Patrimônio de Vorcaro passou de R$ 2 milhões para R$ 2 bilhões em 10 anos
Dados mostram uma evolução de quase mil vezes nos bens declarados pelo banqueiro à Receita Federal no período
BRASÍLIA - O patrimônio do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, passou de R$ 2,8 milhões para R$ 2,6 bilhões em dez anos. Os dados mostram uma evolução de quase mil vezes nos bens declarados pelo banqueiro à Receita Federal entre 2015 e 2024.
As informações constam em documentos enviados pelo Fisco para a CPI do INSS e obtidos pelo Estadão. Os valores são nominais, sem atualização monetária para o período.
Ao longo de 2024, mesmo ano em que Master começou a enfrentar dificuldades financeiras e passou a ser negociado no mercado, Vorcaro teve um incremento de 86,9% no seu patrimônio.
Em 2023 (conforme declaração apresentada no ano seguinte), o empresário acumulava em bens R$ 1,4 bilhão. Já em 2024, passou para R$ 2,6 bilhões.
Em 2015, o banqueiro declarou R$ 2,8 milhões em bens e direitos. Em 2021, R$ 815,2 milhões. No ano seguinte, R$ 1,2 bilhão.
As informações reunidas com a quebra do sigilo fiscal do banqueiro também apontam banqueiro declarou à Receita Federal que possuía R$ 1.386.000,00 em dinheiro vivo em dezembro de 2023.
O dinheiro vivo foi gasto ao longo de 2024, mesmo ano em que o Banco Master começou a enfrentar dificuldades financeiras e passou a ser negociado no mercado. Em dezembro daquele ano, ele informou ao Fisco manter R$ 250 mil em espécie.
Há dez anos, a maior parte do patrimônio de Daniel Vocaro era constituída por aplicações de renda fixa em bancos tradicionais e carros de luxo. Entre eles, uma Range Rover de R$ 410 mil.
Em 2024, só a integralização de ações do do Banco Master alcançaram R$ 517 milhões. Em relógios e obras de arte o banqueiro declarou R$ 47 milhões.
As investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de que Vorcaro aumentou seu patrimônio ao menos desde 2019 por meio de operações financeiras fraudulentas, que foram alvos de operações policiais e apurações da CVM.
A Operação Fundo Fake, de 2020, na qual ele foi investigado, apurava na época o desvio de recursos de fundos de previdência de Rondônia para particulares. As apurações mais recentes indicam que o Master usava outras estratégias para desviar recursos do sistema financeiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares.
A Polícia Federal investiga, com a Operação Compliance Zero, um suposto esquema de fraude contra o sistema financeiro baseado na emissão e negociação de ativos sem lastro real.
A suspeita é que o banco vendesse títulos e carteiras de crédito que prometiam retornos elevados, mas que não tinham garantias efetivas de pagamento.
A investigação detectou indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB, o banco público do Distrito Federal, e entregou documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar o negócio.