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Julgamento do Mensalão

Defesa de Gushiken: MP não apurou nada e criou peça de ficção

8 ago 2012 - 19h24
(atualizado às 20h21)
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Mesmo após o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ter pedido a absolvição de Luiz Gushiken em sua sustentação oral na última sexta-feira, os dois advogados escalados pelo réu usaram a tribuna do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira para criticar a atuação do Ministério Público na apuração das denúncias de envolvimento do ex-ministro no esquema do mensalão. "O MP nada apurou antes de trazer a denúncia a este tribunal, apenas pinçou alguns trechos do relatório da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), para dar coerência a essa peça de ficção", afirmou Luís Justiniano de Arantes Fernandes.

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Segundo a denúncia feita pelo então procurador Antonio Fernando de Souza, Gushiken teria desviado recursos do fundo de investimento Visanet para beneficiar empresas de Marcos Valério. Gurgel considerou que não há provas suficientes que indiquem que o ex-ministro tenha recebido dinheiro do esquema. Atualmente, Gushiken está afastado da política e trata um câncer.

"A acusação pediu a absolvição deste réu, mas alegou falta de provas. A defesa quer mais. A defesa entende que dos autos se extrai mais do que isso, quer a inocência de Luiz Gushiken, e não apenas que faltaram provas quanto sua culpa", afirmou Justiniano.

Segundo o advogado, o Ministério Público preferiu utilizar o depoimento de Pizzolato à CPI dos Correios, em 2005, a investigar a fundo o que teria ocorrido na transação. "Preferiu se fiar em um depoimento colhido sob os holofotes e flashes, no qual é comum os inquiridores terem mais interesse de falar do que ouvir, de serem fotografados do que investigar. Um depoimento em que a testemunha foi ironizada, acusada, constrangida a mudar seu depoimento", disse.

Após encerrar seu pronunciamento, Justiniano passou a palavra para o colega José Roberto Leal de Carvalho, que foi ainda mais duro. O advogado afirmou que a honra de Gushiken foi abalada e precisa ser restabelecida. "Dizem que o procurador foi magnânimo ao pedir a absolvição. Podem dizer isso, mas ele foi mesquinho. Não existe outro adjetivo para isso", criticou.

O ex-ministro figura no processo do mensalão porque Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, disse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios que fez antecipações de recursos do banco, pela Visanet, para a agência de publicidade DNA, a mando de Gushiken. A DNA era uma das empresas de Marcos Valério, também réu no processo do mensalão.

Além de Gushiken, o assessor do PL, atual PR, Antonio Lamas também foi excluído da condenação por falta de provas.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

Defesa de Gushiken diz que procurador da República foi mesquinho:
Fonte: Terra
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