Mulher admite que postou fake news sobre espancamento do cão Orelha: 'Pequei'
Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente pela morte do cão, mas informou que não há vídeo da agressão
Uma mulher reconheceu, em entrevista à TV Globo, que divulgou informações falsas sobre a morte do cão Orelha. Ela publicou nas redes sociais que existiria um vídeo mostrando adolescentes agredindo o animal. De acordo com o relato, a publicação se baseou no comentário de uma conhecida, que teria afirmado que o porteiro registrou as agressões, mas acabou sendo pressionado por familiares dos jovens a não divulgar as imagens.
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Ao ser questionada pela polícia se teria assistido ao suposto vídeo, a mulher respondeu que não. Em entrevista à Globo, ela afirmou: "Partiu de mim o post que contou [sobre o espancamento do Orelha]. Só que eu não imaginei que fosse repercutir tanto". A mulher, que não teve a identidade divulgada, disse que não esperava a dimensão que a publicação tomaria.
Ela acrescentou que, ao perceber a viralização do conteúdo passou a se preocupar. "Quando comecei a perceber que o post tinha viralizado, começaram a falar em represálias às crianças, e não acho certo isso", disse. Segundo ela, uma conhecida que havia relatado que existia esse vídeo que mostrava adolescentes espancando Orelha. "Eu pequei, porque não deveria ter acreditado nela", acrescentou.
Segundo a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal, responsável pela investigação em conjunto com a Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei, em nenhum momento a polícia confirmou que o animal teria sido agredido até a morte.
De acordo com o veterinário que prestou atendimento ao cachorro, Orelha morreu em decorrência de uma pancada na cabeça, cuja lesão se agravou ao longo dos dias. Em depoimento, o profissional relatou que o animal apresentava um inchaço na região, possivelmente causado por um objeto de madeira ou uma garrafa. O quadro evoluiu e o cachorro morreu dois dias depois, em 5 de janeiro.
Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunhas. A corporação informou ter apurado a participação de oito adolescentes suspeitos.
Segundo a polícia, a responsabilização do adolescente ocorreu após a análise de mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras de segurança na região da Praia Brava, em Florianópolis. Os investigadores afirmaram que avaliaram as roupas usadas pelo jovem nos vídeos e ouviu 24 testemunhas, incluindo os oito adolescentes investigados.
