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Política

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Quem são Joana, Sicário e Manolo, nomes que aparecem em diálogos da investigação contra Vorcaro

Novas mensagens apreendidas pela Polícia Federal em investigações sobre o caso do Banco Master trazem cobranças por dinheiro e ameaças

16 jun 2026 - 20h56
(atualizado às 21h07)
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Novos diálogos encontrados pela Polícia Federal na investigação sobre o banqueiro Daniel Vorcaro ajudam a esclarecer quem são alguns dos personagens citados nos autos da Operação Compliance Zero.

As mensagens foram encontradas nos celulares de integrantes da suposta milícia armada ligada ao dono do Banco Master e envolvem Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", que morreu na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte; Manoel Mendes Rodrigues, apontado como operador do jogo do bicho; e Henrique Vorcaro, pai do banqueiro.

Segundo a PF, Joana cobrou ajuda financeira após a morte do irmão e afirmou possuir documentos capazes de comprometer integrantes da família Vorcaro. Os investigadores sustentam que Henrique Vorcaro autorizou repasses para tentar silenciá-la. A defesa dele nega qualquer pagamento ilícito.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Foto: Divulgação/Banco Master / Estadão

Quem era o 'Sicário'

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão era considerado pela Polícia Federal um dos homens de confiança de Daniel Vorcaro. Ele foi preso preventivamente em Belo Horizonte e cometeu suicídio na sede da PF na cidade.

Segundo os investigadores, ele era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do banqueiro.

A PF afirma que Mourão comandava um núcleo de intimidação e obstrução à Justiça conhecido como "A Turma", identificado em grupos de WhatsApp encontrados durante as investigações.

Outra acusação contra ele é a obtenção de informações sigilosas por meio de acessos indevidos a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do FBI e da Interpol.

Os investigadores dizem ainda que uma de suas funções era intimidar funcionários considerados problemáticos para os interesses de Vorcaro. Em conversas apreendidas, o banqueiro teria pedido providências contra empregados e adversários. Apesar do apelido, a PF afirma que não encontrou evidências de que Mourão tenha cometido assassinatos.

Quem é Joana Mourão

Joana Mourão é irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário". Mensagens obtidas pela PF mostram que ela procurou investigados ligados ao caso para cobrar pagamentos que, segundo ela, seriam devidos após a morte do irmão.

Em uma conversa de 26 de abril de 2026, Joana reclamou da falta de repasses financeiros de Henrique Vorcaro. "HV não se manifesta com nada $", escreveu. Em seguida, afirmou: "Eu estou muito perto do abismo. E se eu for tenho como levar ele junto. Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades tbm".

Na mesma conversa, ela declarou possuir documentos comprometedores. "Eu tenho material pra acabar com a família inteira", escreveu.

Joana também criticou a postura da família Vorcaro após a morte de seu irmão. "Os malditos Vorcaro, a quem ele foi leal a vida inteira, estão vivendo como reis ainda. Não se manifestaram. Não tiveram a dignidade de mandar uma única msg, uma flor que fosse no velório dele", afirmou.

Quem é Manolo

"Manolo" é o apelido de Manoel Mendes Rodrigues, apontado pela Polícia Federal como operador do jogo do bicho e alvo da fase mais recente da Operação Compliance Zero.

Foi com ele que Joana Mourão manteve parte das conversas analisadas pela PF. Segundo os investigadores, após as ameaças feitas por Joana, Manoel tentou convencê-la a conversar pessoalmente e acionou um primo dela para atuar como intermediário.

Posteriormente, Manoel informou Henrique Vorcaro que estava tratando do assunto. Para a PF, os diálogos indicam que ele atuou diretamente para viabilizar pagamentos à irmã de Sicário. Os investigadores afirmam que Manoel chegou a providenciar um contrato considerado fictício para permitir os repasses financeiros.

"Até o presente momento, não foi possível verificar se o referido contrato foi efetivamente assinado. Todavia, é possível verificar que Manoel Mendes Rodrigues, até a data da sua prisão, estava atuando, de maneira ativa, para viabilizar o repasse à família do Sicário de recursos financeiros", registrou a PF.

A defesa de Henrique Vorcaro afirma que Manoel prestava serviços de vigilância em um terreno localizado no Rio de Janeiro e nega envolvimento com pagamentos ilícitos.

Segundo os advogados, os valores mencionados nas investigações estariam relacionados a contratos imobiliários firmados com Felipe Mourão desde 2021, envolvendo empreendimentos e pagamento de comissões.

Estadão
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