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Caminhoneiros bloqueiam 10 rodovias de Minas Gerais em protestos

Em um dos pontos de manifestação, a fila de caminhões chegava a 5 quilômetros tanto no sentido de São Paulo

1 jul 2013
09h52
atualizado em 2/7/2013 às 09h20
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Dez rodovias mineiras estão interditadas parcial ou totalmente na tarde desta segunda-feira por conta do protesto dos caminhoneiros que reclamam do aumento do litro do óleo diesel, além de outras reivindicações. No trevo de Manhuaçu, entroncamento das BRs 116 e 262, região leste de Minas Gerais, o bloqueio total é engrossado por cafeicultores que reclamam, segundo eles, por melhores preços da saca do café.

<p>Caminhoneiros reclamam do aumento do litro do óleo diesel, além de outras reivindicações</p>
Caminhoneiros reclamam do aumento do litro do óleo diesel, além de outras reivindicações
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra

Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, nos outros pontos interditados há congestionamentos e apenas os carros de passeio e ônibus passam, utilizando apenas uma das pistas.  De acordo com a PRF, a interdição é total também na BR-040, onde a fila de veículos já ultrapassa 10 quilômetros nos dois sentidos da rodovia que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Os caminhões e carretas ocupam as três pistas de cada mão, o que dificulta a passagem até mesmo de ambulâncias, que eram obrigadadas a transitar ou retornar pelo canteiro central ou acostamento. Muitos motoristas também escolheram essa opção e atravessaram para a pista contrária, onde puderam retornar.

Em um dos pontos de manifestação, no quilômetro 513 da BR-381, em Igarapé, região metropolitana de Belo Horizonte, a fila de caminhões chegava a 5 quilômetros tanto no sentido São Paulo quanto no sentido Espírito Santo. Os outros dois bloqueios ocorreram na altura do quilômetro 359, no município de João Monlevade, e no quilômetro 589, em Carmópolis de Minas.

Em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, centenas de manifestantes bloquearam a LMG-808, entre os quilômetros 8 e 9, próximo ao bairro Tupã. De acordo com o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), a via está bloqueada em ambos os sentidos desde as 8h30. O DER afirmou que equipes foram enviadas ao local para acompanhar a manifestação, que pede acostamento na pista e a criação de uma via de acesso ao bairro.

De acordo com o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Cargas de Minas Gerais (Sinditac), os protestos são por redução de impostos sobre o óleo diesel, mais segurança nas estradas e melhoria da infraestrutura viária.

Motoristas se dividem
A paralisação pegou a maioria dos motoristas de surpresa. O representante comercial Haddad Silva planejava chegar em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, em duas horas e meia de viagem: "Não vai dar mais, o congestionamento está grande, o jeito é ler um jornal ou procurar outra coisa para passar o tempo", reclamou.

Foi o que fez a estudante de psicologia Leticia de Fátima, que desceu do carro onde viajava com a família e levou o cão para passear: "Vamos para Juiz de Fora e está tudo parado, sol forte. Pelo menos deu para levá-lo para fazer um xixi," disse.

O protesto é aprovado pela maioria dos caminhoneiros, mas muitos reclamam das interdições: "É válido, mas parar a gente aqui não resolve. Deveria parar era lá em Belo Horizonte e parar políticos, eles quem deveriam ser prejudicados. Agora, parar aqui, onde não tem nada para comer nem beber, não concordo", reclamou o caminhoneiro Aloísio Forlan, que, às margens da BR-040 em Nova Lima, conversava com outros colegas aguardando que o bloqueio terminasse: "Quando o Lula saiu, o diesel estava mais em conta. Olha quanto aumentou. Foi demais. Aliás, está aumentando tudo, o feijão, pão, óleo. Feijão está R$ 6 o quilo," analisou.

"Eu ainda não abasteci em Minas Gerais, sou de Goiás, mas quando eu for abastecer sei que vou gastar R$ 100 a mais do que vinha gastando. Não tem condições, não. Tem que parar mesmo," concordou Roni Faria, também caminhoneiro. "Agora, ficar aqui parado não dá. Não tem nada na estrada e a gente atrasa demais a entrega da carga", concluiu.

Foi do que reclamou o fretista José Aparecido, que estava com o caminhão carregado de legumes que deverão ser entregues em Ubá, na Zona da Mata. "Deveriam deixar passar as cargas perecíveis, que correm o risco de estragar. Ficar parado dá é prejuízo", afirmou.

Veja as rodovias interditadas na tarde desta segunda-feira em MG:

           
BR km Hora Município Sentido Detalhes
381 359 3h João Monlevade ambos  interdição somente para veículos de carga
381 513 0h25 Igarapé ambos interdição somente para veículos de carga
381 365 4h São Gonçalo Rio Abaixo ambos  interdição somente para veículos de carga
381 295 7h20 Antônio Dias ambos  interdição somente para veículos de carga
381 589 8h30 Carmópolis de Minas ambos  interdição somente para veículos de carga
40 564 9h30 Nova Lima BH x RJ (crescente) Totalmente fechado sentido RJ
262 50 8h40 Manhuaçu (trevo de Realeza ambos (BR-262/BR-116) Movimento dos cafeicultores.Totalmente interditado para todos os veículos
116 406 11h40 Governador Valadares ambos Interdição total. PRF no local negociando liberação para automóveis e ônibus
40 603 12h15 Congonhas ambos interdição somente para veículos de carga
40 807 11h15 Matias Barbosa ambos interdição somente para veículos de carga
 

 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Colaboraram com esta notícia os internauta Ângelo Savastano, de Juiz de Fora (MG) eGilerth Mariano, de Contagem (MG), que participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: Especial para Terra
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