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Em protesto, motoristas queimam e depredam ônibus em Manaus

Funcionários de empresa cobraram que a companhia não estaria cumprindo acordos coletivos com os trabalhadores

1 jul 2013
10h11
atualizado às 11h33
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Aproximadamente mil rodoviários entraram em greve na manhã desta segunda-feira em Manaus (AM) e incendiaram e depredaram um ônibus. A Polícia Militar foi acionada para conter os atos de vandalismo e com bombas de efeito moral tentou dispersar os manifestantes, que invadiam o terminal de integração 5, localizado no bairro de São José, zona leste da cidade. O terminal fica a poucos metros da garagem da empresa Global Green.

Em junho, motoristas da Global Green fizeram paralisação de alerta por atraso de pagamentos
Em junho, motoristas da Global Green fizeram paralisação de alerta por atraso de pagamentos
Foto: Márcio Azevedo / Especial para Terra

Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos

Entre os manifestantes estavam motoristas e cobradores da empresa, uma das dez que atuam no transporte coletivo urbano em Manaus. Eles protestaram contra a companhia, que não estaria cumprindo acordos coletivos com os trabalhadores. 

As principais reinvindicações são relativas ao não depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da contribuição de INSS e também devido a constantes desconto ilegais dos trabalhadores, principalmente dos cobradores que em caso de roubo ao coletivo tem o valor descontado, segundo informações do Sindicato dos Rodoviários.

Para o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Manaus (Sinetram), a greve é ilegal.
A Superintendência Municipal de Transportes Públicos (SMTU) estima que aproximadamente 300 mil usuários foram afetados com a paralisação desa manhã. 

 

No início de junho, cerca de 100 motoristas da Global Green fizeram uma paralisação de alerta devido ao atraso no pagamento de uma diferença para motoristas dos ônibus articulados. A greve de hoje acontece no primeiro dia que passa a vigorar o valor da nova tarifa de ônibus, reduzida na última quarta-feira de R$ 2,90 para R$ 2,75.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Especial para Terra
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