A greve dos caminhoneiros, entre os últimos dias 1º e 4, resultou em 92 interdições em rodovias federais e estaduais em dez Estados, segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Vinte e sete pessoas foram presas durantes as manifestações. No Rio Grande do Sul, um dos Estados mais atingidos pelas paralisações, a PRF contabilizou 35 bloqueios em sete rodovias, como a BR-101, a BR-116 e a BR-392.
A assessoria da PRF do Rio Grande do Sul informou que 50 caminhões e duas viaturas da polícia rodoviária foram apedrejados e dez manifestantes foram presos por desobediência e formação de quadrilha. Um caminhoneiro de 44 anos foi morto na noite de quarta-feira ao ser atingido por uma pedra que atravessou o para-brisa do veículo, depois de passar por um bloqueio na BR-116, na altura do município de Cristal.
Em Minas Gerais, de acordo com a assessoria de imprensa da PRF, ocorreram 17 interdições nas BRs 381, 040, 116 e 251, sem registro de prisões de manifestantes. A categoria reivindica redução nos custos dos transportes, com subsídio no preço do óleo diesel, isenção do pagamento de pedágios para caminhões e a criação da Secretaria do Transporte Rodoviário de Cargas, vinculada à Presidência da República. Os caminhoneiros também pleiteiam a votação e sanção do projeto de lei que modifica a Lei 12.619/12 (Lei do Motorista).
2 de julho - Manifestantes em protesto bloqueiam e queimam ônibus na BR-040 na altura da cidade de Ribeirão das Neves (MG)
Foto: Flávio Tavares / Hoje em Dia / Futura Press
2 de julho - Caminhoneiros em protesto bloqueiam a pista do km 359 da BR-381 na altura da cidade de João Monlevade (MG), nesta terça-feira
Foto: Alex de Jesus / O Tempo / Futura Press
2 de julho - Caminhoneiros em protesto bloqueiam a pista do km 513 da BR-381 na altura da cidade de Igarapé (MG), nesta terça-feira
Foto: Alex de Jesus / O Tempo / Futura Press
2 de julho - Manifestantes protestam contra o preço dos combustíveis durante bloqueio na BR-040, no trecho entre Juiz de Fora e Matias Barbosa próximo a divisa com o Rio de Janeiro
Foto: Ângelo Savastano / vc repórter
1º de julho - Dez rodovias mineiras estão interditadas parcial ou totalmente na tarde desta segunda-feira por conta do protesto dos caminhoneiros que reclamam do aumento do litro do óleo diesel, além de outras reivindicações
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - No trevo de Manhuaçu, entroncamento das BRs 116 e 262, região leste de Minas Gerais, o bloqueio total é engrossado por cafeicultores que reclamam, segundo eles, por melhores preços da saca do café
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Segundo a Polícia Rodoviária Federal, nos outros pontos interditados há congestionamentos e apenas os carros de passeio e ônibus passam, utilizando apenas uma das pistas
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - De acordo com o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Cargas de Minas Gerais (Sinditac), os protestos são por redução de impostos sobre o óleo diesel, mais segurança nas estradas e melhoria da infraestrutura viária
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - A paralisação pegou a maioria dos motoristas de surpresa
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - "É válido, mas parar a gente aqui não resolve. Deveria parar era lá em Belo Horizonte e parar políticos, eles quem deveriam ser prejudicados. Agora, parar aqui, onde não tem nada para comer nem beber, não concordo", reclamou o caminhoneiro Aloísio Forlan (de branco)
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - O representante comercial Haddad Silva planejava chegar em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, em duas horas e meia de viagem: "Não vai dar mais, o congestionamento está grande, o jeito é ler um jornal ou procurar outra coisa para passar o tempo", reclamou
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Foi o que fez a estudante de psicologia Leticia de Fátima, que desceu do carro onde viajava com a família e levou o cão para passear: "Vamos para Juiz de Fora e está tudo parado, sol forte. Pelo menos deu para levá-lo para fazer um xixi," disse
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - "Eu ainda não abasteci em Minas Gerais, sou de Goiás, mas quando eu for abastecer sei que vou gastar R$ 100 a mais do que vinha gastando. Não tem condições, não. Tem que parar mesmo," concordou Roni Faria, também caminhoneiro
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Motoristas parados em congestionamento em função de protestos
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Motoristas parados em congestionamento em função de protestos
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Motoristas parados em congestionamento em função de protestos
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Motoristas parados em congestionamento em função de protestos
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Motoristas parados em congestionamento em função de protestos
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Motoristas parados em congestionamento em função de protestos
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
1º de julho - Manifestantes bloquearam a LMG-808 na altura do bairro Tupã, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte
Foto: Gilerth Mariano / vc repórter
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Na quarta-feira, uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que altera a Lei do Motorista. Pela proposta, o motorista pode dirigir durante seis horas consecutivas. A legislação atual obriga o motorista a fazer uma pausa de, pelo menos, 30 minutos a cada quatro horas na direção.
