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Lavagem de dinheiro no transporte de SP envolvia PCC, Deolane, vereador petista e máfia italiana, diz jornal

Conexões de empresa de ônibus alvo de operação nesta quinta, 25, foram identificadas em investigações anteriores sobre Deolane Bezerra, a re

25 jun 2026 - 08h13
(atualizado às 10h16)
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Operação desmantela esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresa de ônibus; vereador é preso:

Transunião Transportes S/A faz parte do mecanismo de circulação, ocultação e redistribuição de valores ligado ao crime organizado. Essa é a principal conclusão do inquérito policial do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da apuração do Ministério Público Estadual. As investigações apontam que parte do sistema de transporte público da capital foi dominada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). É a quarta empresa que atua no transporte da capital a ser alvo de investigação por elo com a facção.

Foi no contexto da apuração da lavagem de dinheiro ligada à facção que a polícia pediu a prisão temporária de cinco dias do vereador Senival Moura (PT) e de quatro diretores da Transunião, entre os quais está o presidente da empresa, Lourival de França Monário. Os outros acusados ligados à empresa que tiveram a prisão decretada pela Justiça são Leonel Moreira Martins, Jair Ramos de Freitas — o Cachorrão — e Devanil de Souza Nascimento.

Ônibus elétricos estacionados em São Paulo
Ônibus elétricos estacionados em São Paulo
Foto: reprodução/mobilitas / Flipar

Estadão procurou a assessoria do vereador e a sua defesa, e aguarda retorno. A reportagem também espera resposta da Transunião. Até o momento, não foram localizadas as defesas dos demais citados. 

Durante a investigação, os policiais do Deic identificaram uma estrutura de comando informal que cuidava da destinação dos recursos da Transunião. A empresa seria usada para a lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio dos verdadeiros donos dos ônibus da companhia.

Para operar o esquema, os acusados usavam empresas de fachada e movimentavam recursos em nome de parentes e laranjas, segundo apontam as autoridades. Também pulverizavam seus ativos. A investigação mostrou que um mesmo contador cuidava das contas dessas empresas que se relacionavam com a Transunião.

Ligações com Máfia, Deolane e Carbono Oculto

Segundo os investigadores, as provas mostram que a Transunião se tornou uma plataforma para a circulação de recursos, ocultação patrimonial e dissociação entre os acionistas formais e os efetivos beneficiários das movimentações financeiras.

Trata-se de um esquema cujas conexões foram constatadas por outras operações policiais nos últimos três anos. A mais recente delas foi a que investigou a advogada Deolane Bezerra dos Santos (Operação Vérnix), em maio.

As provas, entretanto, já tinham aparecido nas operações Carbono Oculto e Tank, de 2025, que investigou a atuação da facção no setor de combustíveis. O mesmo aconteceu na ação que apurou o consórcio entre a ’Ndrangheta, a máfia da Calábria, no Sul da Itália, com o PCC - a Operação Mafiusi, de 2024.

Esta última teve como alvo principal o empresário Willian Barile Agati, o Concierge do PCC, que movimentou cerca de R$ 2 bilhões. Agati era um dos responsáveis por lavar dinheiro obtido pela facção no tráfico internacional de drogas. Ali surgiram as conexões entre Cachorrão, que recebeu R$ 9 milhões da Transunião, e Monário, o presidente da empresa.

Cachorrão era sócio da empresa Universo Bus Comércio e Serviços, e sócio de Fábio Fernandes Souza, que mantinha relações com Agati. As conexões entre os dois esquemas demonstrariam a existência de uma espécie de hub criminal, sem uma estrutura única de comando, mas, segundo os investigadores, com a intersecção entre vários esquemas, que compartilham estruturas comuns para absorver e lavar o dinheiro ilícito.

Nas operações Carbono Oculto e Tank, a Transunião apareceu em razão da relação que mantinha com a Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda, a quem repassou R$ 2 milhões. De acordo com o Deic, a Duvale não funcionava como distribuidora de combustível, mas como núcleo de lavagem de dinheiro. Ela teria operado o branqueamento de R$ 148 milhões e dissimulado a destinação de R$ 323 milhões. Seus operadores teriam vínculos estreitos com o PCC.

Em uma investigação sobre a apreensão de 200 quilos de cocaína feita pela 6ª Delegacia de Investigações sobre Facções, do Deic, surgiram informações sobre Everton de Souza, que manteria ligações com familiares de Alejandro Herbas Camacho Júnior, irmão de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. Souza teria transferido um carro em nome de sua mulher para Monário, o presidente da Transunião.

No dia 21 de maio, Souza foi preso na Operação Vérnix como operador financeiro do esquema de lavagem de dinheiro dos irmãos Camacho em parceria com a advogada Deolane. Entre as movimentações financeiras feitas por um sobrinho de Marcola, a Vérnix achou R$ 50 mil que tinham como origem a Transunião, o que seria mais um indício de que ela estaria sendo usada para a circulação de valores ilícitos.

A defesa de Deolane nega as acusações de elo com a facção. A reportagem tenta contato com os demais envolvidos. As informações são do Blog do Fausto, coluna do jornal Estadão.

Fonte: Portal Terra
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