Dos 19 ministros que devem deixar o Governo Lula nos próximos 10 dias para disputarem as eleições, só Haddad saiu
Eles precisam deixar a cargo no prazo para desincompatibilização eleitoral, que termina no dia 4 de abril; saiba quem vai pra onde
Dezenove dos trinta e oito ministros do governo Lula (PT) indicaram que deixarão suas pastas para concorrerem a cargos no Senado, na Câmara dos Deputados ou em governos estaduais. O prazo está chegando: eles têm apenas 10 dias para fazerem essas movimentações, visto que o prazo da desincompatibilização eleitoral termina em 4 de abril. Até esta quinta-feira, 26, só Fernando Haddad, da Fazenda, deixou o posto – no caso, como escolha do Partido dos Trabalhadores para tentar bater de frente com Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição.
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Sete dos ministros têm indicado que devem concorrer ao Senado. Outros oito, para a Câmara dos Deputados. Três, contando com Haddad, querem governos de Estado. E um deles sairá da pasta, mas com o objetivo de atuar em articulações eleitorais. Confira quem deve ir para onde.
Senado
Em declarações públicas, sete ministros sinalizaram que pretendem tentar uma chance no Senado:
- Marina Silva (REDE/SP), ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, por São Paulo;
- Gleisi Hoffmann (PT/PR), secretaria de Relações Institucionais, pelo Paraná;
- Alexandre Silveira (PSD/MG), ministro de Minas e Energia, por Minas Gerais;
- Waldez Góes (PDT/AP), ministro de Integração e Desenvolvimento Regional, por Amapá;
- Rui Costa (PT/BA), ministro da Casa Civil, pela Bahia;
- Carlos Fávaro (PSD/MT), ministro da Agricultura e Pecuária, por Mato Grosso;
- Simone Tebet, ministra de Planejamento e Orçamento, migrou do MDB para o PSB para disputar o Senado por São Paulo. A movimentação aconteceu no último sábado, 21, após meses de incertezas sobre seu futuro.
Fora da contagem há, também, Celso Sabino. Ele foi demitido do ministério do Turismo em dezembro após ser expulso de seu então partido, o União Brasil, por ter contrariado uma determinação partidária. Mas, desde quando estava no posto, já tinha indicado que tentaria o Senado pelo Pará. A pasta foi assumida por Gustavo Feliciano.
Alckmin no Senado? Geraldo Alckmin (PSB/SP), parceiro fiel de Lula, estava sendo projetado como um possível forte candidato para bater de frente com Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo de São Paulo – missão, agora, que deve ser encabeçada por Haddad. Além disso, ele tem favoritismo para o Senado. Na visão de Lula, ele deve se manter como vice ou tentar o Senado de São Paulo. A questão ainda não está fechada, e a escolha ficará a cargo do povo, alega Alckmin.
“Em relação à candidatura, a gente não escolhe. Aquilo que vai servir ao povo, à nação, é a população, é a nação que nos escolhe onde servir. Então, vamos aguardar.”, disse ele em evento em Brasília na segunda-feira, 23.
Cada estado tem três senadores, e o mandato de cada um dura oito anos. A cada quatro anos há renovação nas cadeiras: alternadamente, mudam um ou dois senadores por eleição. Na Eleição de 2026 é a vez de renovarem dois terços dos senadores. É a oportunidade que Lula busca para aumentar sua influência sobre a maioria.
No momento, a maior bancada do Senado é a do Partido Liberal (PL), partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. O segundo maior partido que ocupa o plenário é o Partido Social Democrático (PSD). O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) tem a terceira maior bancada. O Partido dos Trabalhadores (PT), sigla do presidente Lula, tem 9 representantes no Senado.
Câmara dos Deputados
Outros oito ministros de Lula já adiantaram ter a Câmara dos Deputados como foco:
- Sônia Guajajara (PSOL/SP), ministra dos Povos Indígenas, por São Paulo. Seu último dia à frente da pasta deve ser dia 30 de março;
- Paulo Teixeira (PT/SP), ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, por São Paulo;
- Anielle Franco (PT/RJ), ministra de Igualdade Racial, pelo Rio de Janeiro;
- Jader Barbalho Filho (MDB/PA), ministro de Cidades, pelo Pará;
- André Fufuca (PP/MA), ministro do Esporte, pelo Maranhão;
- Wolney Queiroz (PDT/PE), ministro de Previdência Social, por Pernambuco.
- Sílvio Costa Filho (Republicanos/PE), ministro de Portos e Aeroportos, por Pernambuco. Ele mudou de rumo no último dia 19. Até então tinha indicado que iria concorrer ao Senado. Agora, ‘depois de um amplo diálogo com o presidente Lula, com o partido e com o campo político no estado’, buscará a reeleição para deputado federal;
- Macaé Evaristo, ministra de Direitos Humanos e Cidadania, indicou que deve se desincompatibilizar para tentar se reeleger à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Desistiu. André de Paula (PSD/PE), ministro de Pesca e Aquicultura, havia indicado, ainda em dezembro, que pretendia se candidatar a deputado federal por Pernambuco. Agora ele é cotado para assumir o cargo de ministro da Agricultura e Pecuária, antes ocupado por Carlos Fávaro, que disputará a reeleição no Senado por Mato Grosso.