4 de julho - A morte de quatro pessoas que estavam numa van e seguiam viagem na BR-116, num trecho próximo a Cândido Sales (BA), foi o estopim para acabar, nesta quinta-feira, com a manifestação dos caminhoneiros na rodovia
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
4 de julho - "Depois das mortes, tivemos de parar a manifestação, pois ficou sem clima. Mas vamos ver mais pra frente o que ocorre", disse o caminhoneiro Miguel Lima da Silva, 39 anos
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
4 de julho - No trecho entre Vitória da Conquista (BA) e a divisa com Minas Gerais, havia, segundo a Polícia Rodoviária Federal, cerca de 4 mil carretas e caminhões parados, em meia pista ou no acostamento
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
4 de julho - Protesto aconteceu também na cidade mineira de Divisa Alegre, a cerca de 40 quilômetros de Cândido Sales, na Bahia
Foto: Helio Antunes / vc repórter
4 de julho - Protesto aconteceu também em Divisa Alegre, a cerca de 40 quilômetros de Cândido Sales, na Bahia
Foto: Helio Antunes / vc repórter
3 de julho - Caminhoneiros estão parados nas proximidades de Cândidos Sales, na Bahia, em manifestação desde a segunda-feira
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
3 de julho - Os vidros de alguns caminhões foram pintados com mensagens como "Fora Dilma" e "Injustiça"
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
3 de julho - Cerca de 400 caminhoneiros estavam parados num posto às margens da BR-116 em Cândido Sales, na Bahia
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
3 de julho - Caminhoneiros parados na BR-116 em Cândido Sales, na Bahia, protestam por melhores condições de trabalho e redução no preço do combustível
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
3 de julho - A Polícia Rodoviária Federal calculou cerca de 4 mil caminhões parados em diversos pontos e no acostamento da BR-116 em Cândido Sales, na Bahia
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
2 de julho - Ao menos oito Estados brasileiros têm rodovias bloqueadas nesta terça-feira devido a protestos de caminhoneiros, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF)
Foto: Alexandre Abrao Izar / vc repórter
2 de julho - As manifestações ocorrem na Bahia, em Minas Gerais e no Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo
Foto: Alexandre Abrao Izar / vc repórter
2 de julho - Na Bahia, os manifestantes bloqueiam totalmente a BR-116, em Cândido Sales, no quilômetro 910 e no quilômetro 900
Foto: Alexrandre Abrao Izar / vc repórter
2 de julho - Nas proximidades de Candido Sales, segundo motoristas, o congestionamento supera 30 quilômetros
Foto: Alexandre Abrao Izar / vc repórter
2 de julho - Em Minas Gerais, muitos caminhoneiros também ocuparam o pátio de um posto de gasolina da BR-116
Foto: Helio Antunes / vc repórter
2 de julho - O posto fica em Divisa Alegre, cidade mineira quase na fronteira com a Bahia
Foto: Helio Antunes / vc repórter
2 de julho - O segundo dia de manifestação de caminhoneiros, em nove Estados do Brasil, com pistas bloqueadas por caminhões, chegou a causar congestionamento de cerca de 30 quilômetros na BR-116, próximo a Cândido Sales, na Bahia, na tarde desta terça-feira
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
2 de julho - Os caminhoneiros reclamam também do baixo preço dos fretes, que, segundo eles, os tem deixado no prejuízo, e da falta de segurança nas BRs
Foto: Mário Bittencourt / Especial para Terra
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Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.