Fux acompanha Mendonça no STF para manter prisão de Vorcaro
Apontado pela Polícia Federal como "profissional do crime", Vorcaro está preso desde a manhã do dia 4 de março
Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram nesta sexta-feira, 13, para manter a prisão de Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A Segunda Turma da Corte iniciou hoje o julgamento virtual sobre a manutenção da prisão preventiva do banqueiro.
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Relator do caso, Mendonça foi o primeiro a votar e foi acompanhado por Fux. O julgamento começou às 11h e tem duração prevista de uma semana, com término às 23h59 da próxima sexta-feira, 20. Além dos dois magistrados, também votarão os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques. Integrante da Segunda Turma, Dias Toffoli declarou-se suspeito e, por isso, não participará da análise do caso. Com a ausência, o julgamento será decidido apenas pelos quatro ministros restantes.
Se houver empate, o artigo 146 do Regimento Interno do Supremo prevê que vale a decisão "in dubio pro reo", ou seja, o resultado beneficiará Vorcaro, o que pode levar à soltura do banqueiro.
No julgamento, a Segunda Turma também analisará se permanecem válidas as prisões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do banqueiro, e de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal (PF). Segundo as investigações, ele teria ajudado a obter acesso a informações sigilosas relacionadas ao caso. Mendonça e Fux também votaram pela manutenção da prisão de ambos.
Por que Vorcaro está preso?
A PF citou os argumentos de que Daniel Vorcaro e seus aliados atuaram como "profissionais do crime" com a captação ilícita de servidores públicos, além da contratação de influenciadores para atacar autoridades públicas para pedir a prisão preventiva do banqueiro e de outras pessoas a Mendonça. Vorcaro foi detido pela segunda vez na manhã do dia 4 de março, em São Paulo.
"Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário", escreveu a PF.
Em seguida, a corporação acrescentou: "Buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia (leia-se a "Turma"), como comprovado nesta representação policial". O trecho consta na decisão de Mendonça à qual o Terra teve acesso.
Ainda de acordo com o documento, a PF afirma que o "intento de Daniel Vorcaro não pode prosperar", porque a investigação estaria em risco e inclusive a integridade física dos servidores públicos responsáveis pela apuração.
"A presente investigação criminal sobre organização criminosa estará em risco, reprise-se, risco concreto, inclusive quanto a integridade física dos servidores públicos responsáveis pela apuração (PF, MPF, STF, BCB), enquanto não houver a completa neutralização do braço armado da organização criminosa, em toda sua extensão, isto é, do comando exercido por Daniel Vorcaro, seu braço financeiro controlado por Fabiano Zettel, e seu "sicário" Felipe Mourão, além dos membros da "Turma" liderada pelo policial federal aposentado Marilson Roseno."
Segundo o documento, a contratação de influenciadores se deu mesmo após Vorcaro ter sido preso em novembro do ano passado.
As "ações prosseguiram mesmo após sua prisão e posterior revogação pelo TRF1, no dia 28 de novembro de 2025, uma vez que a contratação de influencers para a execução do "Projeto DV" foi colocada em prática logo depois, isto é, no mês de dezembro de 2025 e tinha o objetivo de atacar a reputação do Banco Central do Brasil no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União emitia sinais de que desfaria a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando assim uma decisão da Autarquia Federal", diz a PF.
Além disso, foi citado para o pedido de prisão o risco de evasão de Vorcaro, que seguia presente, "na medida em que ainda possui jatos privados, bem como extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais".
Após a prisão do banqueiro, a defesa de Vorcaro informou "que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça".
"A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições", acrescentou o comunicado.
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