Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Trânsito

Proibição de circulação de vans deixa trânsito caótico no RJ

Trinta linhas com 600 veículos não podem circular na zona sul, deixando de atender 100 mil pessoas

15 abr 2013 - 11h16
(atualizado às 12h17)
Compartilhar
Exibir comentários
Vans são proibidas de circular em 11 bairros da zona sul do Rio de Janeiro
Vans são proibidas de circular em 11 bairros da zona sul do Rio de Janeiro
Foto: Daniel Ramalho / Terra

"Entendo a medida, mas quem vai explicar para o meu patrão essa hora de atraso?", reclamava a empregada doméstica Adriana Souza, cansada e apressada, após enfrentar quase duas horas para chegar da comunidade da Rocinha até o prédio onde trabalha em Copacabana na manhã desta segunda-feira. Assim como ela, diversas pessoas tiveram problemas diante do trânsito caótico que se formou no Rio de Janeiro no primeiro dia da proibição da circulação de vans por 11 bairros da zona sul da capital fluminense. 

A CET-Rio, com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, montou 24 pontos de fiscalização, muito embora a maioria dos proprietários impedidos de circular pela região não tenha se arriscado a ter o veículo apreendido. De acordo com a secretaria municipal de Transportes, 17 vans e cinco micro-ônibus haviam sido apreendidos por irregularidades até o final da manhã.  

De acordo com o sindicato da categoria (Sindivans), a medida que vale a partir desta segunda-feira impediu que 30 linhas com 600 veículos circulassem para atender 100 mil pessoas pelos bairros de Botafogo, Humaitá, Urca, Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea e São Conrado. Nesses dois últimos bairros, poderão seguir operando as vans que têm autorização para as regiões das favelas da Rocinha e do Vidigal.

No início do dia, cerca de 100 motoristas de vans da Rocinha chegaram a bloquear por alguns minutos uma das faixas de acesso ao túnel Lagoa-Barra. Eles caminharam posteriormente até a orla do Leblon, na zona sul, para seguir com a manifestação, acompanhada de perto pela Guarda Municipal e agentes da CET-Rio. 

"Olha essa bagunça, espero que não fique assim todos os dias, porque se não a coisa vai complicar”, afirmou o eletricista Vanderson Antunes, no ponto de ônibus lotado da estação Siqueira Campos. Diversos pontos, aliás, ficaram desta forma nesta manhã, complicando o início da semana de quem tinha horário certo para chegar ao trabalho. “Estou há 30 minutos tentando entrar e não consigo”, reclamou a comerciante Dioná Lima. 

Reforço

Em nota, a prefeitura informou que os consórcios operadores do transporte coletivo no Rio reforçaram a frota com 400 ônibus. Segundo o comunicado, ao todo 130 linhas e seis serviços circulam na área proibida às vans, com uma frota de 1.550 ônibus e uma demanda mensal de 15,5 milhões de passageiros.

De acordo com a prefeitura, os consórcios estão preparados para absorver os motoristas que desejam continuar na profissão e disponibilizou um canal para envio de currículo no site da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). O Rio Ônibus estima que, para cada ônibus urbano, sejam criados em média pouco mais de cinco empregos.

Congestionamentos

O trânsito normalmente já complicado da Barra da Tijuca para a zona sul ficou ainda pior, com grandes congestionamentos até a área do aeroporto Santos Dumont. O Terra embarcou num coletivo de Copacabana até a região da avenida Rio Branco e o trajeto, que normalmente dura 20 minutos, levou quase 50 minutos. 

A determinação do prefeito Eduardo Paes foi publicada na última quinta-feira, poucas semanas depois que uma turista americana sofreu um estupro coletivo depois de pegar uma van em Copacabana. O namorado francês dela foi espancado. Logo após o crime, a prefeitura já tinha proibido que as vans e kombis da cidade transitem com películas negras nos vidros, que impedem a visão do interior do veículo.

Segundo o prefeito, o episódio apressou a proibição da circulação em 11 bairros da zona sul, que já seria tomada. O prefeito argumentou que a zona sul não carece de transporte alternativo, por ter uma boa capilaridade nos sistemas de ônibus e metrô. Ainda assim, a prefeitura pediu que as empresas de ônibus reforcem a frota a partir de hoje.

Foi solicitado ainda ao Metrô Rio que a Linha 1, que liga a zona sul à Tijuca, na zona norte, tenha sua capacidade de circulação. De acordo com Paes, o centro será a próxima região da cidade que terá fortes restrições à circulação de vans. Ainda não há previsão de quando a medida será implementada.

"Tirando duas linhas, que estão sendo licitadas e vão ligar basicamente o Vidigal ao Jardim de Alah e a Rocinha ao Jardim de Alah, não haverá mais nenhum lugar na zona sul em que será permitida a circulação de vans. Aliás, no centro também será assim. São regiões que não precisam de transporte complementar, pois já contam com metrô, ônibus e táxis. O objetivo da van é ser complementar a uma rede de transporte, devemos colocá-la onde a dificuldade de acesso à rede de transporte é grande, como em alguns sub-bairros das zonas norte e oeste", afirmou o prefeito, na semana passada.

Aproximadamente 6 mil vans e kombis regularizadas circulam pela capital fluminense. Estima-se que haja um mesmo número operando de forma ilegal. O sindicato que contempla os representantes do sistema de transporte alternativo no Rio anunciou que vai contestar a medida da prefeitura na Justiça.

Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade