EUA bloqueiam 'Brahma', maior lavador de dinheiro do PCC
Núcleo de Inteligência do Departamento de Tesouro americano na lista de quem representa 'ameaça' ao País o brasileiro Diego Macedo Gonçalves do Carmo, apontado como peça-chave na engrenagem da facção para lavar R$ 1,2 bilhão do tráfico de drogas
A Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos (Office of Foreign Assets Control) incluiu em sua lista de pessoas "designadas" e "bloqueadas" o integrante do PCC Diego Macedo Gonçalves do Carmo, o 'Brahma', apontado como peça-chave na lavagem de R$ 1,2 bilhão da facção criminosa especializada no tráfico de drogas. O órgão - que mantém cooperação com o Ministério Público de São Paulo - afirma que Gonçalves continua ativo no PCC, mesmo preso, dando ordens da cadeia.
A agência é um núcleo de Inteligência do Departamento do Tesouro dos EUA que administra e fiscaliza sanções econômicas aplicadas com base em políticas daquele País e internacionais contra terroristas, narcotraficantes e outras pessoas e empresas que representem ameaça para a segurança nacional.
O órgão administra programas de sanções e publica uma lista de pessoas e companhias cujos ativos podem ser bloqueados nos EUA e com quem cidadãos daquele País não podem manter relações comerciais.
Nesse índex 'Cidadãos Especialmente Designados' o nome de 'Brahma' foi incluído. Ele está preso no Brasil. Dado seu alto grau de periculosidade ele está isolado na penitenciária federal de segurança máxima em Porto Velho.
De acordo com a agência, com a inclusão de 'Brahma' na lista, todas eventuais propriedades e bens eventualmente mantidos por ele nos EUA - até as que estão em posse ou são controladas por cidadãos americanos - devem ser bloqueados e relatados para o órgão.
A sanção também atinge possíveis empresas nas quais o integrante do PCC seja sócio.
Ao impor a sanção, a Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos citou a condenação do integrante do PCC, em novembro de 2022, a sete anos e onze meses de prisão por tráfico de drogas. Também foi citada a participação dele no roubo da agência do Banco do Brasil em Uberaba, em 27 de junho de 2019.
A inclusão de 'Brahma' na lista da Agência ligada ao Departamento do Tesouro americano se dá pelo fato de ele ter 'controlado, dirigido ou agido, direta ou indiretamente, em favor do PCC'.
O bloqueio de 'Brahma' se dá na esteira da inserção do PCC, em dezembro de 2021, em uma nova parcela de designações, sob a alçada de uma autoridade antinarcóticos criada pelo presidente Joe Biden.
Segundo a Agência, o novo braço foi criado com o intuito de dar 'ao Tesouro maior flexibilidade, rapidez e poder para sancionar aqueles que fazem parte do comércio global de drogas'.
A agência classifica a ação como parte de um esforço do governo dos EUA em combater a 'ameaça global do tráfico de drogas, que causa a morte de milhares de cidadãos'.
"Com uma extensa rede de contatos na América Latina, assim como uma presença global em expansão, o PCC representa uma das organizações dedicadas ao narcotráfico mais significativas e preocupantes na região. [...] Os Estados Unidos vão continuar a apoiar o Brasil e outros parceiros na região nos esforços para combater a capacidade de operação do PCC, incluindo a sua capacidade de lavar fundos ilícitos através do sistema financeiro global", indicou o subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira Brian E. Nelson, em nota.
Brian E. Nelson esteve na sede do Ministério Público de São Paulo, em agosto de 2022, para discutir uma cooperação entre a OFAC e a Promotoria no combate às organizações criminosas com atuação transnacional. O acordo resultou na 'implementação de um fluxo de informações que viabiliza a aplicação das sanções a integrantes do PCC e a empresas utilizadas pela organização criminosa para lavagem de dinheiro', diz o MP.