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Política

União Brasil pode adiar definição de novo presidente; entenda disputa no partido

28 fev 2024 - 22h39
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O presidente do União Brasil, Luciano Bivar, tenta adiar a convenção do partido que deve oficializar o advogado Antônio Rueda como seu sucessor no cargo. A crise na sigla escalou nesta quarta-feira, 28, e Bivar chegou a sugerir que tem denúncias contra integrantes da legenda, mas sem apresentar provas.

A convenção está prevista para esta quinta-feira, 29. Mesmo que Rueda seja eleito o novo presidente, o mandato de Bivar à frente do União termina somente em 31 de maio. A mudança no comando da sigla foi definida no final do ano passado, após uma série de embates internos. O União foi formado em 2022 a partir da fusão entre os antigos DEM e PSL, mas as duas alas nunca se acertaram. O União Brasil tem uma das maiores bancadas da Câmara, com 59 deputados.

Durante entrevista coletiva na sede do partido, em Brasília, Bivar carregava nesta quarta-feira, 28, uma pasta com a inscrição "denúncias". O deputado disse que não poderia revelar o conteúdo dos documentos. De acordo com ele, há uma investigação interna na sigla coordenada pelo Departamento Jurídico.

"As chapas (para a convenção nacional do partido) ainda não foram examinadas em suas minúcias. Então, a gente não pode dizer ainda sobre um posicionamento do partido com relação à legalidade das chapas", afirmou o presidente do partido. De acordo com ele, três chapas foram inscritas.

Segundo Bivar, a primeira chapa, cadastrada por Rueda, não continha o nome dele - ou seja, o deputado seria deixado completamente de fora das decisões do partido. Bivar tem apoio de alguns deputados, mas não de governadores e outros integrantes da legenda. O secretário-geral do União, ACM Neto, é adversário de Bivar.

A Coluna do Estadão teve acesso ao documento que mostra a chapa inscrita com Rueda no comando. A lista inclui, por exemplo, o apoio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, do líder do União na Câmara, Elmar Nascimento (BA), e também do líder no Senado, Efraim Filho (PB).

Embora não tenha dito com todas as letras que as supostas denúncias que carregava eram contra Rueda, nem apresentado provas, o presidente do União deu a entender que seu possível sucessor estaria envolvido nos supostos esquemas ilícitos.

"Essas denúncias são de toda a sorte, são incríveis. São denúncias de que o partido não pode estar na mão de alguém que queira usá-lo a título de fazer negócios", disse o deputado. "Denúncias têm aqui. Eu não posso colocar uma denúncia sem antes ver a procedência dela. Certamente eu vou abrir uma investigação sobre isso. Como as denúncias são graves, eu posso até levar ao Ministério Público."

Segundo a coluna do jornalista Lauro Jardim, em O Globo, Elmar relatou a deputados que Bivar teria ameaçado de morte familiares de Rueda durante uma conversa por telefone. "Sou um cara pacífico", respondeu Bivar na entrevista coletiva. "Foi picotado um estado emocional de parte a parte", emendou, em referência a um suposto áudio da conversa mostrado por Elmar.

Bivar e Elmar divergem internamente com frequência, e o presidente da sigla já havia tentado tirar o deputado baiano da liderança na Câmara em novembro de 2022. Naquele mês, a sigla decidiu declarar apoio à candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à reeleição na presidência da Casa, em acordo costurado por Elmar, contra a vontade de Bivar, que pretendia lançar seu próprio nome ao posto.

Na campanha eleitoral de 2022, houve reclamações no União sobre a destinação de recursos dos fundos eleitoral e partidário, o que desgastou Bivar. Vários diretórios regionais do partido também racharam nos últimos meses. Bivar é egresso do PSL, enquanto ACM Neto e Elmar eram do DEM.

Estadão
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