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Julgamento do Mensalão

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Defesa quer pena menor por Valério ter ajudado em investigação

22 out 2012 - 14h48
(atualizado às 14h57)
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Condenado por todos os crimes pelos quais foi julgado até agora, o empresário Marcos Valério deveria ter sua pena reduzida por ter colaborado com a investigação que resultou no processo do mensalão. O argumento faz parte de um memorial de oito páginas entregue nesta segunda-feira pelo advogado do réu, Marcelo Leonardo, aos atuais dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em foto de arquivo, o advogado Marcelo Leonardo defende o publicitário Marcos Valério no STF
Em foto de arquivo, o advogado Marcelo Leonardo defende o publicitário Marcos Valério no STF
Foto: STF / Divulgação

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Considerado culpado pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ativa, Marcos Valério tem chance de ser condenado a regime fechado durante a dosimetria das penas. O texto de seu advogado pretende atenuar essa possibilidade.

"Estou pedindo o reconhecimento de que o Marcos Valério foi réu colaborador. Ele forneceu a lista (de beneficiários dos pagamentos) e os documentos que permitiram ao Ministério Público oferecer denúncia contra 40 pessoas. Ninguém é acusado que não esteja na lista que ele forneceu, com todos os dados", disse o advogado, antes da sessão que poderá condenar o empresário por mais um delito: formação de quadrilha. Se reconhecida a função de colaborador, Valério poderia ter uma redução na pena de até dois terços, acredita o defensor.

Para Marcelo Leonardo, Valério não pode ter uma função equivalente a José Dirceu no grupo. Ele lembra que o relator do mensalão, Joaquim Barbosa, por diversas vezes disse que as empresas SMP&B e DNA Propaganda eram geridas a três mãos, junto dos sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz.

"Entendo que a denúncia não atribuiu a ele função de chefia e liderança, que só foi atribuída a José Dirceu. Em relação ao sócio dele, o ministro Joaquim Barbosa, várias vezes, disse que as empresas eram geridas a três mãos, dando a entender que eles têm funções semelhantes em todo o desenrolar dos fatos", disse.

O advogado acredita que o Supremo foi duro com o acusado de operar o mensalão. "O STF deu a ele um tratamento mais severo do que merece. Até porque ele não é beneficiário de nada, nem mandou fazer nada. Ele foi apenas um operador do intermediário, não deveria ter a importância que a ele se deu. Habilidosamente, desde o início, a classe política soube fazer isso", disse.

Em setembro, enquanto os ministros definiam o destino dos réus do mensalão, uma reportagem da revista Veja publicou uma acusação de Valério contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O empresário teria dito que Lula chefiou o esquema e que não sobrou para o ex-mandatário porque os réu ficaram em silêncio. Marcelo Leonardo desconversa sobre a possibilidade de seu cliente colaborar em um eventual processo futuro contra o petista. "Acho que o presidente Lula não é objeto desta ação penal, a situação dele pode vir a ser tratada em alguma investigação futura. Neste processo, não", disse. "O futuro a Deus pertence. Não vamos falar de futuro", finalizou.

O mensalão do PT

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

Fonte: Terra
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