Randolfe erra e diz que Brasil tem regime semipresidencialista; modelo é defendido por Lira
O líder do governo Lula no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, disse que o País adere ao semipresidencialismo, que ocorre quando há um presidente e um primeiro ministro; o modelo é uma bandeira do presidente da Câmara, Arthur Lira
BRASÍLIA - O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, confundiu o sistema de governo do Brasil. Em fala a jornalistas nesta segunda-feira, 11, ele disse que o País é semipresidencialista — modelo defendido pelo Centrão — e insistiu no erro quando questionado. Depois, corrigiu-se.
Randolfe falava a jornalistas no Palácio do Planalto sobre a possibilidade de o Executivo perder mais poder sobre as emendas parlamentares no ano que vem. É discutido no Congresso um cronograma para liberação desses recursos, o que tiraria do Planalto o poder de definir quando pagar emendas para obter apoio para seus projetos no Legislativo.
Lula tira poder sobre dinheiro de ministérios para fazer 'caixinha de fim de ano' para o CentrãoRepórteres disseram a Randolfe que o sistema é presidencialista. Ele respondeu: "Pela Constituição de 1988 é semipresidencialista. Tem um sistema, os poderes do Parlamento, a doutrina constitucional já proclama isso porque os poderes do Parlamento foram ampliados a partir da Constituição de 1988 em relação ao regime anterior".
Depois, respondendo sobre outro assunto, o senador se corrigiu. "Deixa eu me corrigir. Temos um sistema de presidencialismo de coalizão", declarou. "Presidencialismo de coalizão" é um termo cunhado pelo cientista político Sérgio Abranches para se referir à necessidade que presidentes brasileiros têm de costurar amplas alianças em nome da governabilidade.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão, é defensor do sistema semipresidencialista. A ideia é rejeitada por Lula e seus aliados.