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PT nega que traiu Rodrigo Maia durante eleições na Câmara

Líder do partido na Câmara afirmou que acordo com Maia nunca foi fechado e que o PT decidiu não apoiar o então candidato após reforço do PSL

11 fev 2019
18h13
atualizado às 18h18
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BRASÍLIA - O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, nega que o partido traiu Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao não integrar o amplo bloco que apoiou sua reeleição à presidência da Câmara dos Deputados, no dia 1 de fevereiro. Em entrevista ao Estadão/Broadcast neste fim de semana, Maia afirmou que o PT tinha feito um acordo com ele.

"Na verdade, se alguém ali foi traído, fui eu. Eles vieram aqui em casa. Mas eu disse que eu ia trazer o PSL antes porque não podia ser candidato de oposição. Eles falaram que não tinha problema nenhum. 'Você traz o PSL e depois a gente vem.' Então, se alguém traiu ali, foi o PT", disse Maia na entrevista.

Deputado Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados
Deputado Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados
Foto: PAULO GUERETA/ O DIA / Estadão Conteúdo

Pimenta diz que esse acordo nunca foi de fato fechado e que o partido decidiu não endossar a reeleição de Maia justamente depois que aliança entre o demista e partido de Jair Bolsonaro começou a se desenhar. "Se cogitou a possibilidade de uma discussão de natureza institucional do partido ter dentro da Casa, um espaço proporcional ao seu tamanho", disse Pimenta.

Segundo ele, esse acordo não envolvia incluir pautas e conteúdos. "Quando Maia chamou o PSL, ele não chamou como uma questão institucional. É uma pauta. Envolvia Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, de Fiscalização e Controle, acordo sobre pautas de votação. Evidentemente que quando ele faz isso, ele impede qualquer discussão de natureza institucional", afirmou Pimenta.

O líder do PT acredita ainda que Maia se envolveu na disputa sobre o desenho da oposição. O presidente da Casa conseguiu consolidar alianças inclusive com PDT e PCdoB para sua reeleição. Ao fechar os blocos partidários na Câmara, no entanto, houve uma subdivisão entre todas as legendas que davam base a Maia, que criaram dois grupos e abocaram as principais posições na Casa, na Mesa Diretora e Comissões.

"Acho que o Maia errou de novo quando ele se envolveu na disputa sobre o desenho da oposição no Brasil", disse Pimenta. "Ele perdeu mais uma vez a possibilidade de ter uma postura institucional como presidente. Ele tentou criar um bloco fake e qual objetivo? De tirar da oposição o direito de ter o segundo maior bloco da Casa? De novo ele errou", disse.

Divididos em dois blocos, os partidos da esquerda começaram uma disputa pelas lideranças da oposição e minoria na Câmara. O bloco formado por PT/PSB/PSOL/Rede quer ficar com ambas as estruturas, mas se vê ameaçado pelo PDT e PCdoB, que formaram um grupo com outras sete legendas para garantir espaços na Mesa Diretora e a liderança de comissões.

As lideranças da minoria e da oposição são disputadas, porque além de proporcionarem estrutura com gabinete e funcionários, dá aos seus titulares prerrogativas como participar das reuniões do Colégio de Líderes, encaminhar votações, prioridade em discursos e visibilidade.

Segundo Pimenta, a definição sobre essas lideranças ainda está sendo discutida e deve ser resolvida entre os partidos de esquerda dos dois blocos nesta semana.

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Estadão

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