de Cannes Lion apenas uma lista de prêmios, mas também futuros negócios e uma série de aprendizados
Brasil não traz de Cannes Lion apenas uma lista de prêmios, mas também futuros negócios e uma série de aprendizados
Foto: Wesley Gonsalves/Estadão / Estadão

CEOs, CMOs e outros interlocutores do mercado, dentro e fora do Palácio dos Festivais - onde as palestras e premiações são realizadas - buscaram soluções e negócios para seus clientes no País, que vão de ferramentas e investimentos para ampliação do uso da inteligência artificial (IA) no setor, ou captação de novos clientes.

Nesta edição, além da movimentação intensa de criativos pelos corredores do evento, as ativações na praia se transformaram em algumas dos compromissos mais procurados pelos visitantes, o que fez com que executivos, em especial, visitassem seus clientes em diversos desses "endereços" gerando um "novo Cannes Lions" dentro da cidade.

A presidente do Publicis Groupe no Brasil, Gabriel Onofre, destaca o espaço fora do Palácio onde o público buscava por mais negócios, como mostrou o Estadão, entre uma palestra e outra, alguns dos executivos embarcavam, literalmente, em alguns iates para fechar novos negócios no meio do mar mediterrâneo.

Segundo a CEO, outro reflexo dessa edição foi a presença de mais anunciantes focados em entender o papel da criatividade na expansão dos negócios. "Este Festival trouxe ainda mais marcas em busca de inspiração sobre a criatividade e foi marcado por uma volta ao essencial, ao poder do humano. Durante o evento, acontecem muitas coisas paralelas. São, na verdade, vários "Cannes": o de clientes, criativos, veículos, agências", afirma a executiva, que complementa. "É um lugar muito bom para fazer networking e gerar negócios. Cada vez mais um evento que não é só para criativos", diz.

Foco na performance

Se durante a pandemia de covid-19 muitas marca migraram o timão da publicidade para o foco no propósito de marca, agora, um dos pontos mais debatidos no evento foi a necessidade de crescer a marca e as vendas junto. Na avaliação do presidente da DPZ, Benjamin Young Junior, neste ano, gigantes do setor estavam preocupados em discutir sobre crescimento dos negócios e como a publicidade para isso. "Avaliando os 34 Grand Prix distribuídos pelas 32 categorias de Cannes esse ano, apenas 2 foram para ONGs, 17 foram para marcas que abraçaram propósitos com suas ideias e 15 Grand Prixs premiados para ideias que estavam concentradas em explorar da melhor maneira seus serviços e produtos," afirma.

Young Junior ainda destaca que, no fim do dia, esse deve propósito deve guiar os negócios criativos no País pelos próximos anos, o que ajudará a manter o ritmo de crescimento da publicidade em todo o globo. "Quem fomenta a nossa indústria são os anunciantes. Temos o poder de usar a nossa criatividade para transformar o mundo, mas é importante fazer isso transformando negócios primeiro. No final, a criatividade de vende é a criatividade que vence."

Mercado mais diverso

No ano em que o Brasil levou o maior número de mulheres presidentes de agências de publicidade para o Cannes Lions, a pauta de diversidade também esteve presente nas mesas de executivos. Para a CEO da VML, Karina RIbeiro, além do tradicional reconhecimento das agências e anunciantes, além dos debates sobre efetividade nas campanhas que conquistam os leões, nesta edição, as discussões sobre equidade de gênero, visibilidade LGBT+ e racismo ganharam mais espaço dentro e fora do Palácio dos Festivais.

"O Cannes Lions é um momento único no ano, no qual temos o reconhecimento de trabalhos que elevam a barra criativa do mercado. É, também e não menos importante, um ambiente aquecido pela presença de agências, clientes, veículos, imprensa e 'big techs' que propicia conversas e anúncios sobre negócios e, de forma ainda tímida, discussões sobre diversidade e cultura de trabalho", afirma.

Um dessas discussões, por exemplo, foi guiada na Riviera Francesa com o grupo de publicitários Ocupa Trans, que levou a sua fundadora Guilhermina de Paula ao festival após receber o apoio do projeto de fomento do Cannes Lions, o Equidade, Representatividade e Acessibilidade (Era), também apoiado por patrocínios de agências como Media.Monks Brasil.

Retail Media em Cannes

Ainda que o Cannes Lions seja, tradicionalmente, um evento voltado à criatividade, os temas de tecnologia e efetividade nos negócios também dominaram as principais conversas dos executivos pelo Boulevard da La Croisette. Ainda que a Inteligência Artificial Generativa estivesse presente em muitos dos painéis, outra ferramenta que ganhou notoriedade nesta edição foram as plataformas de retail media, apresentadas por gigantes do setor de e-commerce a alguns nomes do mercado.

A exemplo, o Mercado Livre montou uma caravana de executivos das marcas parceiras do matketplace argentino para explicar sobre como a sua plataforma pode ser usada para expandir os resultados de venda e também entregar resultados através da criatividade. Segundo o líder da vertical de Ads no Brasil, Mario Meirelles, a ideia era trazer alguns dos clientes para dentro do festival e mostrar como o serviço aos executivos.

Para além de vendas e ranquemento de produtos, foco inicial do retail media, Meirelles conta que o convite às marcas parceiras também serviu para mostrar o potencial da plataforma de vendas como espaço para impulsionar as campanhas criativas. "Se eu não trago criatividade para dentro da plataforma, se eu não trago esse valor para o cliente, o público vai sair do nosso sistema. A criatividade dentro do retail tem um valor imenso para nossos planos", diz.

Estadão
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