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Política

Juros altos e aumento de salário: veja em que pontos eleitores concordam com Lula

Maioria dos entrevistados pela pesquisa Quaest avaliza críticas do presidente ao Banco Central e concorda que presidente não deve satisfação ao mercado e sim aos mais pobres

10 jul 2024 - 20h14
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BRASÍLIA - A pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10, mostra que os eleitores brasileiros concordam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a necessidade de o salário mínimo ser aumentado acima da inflação em todos os anos e com as críticas contra a taxa de juros do Banco Central (BC).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Segundo a pesquisa, 90% dos brasileiros concordam que o mínimo sempre deve ser aumentado acima da inflação. Outros 8% discordam do petista e 2% não sabem ou não responderam. O tema foi uma das bandeiras do petista durante a campanha presidencial de 2022.

As críticas feitas ao BC, presidido por Roberto Campos Neto, são avalizadas por 87% do eleitorado brasileiro. Outros 10% discordam e 3% não sabem ou não responderam. Desde que assumiu o mandato, Lula costuma criticar o banco e a gestão de Campos Neto por conta da taxa de juros, que atualmente é de 10,5% ao ano.

A Quaest compilou 2.000 entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.

A pesquisa da Genial/Quaest mostrou também que Lula é aprovado por 54% dos eleitores e rejeitado por outros 43%. O desempenho nos índices de avaliação da gestão federal foi alavancado pelo aumento da aprovação entre segmentos como os detentores de renda familiar de até dois salários mínimos, os moradores da região Sudeste e a faixa etária dos 35 aos 59 anos.

O instituto também perguntou aos eleitores se eles acreditam que Campos Neto adota critérios técnicos na política de juros. Para 53%, o chefe do BC usa parâmetros econômicos para definir a Selic, enquanto 28% acham que não. Outros 19% não sabem ou não responderam.

A maioria dos eleitores de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concorda que Campos Neto adota critérios técnicos na condução do Banco Central. Entre os que votaram no petista em 2022, 44% opinam dessa maneira, enquanto 35% acreditam que não. Outros 21% não sabem ou não responderam.

Campos Neto adota critérios técnicos na opinião de 70% dos eleitores de Bolsonaro. Apenas 17% opinam de forma divergente e 13% não sabem ou não responderam.

Sete em cada dez brasileiros não sabem que Campos Neto foi indicado por Bolsonaro para assumir o comando do BC em 2018. Apenas 29% possuem consciência da nomeação feita pelo ex-presidente.

Eleitorado também concorda com Lula em imposto para carnes e falta de satisfação com o mercado

A maioria dos eleitores também concorda com Lula sobre a isenção de impostos das carnes consumidas pelos mais pobres. O posicionamento de Lula é avalizado por 84%, enquanto 14% discordam. Outros 2% não sabem ou não responderam.

Apesar da posição de Lula, o relator do projeto de lei de regulamentação da reforma tributária, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), afirmou ao Estadão que não deve incluir a carne na cesta básica com imposto zero no parecer final. Segundo o petista, a decisão sobre o tema deve ficar para o plenário da Câmara, que votará separadamente o assunto como destaque (sugestão de mudança do texto principal).

A inclusão das proteínas animais na cesta básica zerada foi defendida pela bancada do agronegócio. Pela proposta atual, as carnes estão na alíquota reduzida, que conta com 60% de desconto em relação à cobrança padrão do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) - com exceção de itens considerados de luxo, como foie gras, salmão, ovas e bacalhau. Esses produtos vão pagar a alíquota cheia.

A defesa de Lula por um "pente fino" para tirar as irregularidades do CadÚnico é apoiado por 83% dos eleitores, enquanto 15% não avalizam o posicionamento do petista. Outros 2% dos entrevistados pela Quaest não souberam responder.

O Planalto mapeia as possíveis revisões e estima uma economia de R$ 10 bilhões. Lula quer garantir que as pessoas que estão recebendo o benefício realmente se enquadram nas exigências para ter acesso ao programa. O foco do pente fino são as famílias unipessoais, um grupo de cerca de 6 milhões de pessoas.

A postura do petista que possui uma menor adesão dos eleitores recai sobre a disposição do Planalto que, segundo Lula, seria dar satisfação aos mais pobres e não ao mercado. Segundo a Quaest, 67% concordam com a postura, enquanto 29% discordam. Outros 4% não souberam responder.

Em um evento realizado em Salvador no último dia 1º de julho, Lula disse que tem que prestar contas para o "povo pobre" e não a "nenhum ricaço desse País". A declaração aconteceu em meio a falas do petista que, junto a pressões externas, causaram um aumento do dólar a um patamar não registrado desde 2022.

"Graças a Deus, enxerguei meu povo e é para ele que tenho que fazer as coisas. Não tenho que prestar contas a nenhum ricaço desse País, a nenhum banqueiro, tenho que prestar contas ao povo pobre, trabalhador desse País, que precisa que a gente tenha cuidado e que a gente cuide deles", afirmou o petista.

Estadão
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