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Política

Para 46,5% dos brasileiros, Bolsonaro planejou dar um golpe; 36,8% acham que não, diz Atlas

Maioria defende investigação, mas população se divide sobre a prisão do ex-presidente e boa parte acredita que país vive sob 'ditadura do Judiciário'

9 fev 2024 - 21h44
(atualizado às 23h05)
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Jair Bolsonaro exigiu que ministros trabalhasem para disseminar informações falsas no intuito de evitar uma eventual derrota para Lula nas eleições presidenciais
Jair Bolsonaro exigiu que ministros trabalhasem para disseminar informações falsas no intuito de evitar uma eventual derrota para Lula nas eleições presidenciais
Foto: DW / Deutsche Welle

O documento encontrado pela Polícia Federal no escritório de Jair Bolsonaro no prédio do PL e que previa a declaração de estado de sítio no Brasil após o segundo turno das eleições comprova que o ex-presidente planejou dar um golpe de Estado. É o que acreditam 46,5% dos entrevistados pelo instituto Atlas Intel em pesquisa realizada entre a quinta-feira, 8, e esta sexta-feira, 9. Outros 36,8% afirmam que Bolsonaro não planejou o golpe, e 16,6% não souberam responder. Foram 1.615 entrevistas feitas pela internet. A margem de erro é 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança 95%.

Apesar disso, o cenário muda e a população se divide quando a pergunta é direcionada sobre a responsabilização do presidente: 42% acreditam que Bolsonaro deveria ser preso, contra 41% que não. Os indecisos são 17%. A divisão se repete quando a pergunta é se Bolsonaro está sendo perseguido injustamente pelas investigações. Novamente, há empate técnico, já que 42,2% dizem que sim e 40,5%, que não.

Quase metade dos entrevistados, 47,3%, avaliam que o Brasil está sob uma ditadura do Poder Judiciário e a grande parte, 38,2%, consideram que Bolsonaro será preso ainda este ano, enquanto 36,4% declararam não saber e 25,5% que não haverá prisão em 2024. A pergunta não entra no mérito se ele é ou não culpado.

Ao mesmo tempo, 46,9% acreditam que a declaração do estado de sítio, seguida da destituição dos poderes do Supremo Tribunal Federal (STF) e a convocação de novas eleições após o segundo turno vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria golpe de estado. Neste caso, 32,8% avaliam que essas ações não representam ruptura democrática e 20,3% disseram não saber.

Caso Bolsonaro tivesse ido adiante e declarado estado de sítio, 41,1% disseram que não teriam apoiado a medida, contra 36,3% que concordariam com a atitude do ex-presidente.

O documento encontrado pela PF é um suposto pronunciamento que Bolsonaro iria fazer à nação, em rede nacional, detalhando os motivos e argumentos para a decretação do estado de sítio e uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em uma operação executada pelos militares.

A defesa do ex-presidente afirma que o documento estava no gabinete de Bolsonaro no PL porque ele pediu aos advogados para imprimirem o texto que, originalmente, havia sido achado no celular do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, após busca e apreensão no ano passado.

"Trata-se, portanto, de documento que já integrava a investigação há tempos e cujo acesso foi dado ao ex-presidente por seu advogado, vez que, repita-se desconhecia, até então, sua existência e conteúdo", disse a defesa do ex-presidente em nota à imprensa.

A maior parcela dos entrevistados, 39,1% consideram que o ex-presidente teria conseguido se manter no poder e seria o atual presidente do Brasil caso tivesse declarado o estado de Sítio conforme previsto no documento. Já 31,9% não souberam avaliar e 29% disseram que a tentativa falharia.

Por fim, a maioria (51,1%) diz que não é apoiadora ou simpatizante de Bolsonaro. No sentido oposto, 39,6% se declaram bolsonaristas atualmente.

Estadão
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