O que é o PL Mulher, setorial do partido que Michelle Bolsonaro presidiu por 3 anos
Ex-primeira-dama anunciou que deixará o cargo de para se 'dedicar aos cuidados do marido', Jair Bolsonaro. Saída ocorre na esteira da crise entre ela e Flávio Bolsonaro
O PL Mulher é o núcleo feminino do Partido Liberal (PL), criado para incentivar a participação de mulheres na política e estimular candidaturas femininas. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) anunciou nesta terça-feira, 30, que vai deixar a presidência da ala para se dedicar aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A saída ocorre na esteira da crise provocada entre ela e o enteado Flávio Bolsonaro. A proposta central do setorial é incentivar e oferecer "formação contínua para que mulheres filiadas, lideranças, influenciadoras, candidatas e mandatárias ocupem espaços na política, atuando em seus municípios e fortalecendo a identidade partidária do PL."
O PL Mulher reúne em materiais conteúdos de capacitação em comunicação digital e planejamento de mandato, como a "Necessaire Política", apresentada como um "conjunto de orientações, sugestões e estratégias" para que mulheres utilizem em sua atuação política.
O núcleo oferece ainda formação ideológica, com ênfase em família, dignidade humana, educação, liberdade, fé, patriotismo, defesa da vida e visão conservadora de sociedade.
Em seus materiais institucionais, o PL afirma que busca ampliar a participação feminina na política e defende que as mulheres são "imprescindíveis" para o desenvolvimento do País.
Segundo o partido, características como o "olhar humano", a defesa da família, a capacidade de trabalho e de reinvenção justificam o incentivo à presença feminina nos espaços de decisão.
Michelle Bolsonaro assumiu a presidência do núcleo em 2023. Na ocasião, o partido afirmou que a escolha da ex-primeira-dama tinha como objetivo incentivar a continuidade das mulheres como "protagonistas na política". Entre suas atribuições estavam viagens pelo País para incentivar novas candidaturas femininas. No cargo, Michelle recebia remuneração equivalente à de um deputado federal, de R$ 33.763.
Nesta terça-feira, 30, Michelle anunciou que deixará a presidência do PL Mulher. Em nota, afirmou que a decisão foi tomada após conversar com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para se dedicar integralmente aos cuidados dele e da filha.
A saída ocorreu após a publicação de um vídeo na última quarta-feira, em que ela dizia ter sido "humilhada, desrespeitada e maltratada" por Flávio por telefone em novembro passado, depois de ela ter criticado a aliança com Ciro Gomes no Ceará, articulada pelo grupo político dos enteados.
"PL é o partido que mais valoriza a mulher", disse Michelle ao assumir ala
Na cerimônia de posse, Michelle afirmou que o PL era "o partido que mais valoriza a mulher" e disse que o PL Mulher serviria para "incentivar e estimular a participação da mulher no cenário político eleitoral, respeitando sempre as diferenças de cada uma, como protagonista de sua própria história".
Na mesma ocasião, a ex-primeira-dama declarou que muitas mulheres evitam ingressar na política por considerá-la um ambiente hostil, mas defendeu que a presença feminina é fundamental para mudar essa realidade.
"É compreensível entender por que muitas mulheres não querem entrar nesse ambiente hostil da política, mas é a nossa presença nela que diminuirá e fará com que nós, mulheres, deixemos de ser o lado mais vulnerável da sociedade. E, assim, possamos juntas lutar pelos nossos ideais", afirmou.
Michelle também disse que "nossa vida não pode continuar se resumindo a ter de fazer escolhas entre ter uma carreira ou ter uma família", ao defender uma maior participação das mulheres na vida pública.
A decisão de deixar o comando da ala foi tomada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
"Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar - integralmente - aos cuidados para com o meu marido e minha filha", diz a nota divulgada por Michelle nesta terça.
Também em nota, o presidente do partido declarou que o PL "cresceu demais", e que as divergências internas aumentaram junto da sigla. Ele afirmou que Michelle "passa por um momento difícil" e que "sente de perto as injustiças e as angústias que o maior líder da história recente deste país vem passando".
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