CPI do Crime Organizado aprova quebra de sigilos de Sicário e cunhado de Vorcaro
Requerimentos também miram ex-funcionários do Banco Central suspeitos de manter ligação com o proprietário do Banco Master
A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira, 11, um total de 27 requerimentos em bloco. Entre eles, está a solicitação de quebra de sigilo fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
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O colegiado também aprovou a quebra de sigilos e o envio de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relacionados a Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que cometeu suicídio poucas horas após ser preso pela Polícia Federal no último dia 4.
Além disso, foi autorizado um requerimento dirigido a André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso Master, solicitando informações sobre as circunstâncias da morte do "Sicário".
No mesmo dia em que ele foi preso e se matou, Zettel e Vorcaro foram presos em uma nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Os requerimentos também miram ex-funcionários do Banco Central suspeitos de manter ligação com o proprietário do Banco Master. Foram aprovadas a convocação de Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, respectivamente ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária e ex-diretor de Fiscalização do BC, além da solicitação de informações detalhadas sobre o processo administrativo que levou à demissão de ambos.
Casado com Natalia Vorcaro, irmã de Vorcaro, Fabiano Zettel é pastor da igreja Lagoinha e atuava como intermediário e coordenador de empresas de fachada do banqueiro. Segundo as investigações, Zettel era responsável por repassar R$ 1 milhão por mês a Mourão para coordenar e pagar as atividades e integrantes da “Turma”, grupo que funcionava como uma espécie de milícia privada a serviço de Vorcaro.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram ordens do banqueiro ao “Sicário” para intimidar funcionários e desafetos do grupo e até para “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
O ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, vendeu uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo de investimentos ligado a Zettel. As investigações apontam Neves de Souza como um “consultor informal” do Master dentro do Banco Central, recebendo recursos para auxiliar Vorcaro a burlar a fiscalização.
Já Bellini Santana teria retardado o envio de documentos à Polícia Federal que seriam utilizados na primeira prisão do dono do Banco Master.
