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Política

Tarcísio inicia ano eleitoral com cobranças de prefeitos e insatisfação do PP

Prefeitos do Pontal do Paranapanema querem mais recursos para região, enquanto deputado defende apoio do Progressistas à Alckmin ou Tebet em 2026. Governo de SP diz que assinou convênios que representaram R$ 2,6 bilhões em repasses

9 jan 2026 - 12h06
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), inicia o ano eleitoral com problemas políticos para resolver. Após o PP, um dos principais partidos da base, ameaçar romper com ele e lançar candidato próprio na eleição estadual, agora é a vez de parte dos prefeitos tornarem pública a insatisfação com o que consideram falta de investimentos do governo nos municípios.

A União dos Municípios do Pontal do Paranapanema (Unipontal), formada por 34 cidades, realizará uma assembleia geral nesta sexta-feira, 9, para definir qual estratégia de cobrança adotará para conseguir mais investimentos para a região. A iniciativa é apoiada pelo Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista (Ciop).

A Secretaria de Governo e Relações Institucionais da gestão Tarcísio de Freitas informou que repassou um total de R$ 2,6 bilhões desde o início da gestão por meio de convênios (leia mais detalhes abaixo).

"A gente tem alguns recursos atrasados, que eram para ter sido pagos no ano passado e já viramos o ano e não foram, principalmente de convênios", afirmou ao Estadão o presidente da Unipontal, Nenê Lopes (Republicanos), que também é prefeito de Euclides da Cunha Paulista (SP). "O governador focou nas grandes obras nas grandes cidades e deixou nosso Pontal um pouco esquecido. Comparando, no mandato passado chegaram muito mais coisas para a nossa região", acrescentou.

Mesmo sendo do Republicanos, partido de Tarcísio, Nenê afirma que o sentimento é que o secretariado do governador é distante. "A única que mandou recurso aqui pelo governo foi a (Secretaria) da Agricultura. Das outras secretarias não chegou nada", disse. A pasta da Agricultura era chefiada até o final do ano passado por Guilherme Piai (Republicanos), produtor rural de Presidente Prudente (SP) que deixou o cargo para organizar sua pré-campanha a deputado federal.

Os prefeitos planejam exibir na reunião uma faixa com os dizeres "SOS governador: cidades do Oeste paulista pedem socorro". A Unipontal afirma que a gestão Tarcísio investiu R$ 500 milhões em obras e equipamentos nas cidades da região Oeste em 2025, mas diz que o mínimo deveria ter sido R$ 650 milhões - valor estimado a partir da participação da população local no conjunto do Estado e da fatia correspondente do orçamento estadual destinado a investimentos.

Em nota, a Secretaria de Governo e Relações Institucionais disse que desde o início da atual gestão assinou 2.215 convênios "com investimentos pagos de cerca R$ 2,6 bilhões, além de R$ 836 milhões pagos a convênios firmados em gestões anteriores, num total de quase R$ 3,5 bilhões em investimentos nos 645 municípios paulistas".

A pasta disse ainda que tem atuado em parceria com as prefeituras para formalizar projetos que permitam a assinatura desses convênios, além da realização de eventos como as Caravanas 3D e reuniões no Palácio dos Bandeirantes com representantes das cidades de cada região administrativa do Estado.

De olha nas obras que potencializam o Estado

Tarcísio, que tirou férias até o dia 11 de janeiro para viajar com a família para os Estados Unidos, costuma defender os projetos de infraestrutura que demandam investimentos bilionários sob o argumento de que são obras estruturais que potencializarão o Estado no longo prazo. A lista inclui a construção do túnel Santos-Guarujá, o Trem Intercidades São Paulo-Campinas e o novo Centro Administrativo.

"Por que faríamos o Trem Intercidades Campinas-São Paulo, que é um esforço de caixa gigantesco e eu podia pulverizar esse dinheiro fazendo política de paróquia? Mas não, resolvemos apostar num projeto estrutural que o trem parador vai ficar pronto em 2029 e o expresso em 2031", disse o governador em dezembro.

Os prazos de entrega desses projetos também são mencionados por Tarcísio como argumento para focar na reeleição em São Paulo em vez de entrar na corrida presidencial, hipótese que ficou mais remota após o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

Um integrante do primeiro escalão da gestão Tarcísio afirmou que as reclamações de prefeitos são um tema de gestão que precisam ser tratadas com atenção. Porém, ele negou atraso nos repasses, também citou o programa Caravanas 3D, nas quais o governador roda o Estado anunciando recursos para cada região, e disse que o governo realizou obras importantes nos municípios, mas que nem sempre elas são atribuídas à atual administração porque parte dos prefeitos assumiram os cargos no ano passado, após as entregas terem sido realizadas.

Deputado do PP defende aliança com Alckmin e Tebet

Já a insatisfação do PP é vista por esse integrante do governo como uma questão política e eleitoral que não representa uma ameaça ao projeto de reeleição do governador. Esse aliado lembra que Tarcísio foi vitorioso em 2022 sem o apoio do partido no primeiro turno. Na ocasião, o PP, assim como outras siglas que hoje são de base do governador, estava na coligação do ex-governador Rodrigo Garcia e só migrou para Tarcísio no segundo turno.

No final do ano passado, o PP informou que avalia lançar candidatura própria ao governo de São Paulo contra Tarcísio e citou como motivos o "descontentamento dos prefeitos da legenda", "queixas recorrentes sobre falta de atenção aos parlamentares" e "uma percepção de distanciamento entre membros do atual governo estadual e a direção partidária".

O partido também classificou como "insuficiente" o apoio público à pré-candidatura do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) ao Senado.

A sigla mencionou o deputado federal Ricardo Salles (Novo) e o ex-secretário estadual Filipe Sabará como possíveis candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. A direção do PP planeja realizar encontros com eles e outros potenciais nomes entre a última semana de janeiro e o início de fevereiro.

Crítico de Tarcísio, o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) defende que o partido apoie uma candidatura a governador que una a centro-direita e a centro-esquerda. "O meu maior sonho era uma aliança com Geraldo Alckmin e Simone Tebet em São Paulo. Uma composição com partidos de centro-esquerda e de centro-direita para trazer um equilíbrio e não deixar São Paulo refém de ideologias", afirmou ele ao Estadão, citando dois políticos que hoje integram o primeiro escalão do governo Lula.

Na avaliação de Pinato, a aliança teria condições para derrotar Tarcísio e diminuir a vantagem do candidato de oposição sobre Lula em São Paulo, se o PT aceitar ser vice e o número 13 não aparecer nas urnas.

O deputado afirma ter recebido o aval da direção da legenda para convidar Tebet, hoje no MDB, a se filiar ao PP paulista. "O partido está de portas abertas", disse ele. A assessoria da ministra informou que ela não vai se posicionar. No mês passado, Tebet afirmou que Lula pediu que ela fosse candidata ao Senado e que teria uma nova conversa com o presidente até o final de janeiro para definir seu futuro.

Estadão
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