Governos de Estado
Esse será um ano de renovação política com relação aos governadores. Isso porque, dos 27 políticos que ocupam esse posto, 18 já foram reeleitos e, por isso, não podem concorrer novamente ao cargo. Até o momento, três ministros de Lula indicaram que gostariam de seguir esse caminho:
Fernando Haddad (PT) estava resistente com a ideia de concorrer nas eleições de outubro. Até que, na última quinta-feira, 19, ele deixou a Fazenda e o PT o anunciou como pré-candidato ao governo de São Paulo. Será uma espécie de reedição de 2022, quando ele disputou o cargo com Tarcísio de Freitas e perdeu no segundo turno.
Em paralelo, mesmo após o anúncio de Haddad, Márcio França (PSB/SP), ministro de Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, segue com vontade de também disputar o governo paulista. Seu futuro ainda não foi definido.
O terceiro nome é Renan Filho (MDB/AL), ministro de Transportes, que disputará o governo por Alagoas.
Sair, mas sem concorrer
Camilo Santana (PT/CE), ministro da Educação, por enquanto é o único que confirmou que deixará sua pasta sem ser para se candidatar a um novo posto. O presidente Lula confirmou na última segunda-feira, 2, que Camilo Santana deixará o comando da pasta para atuar em articulações eleitorais do partido. Ele deve se dedicar à campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), do Ceará.
Um caso similar é o de Sidônio Palmeira, secretário de Comunicação Social. Ele não está sendo contabilizado pois, apesar de ter indicado que sairá do cargo, não deve fazer a movimentação dentro do prazo da desincompatibilização. Ele tem indicado que sairá do posto apenas no meio do ano para atuar como marqueteiro da campanha de Lula.
No limbo. O advogado-Geral da União, Jorge Messias (PT/PE), também pode deixar o governo Lula nos próximos meses, mas seu caso é específico. Ele foi indicado pelo presidente ao Supremo Tribunal Federal para ocupar a cadeira de Luis Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria e deixou o tribunal no ano passado. Por enquanto, teoricamente, ele segue na pasta. Mas, se aprovado, pode ser outro ministro a se despedir.
Quem permanece?
Dezesseis dos ministros de Lula devem seguir ao lado do petista até o fim do ano. Entre eles, há quem buscou colocar um ponto final nos rumores.
Como foi o caso de Alexandre Padilha (PT/SP), ministro da Saúde, que afirmou durante agenda que seguirá até o fim do ano trabalhando na pasta.
E também teve quem desistiu de mudar de rota, como Luiz Marinho (PT/SP), ministro do Trabalho e Emprego, que havia indicado que concorreria à Câmara dos Deputados, mas desistiu em dezembro. No último dia 7, em entrevista ao Bom Dia, Ministro, do CanalGov, ele disse que a decisão de seguir no Governo Federal partiu de um pedido do próprio presidente Lula.
Outros que não tem indicações de que deixarão os cargos ou que desmentiram boatos são:
- Luciana Santos, ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação;
- Frederico Siqueira, ministro de Comunicações;
- José Múcio, ministro da Defesa;
- Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome;
- Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos;
- Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública
- Márcia Lopes, ministra de Mulheres;
- Mauro Vieira, ministro de Relações Exteriores;
- Gustavo Feliciano, ministro de Turismo;
- Vinícius Marques de Carvalho, Controladoria-Geral da União;
- Marcos Antonio Amaro dos Santos, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
- Margareth Menezes, ministra da Cultura;
- Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência da República. Há discussões sobre uma eventual saída do político do PSOL para se filiar ao PT, mas não há indicações de que deixará o Governo Federal para concorrer às eleições.
Confira mais detalhes do calendário das eleições de 2026
- 5 de março a 3 de abril - Janela partidária, período legal para migração partidária de deputados federais, estaduais ou distritais para concorrerem às eleições de outubro.
- 4 de abril (6 meses antes do 1º turno) - Data limite para:
- Registro, no Tribunal Superior Eleitoral, dos estatutos de partidos políticos e de federações que poderão participar das Eleições 2026;
- Regularização do domicílio eleitoral por parte dos políticos;
- Desincompatibilização, ou seja, é o prazo para que ocupantes de cargos no Executivo (como presidente da República, ministros, governadores e prefeitos) renunciem aos seus mandatos em exercício caso queiram concorrer a novos cargos.
- 6 de abril - Para quem não possui cadastro biométrico válido na Justiça Eleitoral, é o último dia para solicitar o título de eleitor, transferirem a cidade de votação ou demais atualizações de dados por meio do serviço de autoatendimento eleitoral na internet
- 6 de maio - Último dia para tirar ou regularizar o título de eleitor em unidades da Justiça Eleitoral pelo Brasil (ou no serviço de autoatendimento na internet para quem já possui cadastro biométrico válido na Justiça Eleitoral). A partir dessa data, não é possível mais realizar o cadastro eleitoral.
- 20 de julho a 5 de agosto - Convenções partidárias. É o momento onde os partidos escolhem, oficialmente, quem serão seus candidatos.
- 15 de agosto - Último dia para o registro de candidaturas. O prazo encerra às 19 horas, do horário de Brasília.
- 16 de agosto - Início da propaganda eleitoral – inclusive na internet, onde lives, por exemplo, só podem ser feitas por candidatos a partir desta data
- 28 de agosto a 1º de outubro - Período de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, referente ao primeiro turno das eleições gerais
- 4 de outubro - Primeiro turno das Eleições 2026. Eleitores elegerão um novo presidente da República, assim como governadores, senadores, deputados federais e estaduais/distritais.
- 25 de outubro - Segundo turno das Eleições 2026, que só acontece caso nenhum candidato à presidência consiga mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno. O mesmo vale para governadores, nos respectivos Estados.

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