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Vereador do PT era dono de 13 ônibus e atuava em esquema ligado ao PCC na Transunião, diz MP

Investigação da polícia e do Ministério Público identificou ‘movimentações financeiras expressivas’ em nome de Sinval Moura e evolução patri

25 jun 2026 - 07h26
(atualizado às 09h37)
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Vereador do PT era dono de 13 ônibus e atuava em esquema ligado ao PCC na Transunião, diz MP:

O Primeiro-secretário da câmara Municipal de São Paulo, o petista Senival Moura, principal alvo da Operação Última Parada, da Polícia Civil e do Ministério Público, é apontado como dono de parte da frota da Transunião Transportes S.A., que sofreu intervenção nesta quinta-feira, 25, por determinação da Justiça. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a investigação, a empresa funcionava como plataforma para lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A reportagem tenta contato com a defesa do vereador. O espaço segue aberto.

Operação desmantela esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresa de ônibus; vereador é preso:

O vereador, que já liderou a bancada do Partido dos Trabalhadores no legislativo paulistano, tem sua atuação ligada há quase três décadas ao setor de transportes. Com trânsito entre os partidos do centrão que apoiam o prefeito Ricardo Nunes (MDB), ele foi escolhido para presidir a Comissão de Transportes da Casa.

Do inquérito sobre o uso da Transunião como plataforma para a lavagem de dinheiro do crime organizado emergiram novas provas a respeito da atuação do petista no setor. Segundo os investigadores, a análise dos registros encontrados em duas planilhas apreendidas no inquérito do assassinato do então presidente da empresa de ônibus, Adauto Soares Jorge, ocorrido em 2020, levou à abertura desse novo inquérito e identificação dos verdadeiros donos de veículos da Transunião.

Presidente da Comissão de Transporte da Câmara Municipal, o petista Senival Moura, teve a prisão decretada pela Justiça
Presidente da Comissão de Transporte da Câmara Municipal, o petista Senival Moura, teve a prisão decretada pela Justiça
Foto: Richard Lourenço/Rede Câmara

Sob os nomes “Contato” e “Contato3”, os documentos apontam que Senival Moura figurava como “efetivo” explorador econômico de parcela significativa da frota vinculada à empresa. Segundo a investigação, isso foi constatado a partir da repetição sistemática do nome “Senival” atrelado a múltiplos veículos em planilhas mantidas pela Transunião.

Essa contabilidade operacional paralela associava o vereador a 13 ônibus, distribuídos em nome de diferentes operadores formais, pessoas jurídicas e, em determinados casos, até mesmo colocados em nome da própria Transunião Transportes S.A. Foi assim que a polícia identificou o suposto patrimônio oculto do petista.

Um dos veículos, por exemplo, estava registrado em nome de um laranja, mas, na ficha, o ônibus era vinculado ao CPF da mulher de Senival, Maria de Lourdes Andrade de Moura. Outro veículo estaria vinculado ao CPF de Ítalo Andrade de Moura, um dos filhos do vereador. A reportagem tenta contato com a defesa do petista. O espaço segue aberto.

Todos os ônibus que figuravam na planilha sob a rubrica “cooperado” estavam em nome de laranjas. Além dos veículos, o vereador teria em seu nome a empresa SPM Transporte Urbano de Passageiros e Cargas e também usaria, segundo os investigadores, assessores e filhos para dissimular seu patrimônio.

Laboratório de lavagem de dinheiro

A polícia analisou o patrimônio e as movimentações financeiras de Senival por meio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro – LAB-LD. A análise identificou “movimentações financeiras expressivas” em nome do político e verificou a evolução patrimonial, a aquisição de ativos, a circulação de recursos e os vínculos econômicos mantidos pelo petista com outras pessoas investigadas na Operação Última Parada.

Entre 1.º de janeiro de 2019 e 17 de maio de 2022, Senival teria movimentado R$ 8,6 milhões entre créditos e débitos em suas contas por meio de 3.134 lançamentos bancários. Do montante, R$ 2,3 milhões são movimentações que não teriam origem declarada. Entre os principais responsáveis por aportes financeiros para o vereador está a Transunião. A análise concluiu que a evolução de patrimônio é superior à remuneração que recebeu como vereador.

Entre os itens dessa evolução, são citados uma casa em um condomínio em Juquehy, em São Sebastião, no litoral paulista, com valor de R$ 800 mil, uma apartamento na Vila Madalena, na zona oeste da capital, e um sítio em Extrema (MG), com piscina e um campo de futebol.

Para a polícia, tudo isso está associado ao esquema investigado na Transunião. Ainda segundo o Departamento estadual de Investigações Criminais (Deic) e os promotores do Grupo de Atuação especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), é relevante o fato de que Senival exercia, ao menos até o assassinato de Adauto Jorge, posição de influência significativa nas decisões da empresa de transporte.

Na avaliação da polícia e dos promotores, o vereador está entre os principais beneficiários das contas relacionadas ao núcleo econômico do esquema, com intensa circulação de recursos financeiros envolvendo pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao seu entorno familiar e empresarial.

Os investigadores apontam que mesmo afastado oficialmente da empresa, Senival permanecia importante para o esquema em razão das posições institucionais ocupadas pelo político na Câmara Municipal de São Paulo, onde exerce simultaneamente os cargos de 1º Secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica.

Isso porque a comissão é diretamente relacionada à fiscalização, regulamentação e discussão normativa do setor de transporte coletivo urbano. Para os investigadores, a sobreposição entre a posição institucional estratégica ocupada pelo investigado, sua inserção financeira no núcleo econômico investigado, os vínculos empresariais e relacionais identificados tornariam necessário a prisão do acusado para garantir a colheita de provas.

A Justiça concordou com os argumentos dos promotores e da polícia e decretou a prisão de Senival por cinco dias, que podem ser renovados por mais cinco. Ao término do prazo, o Ministério Público deve decidir se pede a prisão preventiva do acusado.

A prisão durante o processo foi motivada pelo risco de Senival interferir indiretamente sobre agentes do setor ou poder reorganizar seu patrimônio, alinhar sua versão com outros acusados e atuar em outros elementos probatórios que devem ser aprofundados durante o processo.

Fonte: Portal Terra
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