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Lula diz que pensa em candidatura de frente ampla em 2022

Ex-presidente falou pela primeira vez as sobre próximas eleições após ter tido as condenações anuladas pelo STF e se tornar elegível de novo

10 mar 2021 13h53
| atualizado às 14h01
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 10, que não está pensando no momento em candidatura para a eleição presidencial de 2022, mas reconheceu que será discutida a possibilidade de uma candidatura única de uma frente ampla progressista contra a direita.

Lula durante entrevista em São Bernardo do Campo
 10/3/2021 REUTERS/Amanda Perobelli
Lula durante entrevista em São Bernardo do Campo 10/3/2021 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Lula disse que "seria pequeno" se estivesse pensando no momento em 2022, e que o PT como partido vai pensar na próxima eleição quando chegar o momento das convenções.

"Precisamos esperar chegar o momento de a gente discutir e escolher candidato que vai se decidir, se vai ser possível ter candidatura única ou se vai ser possível ter várias candidaturas ou uma única candidatura de esquerda", disse Lula durante entrevista coletiva na sede do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

"Vamos discutir se vamos ter um candidato de uma frente ampla", acrescentou.

O ex-presidente acrescentou que espera dedicar o restante da vida a andar pelo país e a conversar com todos os setores da sociedade para discutir soluções para a crise atravessada pelo país.

"O Brasil tinha um projeto de nação, de soberania, de cidadania, é pela construção desse sonho que eu me sinto muito jovem para brigar muito", afirmou Lula em pronunciamento antes de entrevista coletiva.

"Desistir jamais, isso não existe no meu dicionário", afirmou. "Eu não sei que atitude vamos tomar, mas temos que tomar", acrescentou.

Lula convocou a entrevista coletiva após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anular na segunda-feira todas as condenações impostas a ele pela 13ª Vara Federal de Curitiba no âmbito da operação Lava Jato, medida que devolve ao petista seus direitos políticos e poderá, se mantida, embaralhar a sucessão presidencial de 2022.

O ex-presidente disse que sempre teve certeza que chegaria o dia de deixar claras as "inverdades" imputadas a ele.

Lula lembrou que há quase três anos se entregou à Polícia Federal para evitar figurar como fugitivo e para poder provar, da prisão, que era vítima da "maior mentira jurídica" do país.

"Tomei a decisão de me entregar porque não seria correto um homem da minha idade, com a história construída com vocês, aparecer na capa dos jornais como fugitivo", disse Lula.

"Tinha tanta confiança e tanta consciência do que estava acontecendo no Brasil, que tinha certeza que esse dia chegaria, e ele chegou", afirmou.

Lula acrescentou que não guarda mágoa, porque o sofrimento enfrentando pelo povo brasileiro é maior do que ele experimentou.

O ex-presidente também aproveitou a ocasião para fazer duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o Brasil tem um "desgoverno" na área da saúde e que muitas mortes poderiam ter sido evitadas com medidas adequadas contra a Covid-19.

"Presidente da República não é eleito para falar bobagem ou espalhar fake news", disse Lula, acrescentando que também não é eleito para incentivar compra de armas, que devem ser destinadas às Forças Armadas e à polícia.

"A questão da vacina não é questão se tem dinheiro ou se não tem dinheiro, é questão se eu amo a vida ou se amo a morte. É questão de saber o papel do presidente da República no cuidado do seu povo", acrescentou, prestando solidariedade às vítimas do coronavírus.

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