Três emas da Presidência morrem com quadro de obesidade
Segundo site, animais foram alimentados com resto de comida humana misturada com ração; governo Bolsonaro chegou a reclamar dos gastos com a alimentação das aves
BRASÍLIA - Com quadro clínico de obesidade, duas emas que viviam na Granja do Torto e uma que ficava no Palácio da Alvorada, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, morreram neste mês. O laudo técnico da autópsia dos animais indicou excesso de gordura visceral.
Reportagem publicada pelo portal Uol relatou que o quadro de obesidade decorreu da alimentação inadequada das emas com sobras do Palácio e da Granja do Torto, então habitados, respectivamente, por Bolsonaro e pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Ainda segundo a reportagem, os animais não tinham acompanhamento veterinário e viviam em condições inadequadas.
Em julho de 2020, o presidente Jair Bolsonaro foi atacado por uma ema quando tentou alimentá-la no Palácio da Alvorada. A imagem da "bicada" foi captada por fotógrafos e cinegrafistas. As aves estão na residência oficial do presidente da República há décadas. Sua presença sempre foi justificada como forma de ajudar a combater animais peçonhentos como cobras e escorpiões.
Um relatório produzido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do Distrito Federal ainda detalhou o estado de saúde de outros animais que vivem nas residências oficiais da Presidência e que teriam o quadro de saúde afetado. Quatro papagaios, três araras, um periquito, um pássaro negro e dois pavões tiveram que ser levados pela atual administração dos palácios da presidência para tratamento veterinário no zoológico de Brasília, onde devem receber os cuidados devidos após o diagnóstico de condições inadequadas.
"A atual gestão tomou conhecimento da situação dos animais e adotou todas as providências para adequar as instalações físicas dos animais, bem como oferecer o acompanhamento veterinário necessário. Além disso, a administração dos Palácios está cumprindo todas as recomendações dos órgãos técnicos", disse a Casa Civil em nota.
Segundo o Uol, a avaliação dos técnicos que examinaram as emas é de que a alimentação desses animais consistia em uma mistura de arroz, milho e ração, dieta que prejudica o organismo das aves e faz com que aumentem o peso de forma desproporcional. Além das emas, outros animais que vivem no Palácio do Planalto não tinham os cuidados necessários, como vacinação e atenção à reprodução.
Em 2016, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a dieta das emas consistia em ração de avestruz e até mesmo em algumas sobras da cozinha do Palácio da Alvorada, mas somente de frutas e folhas próprias para o consumo animal. As informações constam de resposta pública da Secretaria Geral da Presidência a um pedido feito via Lei de Acesso à Informação (LAI).
Durante seu governo, Bolsonaro chegou a mostrar uma de caixa de cloroquina -medicamento comprovado ineficaz contra a covid-19, mas que o bolsonarista insistia em divulgar - às aves. A atitude foi vista como mais um dos seus posicionamentos críticos à pandemia do coronavírus.
Em outro momento, o ex-presidente chegou a reclamar sobre o altos gastos com a alimentação dos animais. "Você quer que eu pague do meu salário a ração pra ema? Vai no cartão corporativo", declarou, quando questionado sobre o aumento nos gastos do cartão corporativo da presidência.
A alimentação das emas e dos demais animais silvestres que habitam o palácio e a Granja do Torto - como papagaios, araras, canários, jabutis e peixe, entre outros - custava, mensalmente, R$ 8.829,63 aos cofres públicos em 2016. As emas que habitavam o Alvorada durante a passagem da ex-presidente Dilma pela Presidência eram provenientes de apreensões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Ainda segundo a Secretaria-Geral, havia funcionários que cuidavam da alimentação e da limpeza dos ambientes frequentados pelas emas. O Alvorada nas gestões passadas ainda contava com uma bióloga responsável pela supervisão dos trabalhos.
Bolsonaro já chegou a ser bicado por uma ema no período em que se contaminou com o vírus da covid-19 e precisou ficar de quarentena no Alvorada, em 2020. A imagem da "bicada" foi captada por fotógrafos e cinegrafistas. Além de um símbolo da Presidência, presente desde a inauguração das residência oficiais, as emas controlam a população de animais peçonhentos que frequentam os palácios por serem predadores naturais.
Os animais já chegaram a ser 'expulsos' do Palácio da Alvorada na gestão presidente Ernesto Geisel, durante a ditadura militar, porque perseguiam os seus cachorros. O período das emas no exílio, contudo, durou pouco depois que cobras passaram a transitar pela residência oficial.