'Mãe ouviu o filho gritar de dor', diz advogada da criança em caso que envolve Marco Furlan
Representante da família afirma que o ator estava sozinho na festa, contesta a versão apresentada por ele e detalha o que teria acontecido
O caso envolvendo o ator Marco Furlan, de 48 anos, preso em flagrante por suspeita de estupro de vulnerável durante uma festa em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, ganhou novos desdobramentos. A defesa da família da criança de 5 anos afirma que a justificativa apresentada inicialmente pelo ator, de que teria confundido a vítima com uma suposta namorada, não condiz com o que foi apurado até o momento.
Segundo a advogada Maria Fernanda Mituo, Furlan estava sozinho na chácara e não havia qualquer companheira no local. "Ele não tem namorada e não havia nenhuma namorada na festa", afirmou a representante da família.
De acordo com a advogada, o ator era convidado da aniversariante, que seria amiga dele e também da mãe da vítima há mais de 20 anos. A família da criança, porém, não o conhecia e foi apresentada a ele apenas no dia do evento.
O que aconteceu na chácara
A festa aconteceu no sábado em uma chácara alugada para reunir familiares e amigos. Algumas pessoas permaneceram hospedadas no local após a comemoração e dormiram de sábado para domingo, entre eles a mãe e seu filho e o ator.
"Eles alugaram uma chácara para passar o fim de semana. A festa aconteceu no sábado, havia outras crianças no local e cerca de dez pessoas permaneceram hospedadas. A minha cliente não conhecia o investigado; ele era convidado da aniversariante", relatou.
No domingo, por volta das 19h, a mãe da criança, um menino de 5 anos diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA), foi até o quarto verificar se ele continuava dormindo.
Segundo a advogada, a mãe viu que o filho estava bem, apagou a luz e voltou para a área onde estavam os demais convidados.
Por volta de 10 minutos depois, o abusador levantou e entrou na casa. E aí, uns 10 minutos após, a minha cliente ouviu um grito de dor, (dizendo): 'Ai, ai, ai'. Ela imediatamente correu para o quarto, acendeu a luz e ele estava nu, a criança também deitada na cama e a criança com a mão na parte do ânus, dizendo que estava doendo muito", descreveu a advogada.
Ainda conforme a advogada, naquele momento Marco Aurelio Dias Furlan negou ter cometido qualquer abuso e apresentou uma primeira justificativa para explicar sua presença no quarto.
"Na hora ele disse que estava embriagado e que teria confundido o quarto da criança com o quarto da namorada. Mas ele não tinha namorada na festa, nem estava acompanhado", declarou.
Ela contou ainda que os convidados impediram que o ator deixasse a chácara até a chegada da Polícia Militar.
"Todas as pessoas que estavam na festa foram até o quarto, viram a situação, seguraram ele porque queria ir embora e chamaram a Polícia Militar", disse.
Quando os policiais chegaram ao local, Marco foi preso em flagrante e levado para a Delegacia de Pindamonhangaba. A criança foi encaminhada a um pronto-socorro, onde passou pelos primeiros exames e recebeu o atendimento previsto para esse tipo de ocorrência.
Investigado mudou a versão na delegacia
Segundo o boletim de ocorrência, na delegacia o ator apresentou uma nova versão dos fatos. Ele afirmou que havia consumido bebida alcoólica durante a festa e disse não se lembrar do que aconteceu, alegando recordar apenas do momento em que foi colocado na viatura da Polícia Militar.
Ainda de acordo com a advogada, quatro pessoas prestaram depoimento e relataram ter encontrado o investigado e a criança sem roupas no quarto.
"Foram dados depoimentos de quatro pessoas que estavam na festa, que viram, que correram até o quarto, onde a mãe da vítima estava e constatou que ele estava nu, a criança nua, gritando de dor. Ele estava com a cueca da criança na mão e os depoimentos todos bateram, tanto da mãe quanto dos outros depoimentos. Então a delegada resolveu transformar a prisão dele em preventiva".
Criança passou por exames
A advogada informou que os exames realizados inicialmente no hospital não foram conclusivos quanto à ocorrência de penetração. Também foi realizado um exame pericial no Instituto Médico Legal (IML), cujo resultado ainda é aguardado.
"Os exames realizados no hospital não concluíram se houve ou não penetração. Agora aguardamos o laudo do IML, que deve ficar pronto nas próximas semanas", explicou.
Segundo ela, independentemente do resultado da perícia, a investigação seguirá seu curso.
"A lei diz, mesmo que não houve a penetração, ele foi pego em flagrante com uma criança vulnerável nus dentro de um quarto. Mesmo que não houve a penetração, houve o crime de estupro de vulnerável. Ele vai responder pelo crime, mesmo que constate-se que não houve penetração", diz.
A representante da família acrescentou que a criança já realizava acompanhamento psicológico por ser diagnosticada com transtorno do espectro autista e continuará recebendo assistência especializada.
Mãe está abalada
Segundo Maria Fernanda, a mãe do menino ainda tenta lidar com o impacto emocional do episódio.
"Ela não se conforma com o que aconteceu. Em alguns momentos se culpa, embora saiba que não teve responsabilidade. Ao mesmo tempo, sente alívio por ter chegado a tempo de interromper a situação", disse.
O pai da criança, que é separado da mãe, também foi informado sobre o caso e acompanha as investigações.
Os próximos passos da investigação incluem a conclusão do laudo do IML e a análise de outras provas reunidas pela Polícia Civil. Além disso, a polícia solicitou à Justiça a quebra do sigilo telemático do investigado, bem como a apreensão do telefone celular e do computador.
"Para poder ser investigado se ele tem conteúdo de crianças nessa mesma situação, no computador dele, até para saber se ele participa de algum tipo de rede de crimes de pedofilia", conclui a advogada da vítima.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo. Até o momento, Marco Aurelio Dias Furlan permanece preso preventivamente, à disposição da Justiça.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.