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Política

Eleições 2026: Com Bolsonaro preso, aliados no Nordeste articulam alianças para superar 'fator Lula'

Bolsonaristas testam novos blocos em reduto petista mesmo com crise dentro da própria base

2 jan 2026 - 04h59
(atualizado às 06h23)
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Resumo
Aliados de Bolsonaro articulam alianças no Nordeste para as eleições de 2026, buscando superar a hegemonia petista, enquanto a esquerda aposta na popularidade de Lula para manter sua força regional.
Disputa no Nordeste para 2026 tem alianças improváveis e confiança no PT
Disputa no Nordeste para 2026 tem alianças improváveis e confiança no PT
Foto: Reprodução/Redes sociais

Com Jair Bolsonaro (PL) preso e inelegível, aliados do ex-presidente no Nordeste articulam novos blocos para tentar conter o domínio petista nas eleições de 2026. Enquanto o PT aposta mais uma vez no fator Lula para manter a hegemonia regional, bolsonaristas tentam – mesmo em meio à crise dentro da própria base – construir um arco de aliança que possa acirrar a disputa para os governos estaduais e Senado. 

A estratégia central nos Estados é o reagrupamento de lideranças locais de direita e centro em torno de um único projeto de oposição. Na Bahia e no Ceará, 1º e 3º principais colégios eleitorais da região, as conversas estão focadas na necessidade do grupo fazer concessões, sem ‘jogar’ com a vaidade, para chegar a um consenso e consolidar os nomes que têm chances de vitória nas urnas. 

Cientes de que o Nordeste é um reduto petista, os bolsonaristas não falam abertamente que estão abrindo mão dos governos estaduais por falta de uma candidatura competitiva, mas demonstram, claramente, um maior interesse na disputa no Senado. 

Embora ainda não exista nada oficial, o Estado da região onde a aliança de oposição parece estar mais azeitada é a Bahia. João Roma (PL), ex-ministro da Cidadania, e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que disputaram o governo estadual em 2022, se uniram e devem caminhar juntos em 2026.

Como parte da estratégia do PL, o ex-ministro focará no Senado, enquanto ACM tenta mais uma vez derrotar Jerônimo, que é o terceiro petista seguido a governar o Estado. “Nós temos um grande interesse em formar uma chapa forte no Senado para criar "freios e contrapesos" no País”, disse ao Terra João Roma, que preside o PL na Bahia. 

Aliança com Ciro Gomes em xeque 

Se na Bahia a recomposição de forças envolve aproximações dos bolsonaristas com lideranças locais de centro-direita, que é a posição política de ACM Neto, segundo o próprio, no Ceará, a oposição vem se rearticulando em um bloco inédito que une as bases bolsonaristas (PL e União Brasil) a figuras tradicionais do campo progressista como Ciro Gomes, um tradicional político trabalhista de centro-esquerda que atualmente está filiado ao PSDB.

A aproximação entre a ala mais bolsonarista do União Brasil no Ceará, ligada ao ex-deputado Capitão Wagner, que preside a legenda no Estado, e Ciro permanece caminhando muito bem, mas entre PL e Ciro as coisas esfriaram depois do embate público protagonizado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelos três filhos de Bolsonaro em dezembro. 

Michelle, assim como a maioria dos bolsonaristas raiz, é contra o arranjo político feito com Ciro para derrotar o governador petista Elmano de Freitas. “Nem todo eleitor do Ciro aceita essa aliança dele com Bolsonaro, e nem todo eleitor bolsonarista aceita o eventual apoio dos bolsonaristas ao Ciro”, resumiu uma liderança de oposição do Ceará sobre o atrito e mal-estar após a fala de Michelle.

Assim como em qualquer outra região, no Nordeste as decisões do PL são coordenadas pela estrutura nacional, de cima para baixo, em sintonia com Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto. Embora o apoio do PL a Ciro tenha sido alvo de atritos, levando André Fernandes a recuar na aproximação, nos bastidores, segundo um interlocutor, o PL seguirá o caminho que Bolsonaro indicar, ainda que neste primeiro momento o ex-presidente esteja com dificuldade para arbitrar. 

Ao Terra, uma liderança bolsonarista da região disse que o rompimento do PL com Ciro não é definitivo.

“Lógico que a vinda do Ciro fortalece o nosso grupo, e as próprias pesquisas de opinião mostram o nome dele como um nome muito forte, tanto para uma candidatura, como também como padrinho de qualquer outro candidato que venha disputar o cargo de governador ou de senador”.

Caso o PL não chegue a um acordo para apoiar Ciro, devido a seu histórico de críticas a Bolsonaro, uma das alternativas na mesa é indicar um nome mais leve como o candidato de oposição no Ceará. Nesse sentido, uma das sugestões dadas é Roberto Cláudio (União), ex-prefeito de Fortaleza, apadrinhado por Ciro. 

Antagonismo ao PT aflorado

Além da Bahia e Ceará, o Piauí e o Rio Grande do Norte são outros Estados do Nordeste comandados pelo PT. Com exceção do Piauí, onde o governador Rafael Fonteles tem boa aprovação, nos outros três, o PT terá dificuldade para se manter no governo, segundo termômetro de pesquisas divulgadas pelo instituto Real Time Big Data.

