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SP: ciclista que perdeu o braço se emociona ao rever jovem que o salvou

David Santos Sousa disse que perdoa o estudante que o atropelou, mas quer "justiça severa"

26 mar 2013
16h20
atualizado às 21h34
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O limpador de vidros David Santos Sousa, 21 anos, que teve o braço amputado ao ser atropelado quando andava de bicicleta na avenida Paulista, no centro de São Paulo, se emocionou ao encontrar pela primeira vez os dois homens que o socorreram antes do resgate chegar, no dia do acidente. Thiago Chagas dos Santos, 26 anos, e Agenor Pereira Junior, 41 anos, voltavam a pé de uma festa na região quando se depararam com David ferido no chão - o atropelador fugiu sem prestar socorro. Técnico em enfermagem, Thiago conseguiu estancar o sangramento no que sobrou do braço, e reanimou a vítima com massagem cardíaca e respiração boca-a-boca.

<p>David se emocionou ao reencontrar Agenor e o técnico de enfermagem Thiago Chagas dos Santos, que prestou os primeiros socorros ao ciclista</p>
David se emocionou ao reencontrar Agenor e o técnico de enfermagem Thiago Chagas dos Santos, que prestou os primeiros socorros ao ciclista
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

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"Eu estava morto no chão. Se não fosse o Thiago, eu estaria morto. Se fosse depender do Alex (o motorista que o atropelou), eu não estaria aqui hoje", disse o ciclista, em entrevista coletiva concedida no escritório do advogado dele, Ademar Gomes, na zona oeste. "Vocês salvaram a minha vida. Vocês salvaram a minha vida", disse David aos dois, ao reencontrá-los.  

David deixou o Hospital das Clínicas no último sábado, cerca de duas semanas após ser atropelado pelo estudante Alex Siwek, 23 anos, que fugiu do local do acidente sem prestar socorro. O motorista ainda jogou o braço arrancado da vítima em um córrego e, horas depois, se entregou à polícia. Ele foi preso preventivamente após exames comprovarem ingestão de álcool no dia do ocorrido, mas foi solto na última quinta-feira.

Em entrevista, tanto David quanto a mãe dele, Antonia Ferreira dos Santos, reafirmaram que perdoam Alex, mas lamentaram o fato de o estudante ainda não tê-los procurado. "O sentimento que eu tenho é de pena dele, pois ele não teve a mesma formação que eu tive, de respeitar o ser humano. Eu perdoo ele sim, mas pra eu ficar tranquilo", afirmou David.

O ciclista e a mãe disseram ainda que esperam que o motorista pague pelas despesas médicas que tiveram, e agradeceram a oferta de várias empresas que se propuseram a pagar por uma prótese para ele. "Seria bom ele tentar remendar, já que ele não fez a parte dele quando o acidente aconteceu", completou David, que disse que terá de aguardar até setembro para começar a fazer fisioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o advogado Ademar Gomes, a família ainda pedirá uma indenização por danos morais e materiais, mas o valor pedido ainda está sendo estudado. Ele disse ainda que insistirá para que o caso vá ao Tribunal do Júri, pois considera que houve uma tentativa de homicídio com dolo eventual (quando a pessoa assume o risco), e não apenas uma lesão corporal gravíssima, conforme entendimento da Justiça.

Recomeço
David ainda não sabe quando poderá utilizar uma prótese no braço direito, pois ainda se recupera do ferimento. Ele, entretanto, disse estar animado com o futuro e afirmou que não se deixará abater ou "ficar em depressão".

"Meu foco é continuar a minha vida como era antes e voltar a trabalhar. (...) Muita gente estava torcendo para eu me recuperar, e eu vou me abater? Não faz sentido",  afirmou o jovem, que diz ter o desejo de fazer um curso de segurança do trabalho assim que se recuperar.

David ainda disse que pretende fundar uma associação de amparo às vítimas de acidentes no trânsito, com foco em ciclistas e pedestres, para buscar justiça nos casos em que os responsáveis pelos acidentes estavam comprovadamente embriagados. "A minha cabeça mudou totalmente. Vou viver a vida de outra forma, (...) mas ainda tenho muito para viver", declarou.

O acidente
David ia de bicicleta para o trabalho na madrugada de 10 de março quando foi atropelado por Alex e teve parte de seu braço amputado. Após o acidente, o universitário fugiu do local sem prestar socorro à vítima, com o braço do limpador de vidros dentro de seu carro. Ele ainda jogou o membro em um córrego próximo à avenida Doutor Ricardo Jafet. 

Depois de se entregar à polícia, o estudante se negou a fazer exame de bafômetro, de sangue e urina, e só realizou o exame clínico no Instituto Médico Legal (IML) às 11h21, mais de cinco horas depois do acidente. 

Testemunhas disseram que Alex apresentava sinais de embriaguez, e que ele dirigia em alta velocidade pela avenida Paulista, cortando os outros veículos, antes de atropelar David.

Fonte: Terra
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