Toffoli nega já ter recebido "qualquer valor" de Vorcaro, dono do Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou na manhã desta quinta-feira, em nota divulgada pelo seu gabinete, ter recebido "qualquer valor" de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ou do cunhado dele, Fabiano Zettel.
"O ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel", disse o comunicado.
Na manifestação, o magistrado informou que "jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro".
A manifestação do ministro do STF ocorre um dia após a revelação de que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório que aponta que há menções a Toffoli no telefone celular de Vorcaro, alvo de quebra de sigilo por policiais, segundo uma fonte.
A PF, embora não tenha pedido a suspeição do ministro do STF, informou no relatório que há fatos que apontariam para a suspeição.
Uma fonte que teve conhecimento do teor do relatório detalhou que o documento da PF tem 180 páginas, tem menções de conversas que citam pagamentos para uma empresa ligada a Toffoli, além de menções a convites de festas para o magistrado.
Outra fonte confirmou que a íntegra do relatório foi encaminhada pela PF para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá à PGR avaliar se toma alguma medida sobre a situação envolvendo Toffoli.
É a segunda nota divulgada pelo ministro do Supremo sobre o caso em menos de 24 horas.
A atuação de Toffoli na condução do inquérito sobre o Master, que foi alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro do ano passado, tem sido questionada dentro e fora do Supremo. Ele estabeleceu uma série de procedimentos pouco usuais para a condução do inquérito sobre o Master.
A situação do ministro do Supremo tem sido avaliada pelos pares nos últimos dias, segundo fontes. Fachin, por exemplo, conversou na noite de quarta com o decano do STF, Gilmar Mendes, que dias atrás divulgou uma manifestação pública em defesa da atuação de Toffoli.
SOCIEDADE
Na nota desta quinta, Toffoli admitiu ter tido uma participação societária em uma empresa familiar e administrada por parentes, a Maridt, que era integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025.
No comunicado, o ministro do STF citou que, conforme a Lei Orgânica da Magistratura, um magistrado pode integrar o "quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador".
Segundo o ministro do STF, a participação da Maridt na Tayaya foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
"Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado", disse.
"Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição", destacou.
A Arllen, segundo informações divulgadas pela imprensa, era de propriedade do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. Na nota que divulgou nesta quinta, Toffoli disse que "desconhece" o gestor da Arllen.
O ministro do STF afirmou no comunicado ainda que a ação sobre a compra do Master pelo BRB foi distribuída a ele no dia 28 de novembro de 2025.
"Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro", ressaltou.
Na prática, Toffoli indica na nota que não vê motivos para que ele, por conta própria, deixe a relatoria do caso Master.