No Rio Grande do Norte, o prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (União), e o senador Rogério Marinho (PL-RN) lideram cenários para uma eventual disputa ao governo. A governadora Fátima Bezerra (PT) não pode concorrer a um terceiro mandato e o pré-candidato petista Cadu Xavier, secretário estadual da Fazenda, aparece em terceiro nas pesquisas.

Na Bahia, ACM Neto, principal nome de oposição, aparece à frente na disputa pelo governo na pesquisa Real Time Big Data. Na simulação, o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil tem 44% das intenções de voto. O governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tenta a reeleição, tem 35%.

No Ceará, no primeiro panorama testado pelo instituto Real Time Big Data, Elmano (PT) e Ciro (PSDB) empatam em 39%. O senador Eduardo Girão (Novo) aparece com 14%. Em um último cenário, sem Girão, Ciro lidera com 44%, ante 42% do atual governador petista. 

Embora reconheçam que figuras substitutas do PL, como Flávio Bolsonaro, não teriam a mesma força de Bolsonaro num palanque político, aliados nesses três Estados não vêem tanto prejuízo eleitoral a ausência do ex-presidente na campanha eleitoral, já que a rejeição de Bolsonaro é maior que a aprovação. 

Em off, um deles afirma que o que vai decidir a eleição não é Bolsonaro ou Lula, mas sim o antagonismo ao PT que está "muito aflorado", em razão da falta de melhorias de vida e dos problemas de segurança pública. Na Bahia, são 20 anos de gestão petista. No Ceará, 12 anos. No Rio Grande do Norte, 8 anos. 

O fator Lula 

Do lado petista, a leitura é que o sucesso do PT em 2026 na região Nordeste será sustentado pelos mesmos elementos de 2022: a força política de Lula na região, o projeto do PT para o País e a identificação do povo com o 13. 

Ao Terra, Tássio Brito, presidente estadual do Partido dos Trabalhadores na Bahia, disse que a alta votação do PT no Nordeste é creditada ao reconhecimento do povo de que o projeto do partido os "enxerga e os inclui".

"Independente de quem seja o candidato da oposição [na disputa ao Senado, governo ou presidente], o que o povo vai escolher é se vota em Lula e no projeto que Lula representa ou em outro. Nós estamos muito confiantes de que mais uma vez no Nordeste o povo vai escolher o nosso projeto político", disse.

Se do lado da oposição o principal flanco explorado será a segurança pública, na tentativa de encontrar um "calcanhar de Aquiles", do lado de quem é governo a aposta será em evidenciar, segundo petistas, a reconstrução do Brasil no mandato de Lula, com melhora na economia e redução de desigualdade.

Em termos regionais, o PT também afirma estar preparado para debater qualquer assunto, inclusive a segurança pública, citando ações contundentes nos níveis federal e estadual. 

Sobre a estratégia da oposição de tentar explorar o cansaço do projeto do petista, uma figura proeminente do PT disse que o governo tem dados para rebater, citando as entregas em educação, saúde e combate à pobreza.

“Nós não subestimamos nenhum adversário, respeitando todos os adversários, mas não tememos nenhum”, enfatizou Antônio Filho, o Conin, presidente estadual do PT no Ceará. 

Lulistas, sim, petistas, nem tanto

Na região Nordeste, cinco dos nove Estados não são governados pelo PT. Nesses locais, o enfrentamento direto não será entre petistas e bolsonaristas, mas isso não significa que o fator Lula será menos importante no plano estadual.  

Pernambuco, segundo maior colégio eleitoral da região, é governado por Raquel Lyra (PSD). Ex-tucana, a governadora migrou para o PSD em março como parte do plano de se aproximar do governo federal.

Em 2026, o principal concorrente de Raquel será João Campos (PSB). Embora a tendência seja Lula apoiar João, Raquel tem feito acenos ao petista em busca de um palanque duplo, com Lula apoiando os dois candidatos. João é favorito na disputa. 

No Maranhão, o governador Carlos Brandão (Sem partido) não pode mais se reeleger. Fora da disputa, o favorito é o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). Ele terá como principal concorrente Orleans Brandão (MDB), o mais provável lulista não petista a ser apoiado por Lula, se o PT não lançar candidato. 

Na Paraíba, o atual  governador João Azevêdo (PSB) está no segundo mandato. Impossibilitado de concorrer novamente, o governador irá apoiar o atual vice-governador Lucas Ribeiro (PP), que terá que disputar contra o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB). Ambos esperam o apoio de Lula. 

Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) não pode ir para a reeleição. No lugar dele, o candidato será Renan Filho (MDB), ministro dos Transportes do governo Lula, que governou o Estado antes de Dantas. Renan tem o apoio de Lula e terá como principal concorrente o  prefeito de Maceió (AL), João Henrique Caldas (PL), o JHC.

Em Sergipe, o atual governador Fábio Mitidieri (PSD) tentará a reeleição. Favorito na disputa, Mitidieri terá como principal concorrente Valmir de Francisquinho (PL).

Fonte: Portal Terra
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